Comportamento

Plus size: apologia da obesidade ou democratização da beleza?

Filipe Menegoy/Divulgação
A Miss Brasil Plus Size de 2015, Denise Gimenez, que veste manequim 46 imagem: Filipe Menegoy/Divulgação

Izabel Carvalho

Colaboração para o UOL, em São Paulo

Eleita Miss Brasil Plus Size em 2015, a modelo paranaense Denise Gimenez, 35, tem aproveitado a repercussão do concurso para desmistificar a ideia de que o sobrepeso e a obesidade são sinônimos de uma vida sedentária e com riscos.

“É importante ter cuidado com a saúde, fazer atividade física regularmente, investir em uma alimentação mais balanceada e saudável, mas podemos ser profissionais competentes, mulheres e mães dedicadas, porque essas qualidades não são encontradas nos centímetros a menos da cintura”, afirma Denise, que veste manequim 46.

A intenção da modelo é combater o discurso de que a popularidade do conceito plus size está trocando a ditadura da magreza pela apologia da obesidade.

Em entrevista ao jornal "Daily Mail", em junho de 2015, o britânico Steve Miller, conhecido como “guru das dietas”, criticou severamente a top plus size Tess Holliday dizendo que a aceitação da gordura extrema que o sucesso da modelo traz irá fazer com que as estatísticas de obesidade aumentem.

Reprodução/Instagram/@tessholliday
A top americana Tess Holliday foi criticada por Steve Miller, "guru das dietas" imagem: Reprodução/Instagram/@tessholliday

A nutricionista franco-brasileira e doutora em endocrinologia Sophie Deram afirma que a gordura da comida e do corpo tem sido “demonizada”, por isso o fato de as modelos plus size estarem em destaque promove a divulgação de uma imagem de beleza mais democrática. Mas para a especialista, que é autora do livro “O Peso das Dietas” (editora Sensus), é preciso refletir sobre esse efeito positivo com equilíbrio.

“A perda de massa gorda não é sempre um bom sinal. O corpo precisa, ao menos, de 18% de gordura. Há quadros de obesidade ou de sobrepeso que mostram uma pessoa saudável, enquanto há gente magra que não está bem. Mas também não podemos fazer apologia do excesso de gordura. Para uma mulher entre 25 e 30 anos, é normal ter uma taxa de 20% a 25% de gordura”, afirma Sophie.

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), a saúde é um estado de bem-estar físico, mental e social, contudo, a sociedade tem usado apenas o peso como parâmetro para dizer se uma pessoa é saudável ou não.

Segundo a também doutora em endocrinologia Claudia Chang, especialista da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), um indivíduo está acima do peso quando o IMC (Índice de Massa Corpórea) está maior do que 25.

“Essa taxa pode ter variação, já que pessoas com muita massa muscular –homens principalmente-- podem ter IMC acima do considerado normal. Quando o índice está acima de 30, o indivíduo passa a fazer parte de um quadro de obesidade, que dividimos progressivamente em graus”, diz Claudia.

A especialista da SBEM também explica que existem alguns indivíduos que, mesmo estando acima do peso, não apresentam alterações metabólicas, pois mantêm a pressão arterial, a glicemia e níveis de colesterol normais.

“A grande questão nesses casos é que, teoricamente, o excesso de peso é por si só um fator de risco para doenças (como diabetes e hipertensão arterial), sendo importante que essas pessoas tenham acompanhamento clínico regular para evitar possíveis complicações”, fala Claudia Chang.

Segundo a psicóloga Luciana Kokata, especialista em psicologia da obesidade e transtornos alimentares, recorrer ao termo plus size é uma maneira de as pessoas se sentirem valorizadas e mesmo aprenderem a ser felizes com seus corpos.

“Essas situações são frequentes para qualquer pessoa, com peso baixo, normal ou plus size, pois não é um corpo em si que define alguém, mas a forma com que cada um se enxerga e se aceita ou não. Falo isso até para deixar claro que pessoas magras também têm dificuldades de se aceitarem. A autoestima é um processo a ser construído desde quando somos crianças. Nossa relação com a imagem corporal, com as situações a qual somos expostas e a própria família tem grande influência”, diz Luciana.

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