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14 frases que nenhuma grávida merece ouvir

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Certos comentários deixam as grávidas mais ansiosas e inseguras imagem: Orlando/UOL

Beatriz Vichessi

Colaboração para o UOL

 

Quando uma mulher está esperando bebê, ela é bombardeada por informações e opiniões de todos os lados: familiares, amigos, médicos, noticiário… Mas nem sempre o que ela escuta é verdade. Na tentativa de ajudá-la a cuidar melhor de si mesma e do bebê, muitas pessoas passam da conta e acabam invadindo a privacidade da gestante. Quando isso acontece, muitas mulheres ficam irritadas, confusas ou mesmo deprimidas. Dois obstetras e uma doula falam o que não é recomendável falar para as gestantes e explicam os motivos.

Consultoria: Priscila Cury, obstetra da maternidade Pro Matre Paulista, em São Paulo, Maíra Duarte, terapeuta ayurvédica e doula, de São Paulo, e Daniel Klotzel, ginecologista e obstetra do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. 

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    "Grávida tem de comer por dois"

    Cuidado ao recomendar que a gestante coma mais e mais, pois a alimentação dela deve ser o mais balanceada possível e sem exageros. O indicado é que ela se alimente a cada três horas e consuma proteínas, vitaminas, carboidratos , gorduras saudáveis e sais minerais, além de beber bastante água. Uma alimentação desregrada e com pratos fartos demais pode implicar no ganho excessivo de peso, que, por sua vez, prejudica a saúde da mãe e do bebê, além de complicar a vida da mulher depois do parto, que provavelmente terá dificuldades para emagrecer.

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    "Essa barriga parece que vai explodir"

    Adivinhar o tempo de gestação a olho é impossível. Esse tipo de comentário pode deixar a mulher triste, acreditando que está gorda demais, que ganhou peso muito rápido ou que pode estar com diabetes gestacional. Ela também pode ficar preocupada, achando que o bebê é grande demais e que será impossível ter parto normal (ainda que o tamanho da criança não seja um impeditivo). Além disso, a grávida também pode achar que a contagem das semanas gestacionais está errada e que, por isso, o bebê corre risco de passar do tempo de nascer.

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    "Sua barriga é tão pequena. Seu bebê está bem?"

    Além de não fazer sentido relacionar o tamanho da barriga com a saúde do bebê --somente exames médicos podem analisar o estado do feto--, cada gestação é única, e o tamanho da barriga varia muito de uma mulher para outra. É o médico, ao medir a altura uterina, que tem capacidade de dizer se o bebê está crescendo de acordo com a idade gestacional. No mais, uma criança pode nascer menor se comparada a outra, mas ainda assim, ambos serem saudáveis.

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    "Não faça força, não carregue peso!"

    Gestações normais não apresentam nenhum problema decorrente de esforço físico. As gestantes devem levar uma vida normal, sem cometer excessos evidentemente. A recomendação é que a grávida deixa a tarefa de lado se sentir dor ou desconforto muscular, para o bem-estar dela, já que o bebê está bem protegido no ventre. Esse tipo de comentário faz com que a grávida tenha suas ações cerceadas.

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    "Durma agora, pois depois será impossível"

    Poupar horas de sono antes do nascimento não é eficiente, pois o sono não é cumulativo. Por que então pressionar a futura mãe? No final da gestação, muitas não conseguem dormir direito, por falta de posição devido à barriga, pelas idas frequentes ao banheiro e pelas dores nas costas. Algumas também têm dificuldade para dormir por estarem ansiosas à espera do bebê. Falando a frase acima, você deixa a grávida mais estressada e anuncia que a vida dela será bem ruim depois que a criança nascer. Toda futura mãe sabe que terá uma maratona pela frente, pois um bebê exige muito tempo, dedicação e disposição, mas a vida com uma criança em casa ganha muitas alegrias.

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    "Curta o marido. Depois do nascimento, a relação vai por água abaixo"

    Até o relacionamento mais maduro passa por um turbilhão com as mudanças que acontecem por causa da chegada de um bebê. A rotina do casal muda drasticamente: horários, alimentação, lazer, quantidade e a qualidade de sono da mulher e do homem, ainda mais se ele for participativo com os cuidados diretos da criança, como dar banho, trocar fraldas etc. Mas, depois de um período de adaptação, o vínculo afetivo do casal tende a se fortalecer.

