Gravidez e filhos

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Nem toda criança precisa aplicar flúor em consultório de dentista

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Dentistas devem avaliar a real necessidade de aplicar o flúor nas crianças imagem: Getty Images

Thamires Andrade

Do UOL

Segundo dados do Ministério da Saúde, mais de 53% das crianças com cinco anos já tiveram cárie. E, para reduzir esse índice, o flúor, presente na água e na pasta de dente, tem papel fundamental no dia a dia. No entanto, em alguns casos ele não é suficiente, o que faz com que os dentistas recomendem a aplicação de flúor no consultório.

A avaliação da necessidade de aplicação, seja ele em verniz, musse ou gel, cabe ao dentista, mas é importante lembrar que nem todas as crianças precisarão desse tipo de tratamento.

“Os principais aspectos que devem ser levados em conta na hora de decidir se a criança precisa ou não desse tipo de tratamento são se ela teve ou tem lesões de cárie; como está a atividade dessas lesões; se a higienização é eficiente e como é a dieta do paciente, se ele ingere muitos alimentos açucarados, por exemplo”, explica José Carlos Pettorossi Imparato, presidente da Abodontopediatria (Associação Brasileira de Odontopediatria).

Marco Antonio Manfredini, secretário do Crosp (Conselho Regional de Odontologia de São Paulo), afirma que, a partir dessa avaliação individual --que deve ser realizada anualmente--, o dentista traça um plano de utilização do flúor.

"A frequência de retorno ao consultório dentário deve ser uma vez a cada seis meses. Hoje em dia, se uma criança de 12 anos nunca teve cárie, dificilmente o dentista recomendará a aplicação de flúor no consultório. No entanto, tem criança de dois anos que precisa usar o verniz, pois o dente está careado”, diz Manfredini.

Segundo Imparato, as lesões de cárie só acontecem onde a placa bacteriana se forma e permanece por longos períodos de tempo. “Quando você escova os dentes do seu filho, remove os restos de alimentos [açúcares] e também desorganiza a placa bacteriana. O flúor é responsável pela diminuição da velocidade de progressão da lesão de cárie, o que ajuda bastante, pois sabemos que nem sempre a escovação é perfeita”, afirma o presidente da Abodontopediatria.

Além de prevenir o aparecimento de cáries, o secretário do Crosp afirma que as pessoas que têm contato com creme dental fluoretado tem menos placa bacteriana e doenças gengivais.

Prevenção

Como no Brasil a água de abastecimento público já é fluoretada, a complementação para evitar a cárie é o uso de um creme dental com flúor. De acordo com Imparato, o uso do produto deve acontecer a partir da erupção do primeiro dente do bebê, por volta dos seis meses de vida da criança.

"A recomendação é escovar ao menos duas vezes ao dia com uma pasta com flúor na concentração de 1.000 a 1.100 ppm [partículas por milhão]. Os pais devem ficar atentos na embalagem da pasta, pois algumas não têm flúor e outras têm baixa concentração, o que não é tão efetivo na prevenção de cáries", fala Imparato.

Manfredini diz ainda que não importa se a pasta é voltada para o público infantil ou não, pois os dois produtos têm a mesma concentração de flúor. A diferença é o sabor do creme dental infantil, que geralmente é mais agradável.

Outro cuidado importante é com a quantidade de creme dental usada pela criança. "A recomendação é usar um 'grão de arroz' de pasta a cada escovação, mas, como muitos pais têm dificuldade para traduzir essa medida, recomendamos que, em vez de colocar a pasta no sentido do comprimento das cerdas, pôr apenas transversalmente, pois isso reduz a quantidade de produto depositado na escova", diz Manfredini.

Como as crianças menores costumam ingerir muita pasta, é importante reduzir a quantidade colocada na escova para evitar a fluorose dentária --manchas geralmente esbranquiçadas e simétricas nos dentes. "Crianças de até cinco anos de idade ingerem um terço do creme dental. A lógica de que quanto mais flúor tiver, mais protegida a criança estará, é um equívoco", fala o secretário do Crosp.

Mas, segundo Imparato, se a quantidade de creme dental ofertada for pequena, conforme orientado, o rsico de desenvolver fluorose é mínimo. "A chance de desenvolver a fluorose pela associação da água e da escovação com pouca pasta também é mínima", diz. 

De acordo com Manfredini, quando a fluorose é leve, ela é praticamente imperceptível, no entanto, casos mais severos causam até a perda do esmalte dentário.