Equilíbrio

Mulheres que enfrentaram o câncer contam como a doença afetou a vaidade

Do UOL, em São Paulo

O tratamento contra o câncer de mama tem uma série de efeitos colaterais. A seguir, seis mulheres contam como lidaram com a vaidade ao travarem uma batalha com a doença.

Denise Aguila, 38, bancária

Arquivo Pessoal
imagem: Arquivo Pessoal

“Lidar com o tratamento do câncer e suas consequências é muito difícil. Descobri a doença na mama em 2011, quando meu cabelo batia na cintura. E, de repente, eu me vi careca. Eu me achava horrível! O tratamento também me engordou e as unhas ficaram com coloração e aspecto bem diferentes. Para mim, foi mais difícil perder o cabelo do que o seio. Porque a ausência dele dá para disfarçar, mas o cabelo entrega para todo mundo que você está doente. É a exteriorização da doença para o mundo. Ainda que o meu marido tenha sido muito parceiro no processo, até a relação sexual foi afetada. Ele se esforçava para me deixar à vontade, como se nada tivesse mudado, mas sentia vergonha dele. Só passei a me sentir bonita novamente quando meus fios voltaram a crescer.” 
 

Mávia Karoline Bezerra, 32, bacharel em direito

Arquivo Pessoal
imagem: Arquivo Pessoal

“Tive de tirar a mama esquerda, perdi os cabelos e engordei 11 quilos por conta dos corticoides do tratamento. Eu me senti horrível, mas tive muito apoio do meu marido, que me dizia o tempo todo o quanto estava linda. Ele nunca demonstrou vergonha de sair comigo. Durante o tratamento, continuamos indo a shows, viagens e reuniões de trabalho. Por sorte, minha relação sexual não foi afetada, porque continuei com a minha libido no topo. Voltei a malhar um mês após o término da quimio e, em um único mês, eliminei todo o peso que adquiri.”
 

Priscila Nascimento da Silva, 29, designer de interiores

Arquivo Pessoal
imagem: Arquivo Pessoal

“Nos primeiros dias após raspar a cabeça, aderi ao lenço, mas eu não me sentia à vontade. Uma vez, chorei antes de sair de casa: me produzi, coloquei um vestido, me maquiei, mas quando amarrei o lenço, não fiquei satisfeita. Foi meu marido quem, com todo amor e carinho, disse que não íamos deixar de passear porque eu estava sem cabelo e reforçou que continuava bonita. Naquele momento, fiquei mais forte. Dois meses depois, com o incentivo de uma amiga, deixei os lenços de lado e assumi minha carequinha. Passei a me sentir mais autêntica. Meu corpo se manteve em forma porque, antes da doença, já praticava exercícios físicos. Hoje, ainda em tratamento, mantenho minha rotina na academia e também faço acompanhamento alimentar com uma nutricionista.” 
 

Sandra Aparecida Marques, 42, comerciante

“Contornei as consequências do tratamento vibrando com cada conquista. Comemorava ao conseguir voltar a ingerir certos alimentos e também ao retornar às minhas atividades. A doença me levou a comer melhor, passei a cuidar mais de mim. Eu me arrumava para ir às minhas sessões de quimioterapia: saía de salto alto e maquiada. Chegando lá, eu e as outras mulheres tirávamos fotos juntas, afinal, somos todas normais e lindas. Não é o câncer que tiraria de nós a alegria de nos arrumarmos.”
 

Vanessa Cristina Costa dos Santos Sá, 39, professora

Arquivo Pessoal
imagem: Arquivo Pessoal

“O mais complicado no tratamento de câncer é a mulher aceitar tudo o que vai acontecer com ela: perder os cabelos, cílios, sobrancelhas, ficar com as unhas fracas e a pele sem brilho. Para piorar, engordei 20 quilos porque entrei na menopausa aos 36 anos e não pude fazer reposição hormonal. Mas, aos poucos, com a ajuda de outras pessoas, fui encontrando soluções para o que me incomodava. Minhas sobrancelhas, por exemplo, passei a desenhar. E como não me adaptei às perucas, aprendi a fazer várias amarrações com lenços. Também abusava de hidratantes, maquiagens e acessórios. Tudo para me sentir melhor.”
 

Verônica Carloto Ararujo Braghetto, 27, assistente jurídico 

Arquivo Pessoal
imagem: Arquivo Pessoal

“Eu era uma jovem muito bonita. Após o tratamento e a mastectomia radical, passei a me ver muito diferente esteticamente. Alguns quilos a mais, mutilada e de cabelo curto. Para minha autoestima melhorar, aprendi a usar maquiagem e lenços, que me deixavam mais bonita e eram também uma forma de brincar com tudo isso. A indisposição causada pela quimioterapia e o ressecamento das mucosas fez também com que eu e meu marido diminuíssemos a frequência de nossas relações sexuais --o mal-estar não ajudava e ele sempre foi muito cuidadoso comigo. Aos poucos, conseguimos contornar o problema. Usava uma pomada lubrificante e, com muitas conversas a dois, estabelecemos limites da relação que foram de suma importância para continuarmos unidos, ainda que a doença tenha sido diagnosticada na semana em que completamos um ano de casados.”
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