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Casais que moram em casas separadas contam prós e contras da decisão

Do UOL, em São Paulo

Diz o ditado que quem casa quer casa, mas e quando quem casa quer —ou precisa de— duas casas? A situação, embora ainda não seja convencional, pode ser a receita de felicidade conjugal para algumas relações.

“O modelo é geralmente mais aceito por pessoas que estão no segundo ou terceiro casamento. Elas têm menos expectativas por conta das experiências anteriores. Trocam quantidade por qualidade”, diz Mauro Hegenberg, médico, psicanalista e professor do Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo.

A seguir, três exemplos bem-sucedidos de casais que vivem em casas separadas.

Livia Maria Teixeira e Marcelo Costa Lima

Arquivo Pessoal
imagem: Arquivo Pessoal

“Fizemos o caminho contrário: moramos juntos em São Paulo durante o namoro e passamos a viver separados assim que nos casamos, em fevereiro de 2014. A decisão foi conjunta, motivada por uma oportunidade de trabalho que surgiu para o Marcelo. Enquanto ainda planejávamos o casamento, a ideia era morar em Rio Claro (SP), cidade onde nasci e cresci. Compramos uma casa lá e marcamos a cerimônia. Daí surgiu a oportunidade de abrir uma cervejaria em Campinas (SP), que foi inaugurada praticamente na mesma data do nosso casamento. Então, decidimos morar em cidades diferentes, para não abrir mão do negócio. Desde então, nós nos vemos todos os finais de semana em Rio Claro, onde fica o nosso lar 'oficial'. Está sendo uma experiência gostosa. Não ter ninguém para reclamar que a pia está cheia de louça ou querendo descontar o estresse de um dia difícil no trabalho em você é sempre bom. A convivência intensa, dentro de uma casa, no geral, é bastante desgastante. A meu ver, não morar junto ajuda a manter o casamento mais leve, sem crises. Nos fins de semana, quando nos vemos, é só alegria. Por outro lado, também existem momentos de tédio e carência, quando tudo o que a gente quer é virar para o lado e conversar. Além disso, temos o dobro de gastos e de trabalhos domésticos, que poderíamos otimizar morando juntos.”

Rita de Cássia Gargantini e Mauro César de Campos

Arquivo Pessoal
imagem: Arquivo Pessoal

“Estamos juntos há oito anos, sempre morando na mesma cidade, em Americana (SP), porém em bairros distantes. Ambos temos dois filhos de outros casamentos, em idades muito diferentes, que vão dos 12 aos 26 anos. E achamos que juntar todo mundo na mesma casa não ia dar certo. Em feriados, finais de semana e festas, como Páscoa e Natal, é praxe passarmos juntos. No início, parecia que seria terrível, mas é maravilhoso. Todos se dão bem, brincam, dão risada e curtem muito. Mas realmente não podemos falar em morar sob o mesmo teto, porque aí ninguém quer. Estamos nos organizando para comprar uma chácara onde possamos conviver em harmonia aos finais de semana. Mas, na segunda-feira, a ideia é que cada um siga para a sua casa. Como dormimos separados a maior parte das vezes, isso faz com que ainda tenhamos fôlego para conhecer hotéis e motéis aos finais de semana, sempre como eternos namorados. Às vezes, também dormimos um na casa do outro. Cada um paga as suas contas, mas o Mauro faz feira todos os domingos e abastece a geladeira das duas casas. Problemas? Temos muitos, mas, quando o calo aperta, cada um vai para o seu canto. Na nossa opinião, a grande vantagem de morar separado é poder conduzir a educação dos filhos de outros casamentos de forma independente e sem interferências. Por outro lado, confesso que sofremos mais de saudade e com vontade de estar bem juntinho, especialmente nos dias mais frios.”

Francisca Luiza Reis da Costa e José Manuel da Costa

Arquivo Pessoal
imagem: Arquivo Pessoal

“Somos casados há dez anos e há quatro decidimos virar vizinhos. Moramos no mesmo bairro em São Paulo, mas em prédios diferentes. Quando casamos, o José Manuel já tinha dois filhos, a Mariana, na época com oito anos, e o Rodrigo, com dois. Seis anos depois, engravidei e, por conta das mudanças hormonais que acontecem nessa época, fiquei mais impaciente. A convivência entre todos se tornou muito difícil. Decidimos que era melhor eu ter o meu próprio espaço. Assim, alugamos um apartamento no prédio vizinho e eu me mudei para lá. Meu marido levou um tempinho até se acostumar com a ideia, mas tudo se ajeitou. Hoje, é ele quem pega o nosso filho, Arthur, 4, na escola e fica com ele à noite, pois geralmente trabalho até bem tarde. Não temos planos imediatos de voltar a morar juntos, mas a questão financeira é bem complicada. Os gastos são dobrados e isso acaba limitando um pouco nossos planos, pois não podemos investir esse dinheiro de outra forma. Mesmo assim, passeamos e viajamos sempre e estamos sempre muito unidos.”
 

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