Equilíbrio

Essas mulheres driblaram os desconfortos da menopausa para viver plenamente

Yannik D'Elboux

Colaboração para o UOL

A menopausa é um período marcante na vida das mulheres. Depois de uma fase de transição, chamada de climatério, chegam ao fim a menstruação e --gradualmente-- a produção dos hormônios femininos. Essa mudança tem impacto na saúde, no humor, na vida sexual, no sono e na forma como cada mulher se vê.

Apesar de ser um processo comum a todas, que acontece entre os 45 e 55 anos, cada uma lida de maneira diferente com a vida pós-menopausa e os calores do climatério. A seguir, mulheres que passaram por essa fase contam as principais dificuldades e o que muda depois da menopausa.

Arquivo Pessoal
imagem: Arquivo Pessoal
Damiana da Silva Conceição, 49, acompanhante de idosos

"Tive uma menopausa precoce, aos 42 anos, depois de uma cirurgia de retirada dos ovários e do útero. Não estava esperando, não foi aquele processo de a menopausa chegar devagar, a minha foi de repente. Em três meses, passei a sentir muito calor, de não aguentar. Não fiz reposição hormonal, mas agora já me acostumei. Não mudou nada na minha vida, continuo gostando de sair, de paquerar e ser paquerada. O meu desejo sexual é o mesmo. Tenho a cabeça muito jovem e continuou assim depois da menopausa."

Odete Gonçalvez Sculdelher Fernandez, 50, costureira e empresária

"Estou nesse processo há dois anos e está sendo muito ruim. Sofro com os calores intensos. Não posso fazer reposição hormonal, mas estou experimentando um tratamento paliativo. O cabelo e a pele perdem um pouco o brilho. É algo que mexe muito com a mulher. Fico mais cansada e irritada, tenho de me controlar mais para não perder a paciência. É sempre melhor ovular, a sensação de bem-estar é maior, mas são ciclos vividos e temos de trabalhar bem a cabeça para encontrar o equilíbrio."

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Eliana Allegretti, 56, relações públicas

"Algumas coisas mudaram radicalmente, como o humor, cujas oscilações ficaram mais marcantes. Não senti nenhum desconforto na vida sexual, sequer o desejo foi afetado. Acredito que a tranquilidade de não correr mais o risco de uma gravidez indesejada tenha sido fator determinante para melhorar a satisfação. Tive alguns desconfortos físicos, como dores nas articulações --principalmente joelhos e dedos das mãos-- e ressecamento das mucosas e da pele. A alteração no ciclo do sono foi a mudança mais significativa. Nunca mais dormi sem acordar várias vezes, o sono se tornou mais leve e menos reparador."

Silvia Regina Pedroso Cardoso, 50, professora

"Não me preparei muito para a chegada da menopausa, ou melhor, não a esperava. Só descobri quando percebi que minha menstruação começou a falhar e os calores insuportáveis começaram a aparecer. Esse período durou uns oito meses. Hoje me encontro na pós-menopausa e posso dizer que é muito bom viver despreocupada de tudo. Tenho uma filha criada e formada, trabalho no que gosto e tenho um relacionamento de 26 anos com uma pessoa que compreendeu essa fase. Acredito que há muitos mitos a respeito da menopausa, mas cabe a cada uma desmistificar esse momento, ou seja, vivenciá-lo da maneira mais natural possível."

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Eneida Moreira, 54, psicóloga

"Comecei a sentir as mudanças no meu corpo após os 45 anos. A primeira foi a dificuldade de enxergar de perto, depois uma certa flacidez da pele e, em seguida, o aparecimento de cabelos mais brancos. Na sequência, vieram os calores do climatério, que foi a pior alteração. Em relação à vida sexual, houve uma pequena queda da libido. Após os 50 anos, percebo uma mudança mais acelerada em todo o corpo. Em contrapartida, por estar aposentada e morando em uma cidade de interior, minha condição de saúde melhorou bastante. Considero fundamental esse tempo para relaxar e descansar, possibilitando uma grande oportunidade de reflexão sobre a minha vida e uma aceitação mais madura e feliz do envelhecimento."

Stella Maris Anastasio, 65, professora

"O processo foi o mais normal possível. Não tive nenhum sintoma ou qualquer outra coisa fora da normalidade. Não cheguei a fazer reposição hormonal. Acredito que o fato de ter me preparado psicologicamente para todas as etapas da vida me ajudou. O cuidado que tomo é fazer acompanhamentos de rotina, com exames e consultas médicas regulares, para que minha saúde esteja sempre bem. Além disso, sempre faço hidratação da pele com cremes, pois percebi que ficou mais seca do que o normal, provavelmente devido à perda de colágeno e  às variações hormonais."

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Maria Aparecida Soliman, 59, representante comercial

"Realmente, algumas coisas mudaram depois da menopausa. Meu maior receio eram os famosos calores e engordar. Sofri bastante com os calores, insônia, mal humor e irritabilidade. Passei a fazer dieta e sofrer para perder um quilo. E lógico que afetou a minha vida sexual. Meu marido demorou um pouco para entender essa minha nova fase, até buscar informações e ver que a chatice da mulher  dele tinha uma causa: a temida menopausa. Não faço reposição hormonal, tentei várias, mas todas me fizeram mal. Aprendi a conviver com a menopausa, continuo a jogar as cobertas para o lado todas as noites, mas procuro me cuidar e me amar."

Carmen Brigida Negrão, 59, gestora cultural

"O que mudou após a menopausa foi que meu corpo passou a responder de forma diferente a variadas situações de saúde, passei a cuidar mais da minha alimentação e ter atenção com o uso da minha energia. A vida sexual ficou mais calma e priorizo mais a qualidade da relação. Eu e meu parceiro fomos nos adaptando à nova fase. A intimidade nesse momento é boa e transforma a relação, consolidando o afeto e a aceitação das mudanças. Acho que o resultado é uma relação mais gostosa e madura."

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Cristiana Garcia Escatulin, 52, vendedora de cursos e palestras

"Estou em uma fase maravilhosa da minha vida, principalmente profissional, com novos desafios começando. Sempre que falava com meu marido sobre a menopausa, dizia que ia ser diferente. E foi mesmo. Aliás, sou filha da menopausa, minha mãe ficou grávida no climatério. Em relação ao sexo, sempre gostei e não senti diferença, apenas fazemos menos. Percebi também que ganhei peso. Vou sempre ao ginecologista e não faço uso de medicação [para reposição hormonal]. Quando comecei a parar de menstruar, fiquei meio tristinha, pensava se estava ficando velha. Mas comecei a ler sobre o assunto, conversar com minha médica e fui preparando a minha mente para as mudanças. Procuro tirar o foco, leio assuntos interessantes,  saio para me divertir, tenho filhos, família, amigos, passeios, cursos e muito para me ocupar."

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