Comportamento

A preocupação te consome? Calma, você não está sozinho

Oliver Munday/The New York Times
Duas a cada cinco pessoas nos Estados Unidos dizem que se preocupam todo dia imagem: Oliver Munday/The New York Times

Roni Caryn Rabin

The New York Times


Sou uma pessoa preocupada. Prazos, meus filhos, todo o tempo que eles gastam on-line --qualquer coisa em que você pensar estará na minha lista de preocupações. Chego a me preocupar quando não estou preocupada. Do que estou me esquecendo de me preocupar?

Acontece que não estou sozinha. Duas a cada cinco pessoas nos Estados Unidos dizem que se preocupam todo dia, segundo estudo divulgado pela Liberty Mutual Insurance, empresa de seguros. Entre os achados no "Relatório Preocupe-se Menos" destacam-se: a geração do milênio preocupa-se com dinheiro; solteiros se preocupam com habitação (e dinheiro); mulheres geralmente se preocupam mais do que os homens e, normalmente, sobre relações interpessoais. A boa notícia: todos se preocupam menos à medida que envelhecem.

"As pessoas têm uma relação de amor e ódio com a preocupação. Em alguma medida, elas pensam que isso as ajuda", disse Michelle Newman, professora de psicologia e psiquiatria da Universidade Estadual da Pensilvânia, que não participou da redação do relatório.

A crença de que se preocupar ajuda a prevenir coisas ruins é muito mais comum do que se pensa. Pesquisadores dizem que a noção é reforçada pelo fato de que costumamos nos preocupar com eventos raros, como uma queda de avião, e ficamos tranquilizados quando nada ocorre, mas nos preocupamos menos com eventos comuns, como acidentes automobilísticos.

Mas isso não significa que se preocupar seja fútil. "Certo nível de preocupação faz bem. É o que nós chamamos de preocupação produtiva ou instrutiva que pode nos ajudar a tomar medidas para resolver um problema", disse Simon A. Rego, autor do novo relatório e psicólogo especializado em comportamento cognitivo que trabalha com distúrbios de ansiedade e analisou décadas de pesquisas sobre preocupação para o estudo.

Um estudo publicado em 2002 recrutou 57 jovens adultos e lhes pediu para listar suas preocupações em um diário durante sete dias e classificar cada episódio.

Quando os pesquisadores analisaram os resultados, determinaram que quase 20% das preocupações envolviam a antecipação de um futuro resultado negativo, mas quase metade de todas as apreensões documentadas refletia um processo de resolução de problema. Embora isso possa ser construtivo, pessoas que se preocupavam muito e não conseguiam controlar a inquietação apresentavam menor probabilidade de achar uma solução para seu problema. Os pesquisadores Marianna Szabo, agora na Universidade de Sydney, e Peter F. Lovibond, da Universidade de Nova Gales do Sul, Austrália, concluíram que não conseguir pensar em uma solução pode realmente levar a mais preocupação patológica.

Em 2007, os mesmos pesquisadores tentaram correlacionar aspectos da inquietação com componentes específicos da resolução de problemas, tais como defini-lo, coletar informação, gerar soluções, avaliar e escolher uma solução. Novamente, eles concluíram que quase metade do conteúdo cognitivo dos episódios de preocupação incluíam tentativas de resolver um problema. Assim que as pessoas chegam a uma solução, param de se inquietar um terço das vezes, mas aqueles que consideram difícil parar de se preocupar são os que não se satisfazem com a solução que imaginaram.

"As pessoas terminam presas na preocupação em si. Ela torna-se tão habitual, que eu a chamo de 'um processo em busca de conteúdo'" disse Michelle.

Esse tipo de preocupação pode fugir ao controle. "Pessoas que se preocupam em excesso têm muitas áreas que incomodam, e se algo desencadear uma apreensão em uma delas, esta pode se infiltrar nas outras áreas e coisas podem se alternar como incêndios descontrolados --depois que um começa, pode botar fogo em outras coisas também", afirmou Rego.

A preocupação, um processo cognitivo, não deve ser confundida com ansiedade, que geralmente se refere a um estado emocional de mal-estar que também inclui a primeira. Enquanto 38% das pessoas se preocupam todos os dias, a maioria delas não tem ansiedade. O transtorno da ansiedade generalizada, cuja característica principal é a preocupação excessiva e descontrolada, afeta somente de 2% a 5% da população.

O relatório observou que as principais preocupações das pessoas com idades entre 25 e 44 são a vida financeira e a habitação. Diretores da Liberty Mutual Insurance encomendaram o estudo para compreender melhor como os norte-americanos podem "romper o ciclo da preocupação", já que o setor de seguros foi criado para "auxiliar as pessoas a se aborrecer menos", declarou Margaret Dillon, vice-presidente da empresa e diretora de relações com o cliente nos Estados Unidos.

Se você estiver preocupado com sua preocupação, o relatório sugere estratégias para enfrentar o problema, tais como:

Dividir para conquistar

Tente bolar uma solução para um problema preocupante dividindo-o em quatro partes: definir a questão, esclarecer suas metas, gerar soluções e experimentar as soluções. O relatório aconselha pegar papel e caneta e anotar as ideias que surgirem. Estudos demonstraram que essa abordagem pode ajudar a reduzir a depressão e a ansiedade.

Pratique a atenção plena

Escolha uma atividade de rotina ou uma parte do dia e tente vivenciá-la completamente. Deixe os temores de lado e tente "viver o momento".

Programe uma sessão de preocupação

Escolha um horário determinado do dia para ruminar seus problemas. Se uma preocupação entrar na sua mente fora da sessão programada, ignore-a para poder pensar nela durante a hora marcada para isso. Depois, volte para o seu dia.

Tente aceitar a incerteza

Perceba seus pensamentos e classifique-os (como "esse é o pensamento com o qual não consigo lidar"). Livre-se da tensão corporal, desfranza a testa, relaxe os ombros e as mãos.

Topo