Sexo

Meditar com o corpo amarrado é fetiche que promete mais intimidade na cama

Didi Cunha/Arte UOL
A técnica pede que a pessoa fique amarrada durante 15 minutos, tempo suficiente para relaxar a mente imagem: Didi Cunha/Arte UOL

Do UOL, em São Paulo

Bondage é um termo familiar para quem conhece as técnicas de dominação e submissão que compõem o universo BDSM (a sigla para bondage, disciplina, sadismo e masoquismo). Trata-se de um fetiche sexual em que uma das pessoas da relação é imobilizada, com cordas, algemas, tornozeleiras ou mesmo filme de PVC. É uma prática que por si só não envolve dor ou prazer, apenas uma delimitação de papéis –na situação, fica bem claro quem é o dominador e quem é o dominado. A novidade é combinar essa técnica com a meditação. O chamado Bondage Meditativo foi pensado para unir sexo e espiritualidade.

“A proposta é estabelecer uma conexão profunda com o outro, em um nível espiritual. Alinhar corpo e mente é importante para aumentar a intimidade e também para ajustar a energia do casal”, declara o educador sexual Orpheus Black, da Califórnia, que dá aulas da modalidade.

Na prática, funciona assim: uma das pessoas é amarrada pela outra, de maneira suave, sem violência. O usual é estar seminu nesse momento. A ideia é que o amarrado sinta como se estivesse sendo abraçado por um longo período de tempo. “Existe um conforto no confinamento. Afinal de contas, nós nos formamos confinados no útero materno. É algo que acalma”, diz Gladius Maximus, criador do blog “Diário de um Dominador BDSM".

A técnica pede que a pessoa fique amarrada durante 15 minutos, tempo suficiente para relaxar a mente, sem deixar as partes do corpo que estão presas dormentes. Quem amarra pode sussurrar mensagens positivas no ouvido da outra pessoa. Pode dizer algo como: “Você está seguro e bem cuidado”.

“O propósito de amarrar o corpo é libertar a mente. Com os movimentos restritos, fica mais fácil se render ao momento presente. E, quando isso acontece, há uma liberação de energia sexual. O corpo se torna hipersensível ao toque”, fala Black.

Durante o bondage meditativo não há relação sexual, mas a prática pode ser encarada como uma preliminar. Ao fim do período delimitado, quem está livre pode perguntar ao amarrado em que parte do corpo ele quer ser tocado.

“Quando a pessoa responder, o outro dirá: ‘Eu vou te tocar, mas no meu tempo’. Isso vai causar uma ansiedade, que aumenta a sensibilidade. Quando o toque vier, será muito mais intenso”, diz o educador sexual.

O que pensam os especialistas

Para a psicóloga Cris Borges, especializada em sexualidade humana pela USP (Universidade de São Paulo), meditar é uma forma de autoconhecimento e, quando realizada em ambiente íntimo, pode aumentar a sintonia entre o casal. “Meditar aumenta o bem-estar e isso pode facilitar a atividade sexual.”

“No BDSM, o principal órgão sexual é o cérebro. Tudo o que acontece nesse universo tem a ver com estados de percepção aguçados. Se o bondage funciona bem para o BDSM, deve funcionar também nessa forma meditativa e sem relação de poder, para quem quer apenas atingir níveis diferentes e mais profundos de prazer”, afirma Maximus.

Já o terapeuta especialista em tantra Anand Siddhen não acha que meditação e imobilização podem se complementar. “Meditação não é algo que implique em repressão de movimentos. Pelo contrário, é um exercício de total passividade e conforto. O objetivo é se sentir livre para observar os próprios pensamentos e sensações. A ideia de bondage meditativo me parece conflitante.”

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