Sexo

Altura influencia quantidade de parceiras sexuais para homens

Arquivo Pessoal
Apesar do 1,89 m, Ricardo Santos da Silva diz que não basta só o tamanho para se dar bem com as mulheres imagem: Arquivo Pessoal

Yannik D´Elboux

Colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro

“Qual é a sua altura?” é uma das perguntas frequentes que Ricardo Santos da Silva, 39, técnico de ar-condicionado do Rio de Janeiro, costuma responder nos aplicativos de paquera. Para ele, ter 1,89 m contribui para despertar o interesse feminino. “Ajuda, mas não é o diferencial na conquista”, fala.

Com uma frequência sexual elevada ao longo da vida, contabilizando cerca de 300 parceiras pelas suas contas, Ricardo Silva diz acreditar que só ser grande não basta. “É apenas um primeiro critério de seleção, tem de ser agradável, ter pegada, para ela sentir vontade de transar.”

O que Ricardo percebeu empiricamente, a ciência já comprovou. Em um estudo com 60 mil participantes heterossexuais, conduzido por pesquisadores da Universidade Chapman, na Califórnia (EUA), em 2015, aqueles com estatura média a alta (1,72 m a 1,94 m) relataram ter tido cerca de 12 parceiras sexuais, enquanto os muito baixos (1,57 m a 1,64 m) não passaram de nove.

A razão da atratividade das mulheres pela altura masculina pode ser explicada pela psicologia evolutiva. O tamanho dos machos na natureza é um fator de destaque, já que se relaciona com a capacidade de proteção e melhores condições de saúde, portanto, maior chance de reprodução.

“Homens relativamente altos são vistos como mais dominantes, com maior probabilidade de terem recursos e serem melhores lutadores”, diz David Frederick, professor na Universidade Chapman e um dos autores do estudo.

Segundo Frederick, em pesquisas realizadas com diferentes culturas, essa predileção feminina se repete. “A maioria das mulheres prefere uma relação em que elas são menores do que os parceiros.”

Isoladamente, a altura como critério de escolha sexual e amorosa parece um aspecto superficial demais. Contudo, de forma consciente ou inconsciente, fatores biológicos e culturais interferem no processo de julgamento e na tomada de decisões.

“Não significa que somos escravos das nossas propensões ancestrais, as quais apenas nos sugerem uma rota de escolhas, que historicamente levaram a um maior sucesso reprodutivo”, explica o biólogo Marco Varella, especialista em psicologia evolucionista, com ênfase em seleção sexual.

Vantagem nos aplicativos

David Frederick diz acreditar que as mulheres estão bem conscientes de suas preferências em relação à altura, informação que fica clara nos aplicativos de paquera. “Elas tendem a indicar e preferir homens que são pelo menos de 12 cm a 15 cm mais altos do que elas.”

Já para relações a longo prazo, a característica não é tudo. O professor da Universidade Chapman ressalta que a estatura nem entra nos aspectos mais importantes considerados pelas mulheres.

Contudo, no sexo casual, a aparência conta mais para as mulheres do que para os homens. Em uma pesquisa realizada por Frederick com perfis on-line de paquera, em 2010, os homens demonstraram estar mais abertos a sair com mulheres maiores do que eles do que elas estavam dispostas a encontrar parceiros menores.

Para Altay Lino de Souza, pesquisador do Departamento de Psicobiologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), a altura é apenas mais um dos componentes no processo de escolha, que ganha mais peso quando os atributos físicos falam mais alto, como em um relacionamento de curto prazo ou durante as primeiras impressões.

“Não quer dizer que, a cada vez que você encontra a tal pessoa escolhida, seu processo decisório não seja realimentado por novas informações, que vêm com contatos subsequentes”, diz Souza.

Variações individuais

“Já cansei de tomar fora de mulher alta”, diz Vicente Cardone, 34, guia de turismo no Rio de Janeiro. Com 1,68 m, nunca teve uma namorada maior do que ele. Cardone diz acreditar que os baixinhos precisam compensar no carisma para ganhar na sedução.

O guia nunca sentiu demais o peso da altura porque, em geral, as mulheres por aqui não são muito altas. Entretanto, nota que existe uma valorização exagerada dessa característica.

“Em uma sociedade superficial, tudo relacionado à beleza influencia mais do que as qualidades”, afirma Cardone, que é casado com uma mulher um pouco mais baixa do que ele.

Apesar de ser um critério comum na atratividade, a estatura não é valorizada da mesma forma por todos. “Não é porque alguns utilizam a altura como atributo para avaliar seu interesse no outro, mesmo sem perceber, que todas as pessoas vão usar esse atributo necessariamente”, declara Altay Souza.

Na preferência masculina, a altura feminina não é prevalente, pelo contrário. “Alguns podem se sentir intimidados por mulheres mais altas, tanto pelo impacto que indivíduos altos provocam como por intuir que, assim que ela achar alguém à altura, literalmente, será deixado”, fala Marco Varella.

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