Comportamento

Ciúme e inflexibilidade são sinais de um relacionamento abusivo

Nede Losina/UOL
O "ex" da estudante Ana Carolina Delgado agia como se fizesse um favor ao namorá-la imagem: Nede Losina/UOL

Andrezza Czech

Colaboração para o UOL

 

A estudante Ana Carolina Delgado, 22, sabia identificar muito bem na teoria o que era um relacionamento abusivo. Mas acabou caindo em uma rela $!$render-component.split('/')[$math.sub($render-component.split('/').size(), 1)]
Um relacionamento abusivo pode ser hétero ou homossexual, e tanto homens quanto mulheres podem ser vítimas de abuso. No entanto, é mais comum que mulheres vivam histórias como a de Ana Carolina.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Avon em parceria com o Data Popular, em setembro de 2013, 85% dos homens não acham aceitável que uma mulher fique bêbada, 69% não acham correto que ela saia com amigos sem o marido e 46% não aceitam que use roupas justas e decotadas.

“Viemos de uma sociedade machista e paternalista, que coloca a mulher na posição de quem é submetida aos desejos masculinos. Por isso, são elas que mais sofrem em relacionamentos abusivos”, diz a psicóloga e sexóloga Maria Claudia Lordello, coordenadora de psicologia do projeto Afrodite de Sexualidade Feminina, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Agressões verbais

Ainda na adolescência, a assistente financeira Monalise Nogueira, 30, viveu um relacionamento abusivo, que durou cinco anos.

“Todas as vezes que eu saía, ele tinha de ir junto. Ele me levava e buscava na porta da escola. No começo, estava muito apaixonada, achava que ele só tinha ciúme porque gostava muito de mim, achava bonitinho”, fala.

Além do ciúme excessivo, agressões verbais eram constantes. “Ele dizia que eu era feia, tentava me colocar para baixo”, diz. Monalise notou que havia algo errado quando o “ex” ficou escondido atrás de árvores esperando que ela entrasse na escola.

A psicóloga Maria Claudia explica que, nesses relacionamentos, é comum que a dominância masculina seja confundida pela mulher como uma demonstração de afeto e cuidado, o que faz com que ela acabe cedendo.

“Há um ponto fraco em nosso desenvolvimento que é a lembrança da relação de carinho e afeto que tivemos com a mãe na infância. Muitos procuram essa espécie de cuidado em suas vidas amorosas, e essa autoridade colocada por meio do ciúme pode vir disfarçada de acolhimento”, afirma. 

É comum que quem está envolvido em um relacionamento abusivo não perceba a gravidade da situação, por mais que amigos e familiares tentem abrir seus olhos.

“Meus amigos --e principalmente minha irmã falavam muito--, mas ele era muito manipulador. Dizia que os outros tinham inveja da nossa situação”, diz Ana Carolina.

Segundo Maria Claudia, o primeiro passo para se desprender do parceiro abusivo e se afastar de uma relação como essa é recuperar a individualidade.

O desafio do término

Em relacionamentos abusivos, é comum que o parceiro tente acabar com a autoestima do outro.

“Ele agia como se eu fosse muito ruim e estivesse fazendo um favor de ficar comigo”, diz Ana Carolina. Ela só deixou de se sentir culpada e passou a entender o quanto esteve envolvida em uma relação abusiva quando o “ex” começou a contar momentos de intimidade dos dois e espalhar boatos para tentar acabar com sua imagem.

Estou em uma relação abusiva?

Alguns sinais podem servir como um alerta. De acordo com Maria Claudia, além do ciúme ser um sintoma desse tipo de relação, a inflexibilidade é uma manifestação importante.

“Ceder às vezes faz parte, mas isso não pode se tornar um padrão, ou você passa a abrir mão de si. Se você só faz o que ele deseja e se ele fica muito agressivo quando você nega ou discorda de algo, trata-se de uma relação abusiva”, declara a psicóloga.

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