Relacionamento

Curiosidade excessiva por "ex" do par é maneira de sabotar a relação

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Algumas pessoas ficam tão obcecadas pelo passado amoroso do parceiro que não se fixam no relacionamento atual imagem: Getty Images

Heloísa Noronha

Colaboração para o UOL

É normal sentir curiosidade sobre quem e como era o ex-amor do par atual. As redes sociais facilitam muito a investigação e oferecem um vasto cardápio de informações detalhadas. Há quem se contente com uma vasculhada básica no Facebook e pronto. No entanto, existem pessoas cuja bisbilhotice se torna tão obsessiva e doentia que o relacionamento com o parceiro passa a correr risco.

Em alguns casos, nem mesmo o fato de a antiga relação ter acabado há muito tempo é motivo suficiente para sentir paz. Dia após dia, tempo e energia são gastos na leitura de posts da musa da adolescência do namorado ou analisando as fotos de viagens do ex-noivo da mulher.

Para o terapeuta familiar e de casal Luciano Passianotto, a ânsia em desvendar o passado amoroso do par pode envolver vários fatores. “Alguns exemplos são insegurança sobre o afeto recebido, baixa autoestima, sensação de inferioridade, curiosidade sobre os detalhes que minaram a relação e assim poder evitá-los, um receio irracional de que ainda haja algum sentimento... E nenhuma dessas razões é saudável para a relação”, afirma.

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Segundo a psicóloga Gisela Castanho, autora do livro “Psicodrama com Casais” (Editora Ágora), uma certa curiosidade é até adequada, pois é uma forma de conhecer melhor o par e suas escolhas ao longo da vida.

“Algumas pessoas ficam tão obcecadas pelo passado do parceiro que não se fixam no relacionamento atual, deixando de cuidar do presente, evitando viver as emoções e frustrações do romance”, afirma Gisela.

Triângulo amoroso de mentirinha

Segundo Maria de Melo, psicóloga formada pela USP (Universidade de São Paulo) e autora de “A Coragem de Crescer” (Editora Summus), a mente humana volta e meia arruma truques de sabotagem para camuflar o medo de amar.

“Um deles é ‘triangular’ uma relação para conseguir estar nela”, fala. Sentir ciúme, inveja ou raiva de uma terceira pessoa, ainda que ela faça parte do passado, funciona como uma espécie de escudo que protege contra a entrega amorosa verdadeira.

Para a psicóloga Alexandra Delfino de Souza, da SBPA (Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica), a autoestima daqueles que ficam fixados em um terceiro “componente” depende do olhar dos parceiros.

“Ao mesmo tempo que buscam se comparar com essa terceira pessoa, sentem medo de sair perdendo na avaliação”, conta. É um comportamento que demonstra imaturidade para viver uma relação plena a dois. Ainda de acordo com Alexandra, não é raro que essa pessoa “de fora” passe a ter papel de protagonista na história do casal, já que tudo é conversado, feito ou decidido em função de sua lembrança.

Quem se torna refém desse tipo de curiosidade costuma manter o hábito de formar as chamadas “situações triangulares” ao longo da vida, sabotando todos os relacionamentos.

“Por que estou fazendo isso?”, “O que quero de verdade?”, “Do que sinto medo?” e “O que preciso encarar?” são algumas questões pertinentes que quem deseja romper esse padrão de comportamento deve fazer a si mesmo.

É preciso reconhecer que vasculhar e invadir a privacidade de alguém não é garantia de amor e que vale a pena procurar as razões profundas dessa insegurança em vez de jogá-las sobre os ombros do par.

Na opinião de Ligia Baruch Figueiredo, mestre e doutoranda em psicologia pela PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo, outra dica é relativizar as coisas e deixar o passado no passado.

“A relação terminou porque não estava indo bem, seja de um lado ou de outro. E se você e o par estão juntos agora, é porque seu jeito de ser agradou. Evite se comparar a alguém ou imitar quem já se foi”, fala. Por último, deve-se descartar a idealização e tentar olhar o antigo amor de seu par como alguém com inseguranças e defeitos, como qualquer outra pessoa.

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