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    "Seu bebê já passou da hora de nascer, não?"

    O intervalo que um bebê pode nascer é relativamente grande: entre 37 e 42 semanas, sem contar que muitos nascem antes disso e, com os devidos cuidados, ganham peso, crescem e vivem muito bem. Ao falar a frase, você só aumenta a carga de ansiedade que atinge as mulheres nos últimos meses gestacionais. Quando questiona se o nascimento não vai passar da hora, parece que algo ruim pode acontecer à criança. Se a gestante está fazendo um bom pré-natal, o médico que acompanha saberá se é necessário fazer alguma intervenção para não prejudicar a saúde do bebê.

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    "Trabalhe até o último dia antes da licença-maternidade"

    De fato, gravidez não é doença, mas a mulher está em uma situação diferente, com alterações físicas e emocionais. É preciso deixar que a gestante cuide do seu tempo. Se ela sentir que vale a pena parar alguns dias antes --por estar muito ansiosa, com dores nas costas ou com sono--, deve fazer o que é melhor para si. Muitos médicos, inclusive, recomendam que a futura mãe diminua ou pare com parte das atividades diárias nas últimas semanas da gestação, para que entre mais em contato consigo mesma e com o bebê.

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    "Uma prima teve parto normal e o bebê nasceu com sequelas"

    As pessoas tendem a achar que a cesariana é a forma mais segura de nascer. Porém já é sabido cientificamente que essa cirurgia apresenta muitos riscos para mulher e o bebê, ainda mais quando é feita antes de a gestante entrar em trabalho de parto. Estudos também mostram que o parto normal bem assistido é uma forma segura de parir. A opção pelo tipo de parto é uma decisão da gestante. Quando uma grávida escuta esse tipo de comentário, além de sentir sua privacidade invadida, pode ficar acuada e ameaçada. Para quê contar uma história trágica para quem você gosta? É mais interessante incentivá-la a viver o momento com confiança e plenitude.

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    "Quero só ver, você, toda delicada, com um menino em casa"

    A decisão de gerar um menino ou uma menina não passa pelo crivo de ninguém. Muitas mulheres têm, sim, o desejo de ser mãe de menino ou de menina, mas, geralmente, quando engravidam, costumam ficar felizes independentemente do sexo. Com esse tipo de comentário, muitas mulheres acabam ficando preocupadas se conseguirão ou não dar conta do comportamento do filho.

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    "Não quer saber o sexo do bebê? Vou fazer uma simpatia e te conto"

    Muitas futuras mães preferem ficar na expectativa até a hora de o filho nascer. Pedem, inclusive, que o médico que realiza o ultrassom não fale nada sobre o sexo da criança, nem mesmo para o pai. Não vá você estragar a surpresa com uma brincadeira de adivinhação.

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    "Tem certeza de que não são gêmeos?"

    Certeza sobre isso as grávidas têm --salvo raros equívocos em exames-- logo quando realizam o primeiro ultrassom. Por isso, um comentário assim só pode significar que você está dizendo que a barriga da mulher está grande demais ou pior que ela está gorda. Portanto, evite constrangimentos.

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    "Sua barriga está baixa demais"

    Ao fim da gestação, é normal que a barriga comece a baixar um pouco, porque ocorre a insinuação da cabeça do bebê para se encaixar no ventre. Mas isso não significa que o nascimento está prestes a acontecer para todas. Há mulheres que entram em trabalho de parto com barriga alta. Esse tipo de comentário pode deixar a gestante ansiosa e prejudicar que ela entre em trabalho de parto. É possível também que a grávida fique preocupada, pensando que o bebê pode nascer a qualquer momento. Existem outros indícios mais significativos que podem ocorrer para anunciar a proximidade do nascimento, como o rompimento da bolsa e o início das contrações.

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    "Quem faz cesárea não estabelece uma conexão com o filho"

    Seja qual for a forma de parir, ela não impossibilita que a mãe estabeleça vínculo com a criança. Aliás, antes de falar uma coisa dessas, lembre-se de duas coisas. A primeira: mãe e filho mantêm contato direto, ininterrupto por noves meses, 24 horas por dia, tempo o bastante para estabelecer conexão. A segunda: se parir fosse prerrogativa para que a mãe estabelecesse vínculo com o filho, mães adotivas jamais conseguiriam fazê-lo, não é?

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