Relacionamento

Redes sociais unem homens ricos a mulheres que querem "patrocínio"

Maina Ray/Divulgação
Jeane Marie, que vê seu "sugar daddy" uma vez por mês e tem suas contas pagas por ele imagem: Maina Ray/Divulgação

Yannik D'Elboux

Colaboração para o UOL

“Qualquer coisa que preciso já tenho no dia seguinte”, conta Kelly Lima, 18, estudante brasileira de enfermagem, a respeito do namorado de 50 anos. Às vezes até antes: ela ganhou um celular dele horas depois de postar no Facebook que o seu aparelho havia quebrado. Kelly vive uma relação estilo “sugar”, ou seja, em que um homem maduro bem-sucedido, chamado de “sugar daddy”, paga suas contas, inclusive a mensalidade da faculdade, em troca de sua disponibilidade e companhia.

As moças que buscam esse tipo de relacionamento são denominadas “sugar babies”. A palavra “sugar”, açúcar em inglês, serve para explicar que nessa forma de arranjo é preciso mimar as mulheres. Casos assim sempre existiram, a novidade é falar abertamente sobre isso e o surgimento de redes sociais para facilitar os encontros.

O conceito foi importado dos Estados Unidos, onde o principal site, o “Seeking Arrangement”, com versão também em português, funciona há dez anos.

Para a cantora e compositora americana Jeane Marie, 25, uma das cadastradas do “Seeking”, ter um “sugar daddy” representa a possibilidade de levar uma vida melhor. “Achei estranho no início, mas depois percebi que ser jovem, inteligente e bonita são características úteis no mercado e resolvi capitalizá-las”, fala a garota, que namora um homem na faixa dos 30, preocupado em suprir suas necessidades.

Deixar as expectativas explícitas é a base do relacionamento “sugar”. Quando se inscrevem no site “Meu Patrocínio”, primeira rede brasileira a oferecer esse serviço, as “babies” preenchem um formulário com detalhes do estilo de vida que procuram, inclusive com informações do que esperam receber do namorado, como viagens, presentes e mesadas para bancar as despesas.

“O site serve para unir com honestidade e transparência homens ricos a mulheres bonitas e ambiciosas”, afirma a norte-americana Jennifer Lobo, filha de brasileiros, fundadora do “Meu Patrocínio”.

Para Jennifer, o serviço não tem nada a ver com prostituição, que ela considera uma simples troca de sexo por dinheiro. “É um relacionamento com benefícios mútuos e não aprovamos perfis de prostitutas no nosso site.”

Maioria jovem e bonita

Em funcionamento desde o início do ano, o “Meu Patrocínio” tem 41 mil mulheres cadastradas e 10 mil homens interessados em ser um “sugar daddy”, segundo Jennifer Lobo.

Enquanto a inscrição para as “babies” é gratuita, os “daddies” devem desembolsar R$ 199 ou R$ 999 (o valor varia de acordo com benefícios oferecidos, como checagem de antecedentes criminais) por mês para manterem seu perfil no ar.

Na versão brasileira do “Seeking Arrangement”, a proporção também é desigual, com mais de 23 mil mulheres para 5.000 homens. Nos dois serviços, o cadastro de “mommies”, versão feminina do “sugar daddy”, segue irrelevante, com números ainda distantes da casa do milhar. 

Divulgação/Arquivo pessoal
Núbia Óliiver está acima da idade média das "babies", mas também busca um "sugar daddy" para melhorar seu estilo de vida imagem: Divulgação/Arquivo pessoal

A maioria das inscritas pertence à classe média e tem entre 21 e 27 anos. Porém, não é regra. A modelo Núbia Óliiver, 42, é uma das “babies” ativas do “Meu Patrocínio”.

Por acharem que o perfil de Núbia era falso, seu cadastro foi cancelado várias vezes até a modelo enviar a cópia da identidade. A confusão rendeu um convite para que ela se tornasse garota-propaganda do site brasileiro.

Núbia, que ainda não encontrou um “daddy” para chamar de seu, conta que todos os seus relacionamentos foram baseados no dinheiro. “Para mim em primeiro lugar está o lado financeiro, não acredito no amor embaixo da ponte, gosto de ser paparicada”, diz.

Apesar de trabalhar e de se julgar independente, Núbia busca um parceiro que proporcione um estilo de vida mais alto do que ela tem e não admite dividir contas. “Quero ganhar joias, conhecer novos lugares, coisas que não consigo prover para mim”, fala.

Para a modelo, descrente de paixões à primeira vista, o amor vem com o tempo e não precisa ser o início da relação. “Você ama quem cuida e zela por você”, fala.

O sentimento também não é prioridade para a estudante Kelly Lima, mas ela assegura que no seu relacionamento existe carinho e que aos poucos vai se formando um vínculo.

Para a jovem, o essencial nesse momento é ter alguém que possa apoiá-la enquanto busca seus objetivos. “Sou totalmente voltada à vida acadêmica, faço cursos, não dá para ter um trabalho fixo agora”, diz.

“Daddies” no controle

Os homens dispostos a adocicar a vida das “babies” não são muito velhos. A média de idade, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, gira em torno dos 40 e poucos anos. É o caso de Jairo Winck, 43, dono de uma empresa de marketing promocional em Porto Alegre. 

Divulgação/Arquivo pessoal
Jairo Winck, 43, conversou com mais de 140 mulheres e agora se relaciona com uma estudante de 25 anos imagem: Divulgação/Arquivo pessoal

Inscrito no site há poucos meses, ele conversou com mais de 140 mulheres. Para o empresário, o conceito de “sugar daddy” não é muito diferente do que ele vivia antes. “Sempre fui provedor, inclusive no meu casamento, pagava todas as despesas, faculdade, carro, salão de beleza, na prática já era assim”, conta.

Para Winck, a vantagem do serviço virtual é reunir muitas opções. Das centenas com quem trocou mensagens, conheceu seis pessoalmente. Continua se encontrando com uma dessas moças, de 25 anos, com quem cogita até morar junto se tudo seguir bem.

Para ele, a companhia agradável vale mais do que o sentimento. Idade e beleza também são critérios importantes. “Tentei me relacionar com mulheres da minha idade, mas elas geralmente trazem muitas frustrações, uma jovem não tem essa carga”, diz.

Topo