Comportamento

4 jovens de movimento pró-castidade falam sobre a escolha de não transar

Heloísa Noronha

Colaboração para o UOL, em São Paulo

Rapazes e moças adeptos do movimento cristão pró-castidade EEE (Eu Escolhi Esperar), que surgiu em 2011 e reúne mais de três milhões de curtidas em sua página no Facebook, pregam que a virgindade e a abstinência sexual são não só o melhor caminho aos ensinamentos de Deus, como uma boa estratégia para ter um relacionamento afetivo saudável e amoroso no futuro.

A seguir, veja depoimentos de quatro jovens que fizeram essa escolha.

Bruna Thalita Aquino Silva, 22, estudante de direito, de Uberlândia (MG)

Arquivo Pessoal
imagem: Arquivo Pessoal
“Antes mesmo de conhecer o movimento, já tinha certeza de que queria me casar virgem. Tomei essa decisão aos 12 anos, por vários motivos. Um deles é que defendo a ideia de que, biblicamente, a relação sexual configura casamento. Logo, não há razão para a iniciação fora dele. Outra razão é que acho que as pessoas banalizam demais o sexo, um momento de tanta intimidade entre o casal. Nunca quis isso para mim. Descobri na espera uma forma de amar. Por mais complexo que isso pareça para muitos, entendo-a como uma declaração de amor. Sempre me perguntam se acho difícil esperar, mas, se pensarmos bem, há diversas coisas difíceis na vida. Fazer uma faculdade, passar em um concurso, receber uma promoção no emprego. Nem por isso desistimos delas. Muitas pessoas me olharam torto, fizeram perguntas provocativas e se acharam no direito de falar da minha vida. Não ligo mais. As pessoas sempre vão falar, independentemente dos erros ou acertos, então, cabe a mim decidir dar ouvidos ou ignorá-las. Se me tratam com preconceito, devolvo com respeito. Descobri que constrangemos os outros tratando-os da forma como não esperam.”

Marjorie Bindá Leite, 25, engenheira, de Manaus (AM)

Arquivo Pessoal
imagem: Arquivo Pessoal
“Namoro há um ano e antes dele nunca havia ficado com ninguém. Casar virgem é uma convicção do meu coração. Também nunca beijei na boca nem durante o namoro. Não estipulei uma data ou um momento para isso acontecer. Temos caminhado bem assim e gostaria muito que meu primeiro beijo fosse no altar. Acredito no tempo certo das coisas, não julgo nem diminuo ninguém por não pensar assim, mas essa decisão tem me feito muito bem e estou convencida de que é isso que quero. Meu namorado já sabia da minha escolha antes de assumir o relacionamento e super me respeitou. Ele viveu experiências bem diferentes das minhas, namorou algumas vezes e experimentou a vida sexual ativa. Mesmo que nessa área seja mais difícil para ele, em outra, pode ser mais difícil para mim, então, vamos nos ajudando. Temos um namoro normal, somos muito amigos e parceiros. Claro que sinto vontades, mas não vejo como algo ‘difícil’, é uma decisão como qualquer outra e exige seus sacrifícios. O sexo não é 100% na vida a dois. Às vezes, inclusive, ele disfarça imperfeições no namoro e lá na frente essas coisas acabam complicando o relacionamento, pois deveriam ter sido notadas e enfrentadas no começo. Enfrentei muito preconceito, principalmente na faculdade, quando descobriram que sou BV [boca virgem]. Começaram a brincar de tentar roubar meu primeiro beijo, fazer chacotas. Decidi não ligar e, acredite, hoje, essas mesmas pessoas são minhas grandes incentivadoras.”

Cássio Mota, 28, representante comercial, do Rio de Janeiro

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imagem: Arquivo Pessoal
“Foi uma escolha de vida. Quero ser de uma pessoa só. Tive o exemplo do meu irmão e da minha cunhada, que se casaram virgens e me dão total apoio. Meus amigos chegados e meus familiares mais próximos também demonstram agrado com minha decisão. É difícil, sim, pois nosso corpo foi projetado para o sexo. Somos estimulados quase todo o tempo, seja por fatores externos ou internos, e reagimos instintivamente a eles. Conter esses impulsos requer uma escolha ciente do que significa esperar o tempo certo e o que isso implica. É uma renúncia e toda renúncia dói. Não é fácil abrir mão de algo que é natural. Meus pais me ensinaram a não me preocupar com as críticas. E quando se é cristão, aprende-se a encarar essas situações com muito amor e tranquilidade. Depois de conversar comigo e ouvir meus motivos, a maioria das pessoas que tinha uma ideia negativa da minha escolha acaba por me elogiar e incentivar a não desistir dela. Vou esperar.”

Carla Duarte, 29, secretária executiva, do Rio de Janeiro

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imagem: Arquivo Pessoal
“Quando conheci o EEE, fazia dois anos que tinha terminado um namoro de cinco e estava decidida a não sofrer mais nessa área. E aí entendi que esperar em Deus era a melhor opção para não me frustrar e não acumular mais feridas. Estou namorando há seis meses com um amigo que conheço há oito anos e que me pediu em casamento, dizendo que há muito tempo admirava a minha postura de vida, mas não tinha coragem de se declarar. Resolvi dar uma chance e estamos muito felizes. Pretendo voltar a fazer sexo só depois de casar. A relação sexual no casamento deve ser um complemento, e não o alicerce que sustenta a relação. Não existe a possibilidade de ser ruim porque já existe o amor sólido e maduro, então, é óbvio que o sexo será prazeroso. No começo, amigos e familiares não me apoiaram muito por não entender o propósito da minha escolha. Com os valores distorcidos do mundo de hoje, em que adolescentes fazem sexo sem compromisso o tempo todo, as pessoas acham estranho você querer esperar até o casamento para transar. Com o tempo, passaram a entender e a respeitar. É claro que é difícil manter a abstinência porque tive experiências sexuais no relacionamento anterior. Quando meu corpo é ativado com um beijo, por exemplo, meu sistema nervoso entende que vai ter sexo, porque é como a relação sexual começa. Para evitar esses ‘alarmes falsos’, evito beijo de língua e algumas carícias no meu namoro. O meu namorado está disposto a esperar até o casamento comigo.”

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