Infância

6 atitudes das crianças que reforçam a homofobia e que devem ser combatidas

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Quando as crianças manifestam comportamentos preconceituosos estão reproduzindo o que já ouviram imagem: Getty Images

Do UOL

Nunca é muito cedo para falar sobre preconceito e valorizar a diversidade. Essa é a opinião da psicóloga Marcela Pastana, doutoranda em educação escolar pela Unesp (Universidade Estadual de São Paulo) e integrante do Grupo de Estudos e Pesquisa em Sexualidade, Educação e Cultura da mesma universidade.

“Se a criança já demonstra atitudes de aversão aos homossexuais, é mais do que necessário conversar para combater a discriminação e promover o respeito a todas as pessoas”, diz a especialista.

Algumas atitudes dos filhos podem até parecer “coisa de criança”, mas acabam disseminando e reforçando o preconceito contra homossexuais, lésbicas, bissexuais e transexuais. Veja quais são elas.

  • Chamar o colega de "veadinho"

    Quando as crianças usam xingamentos desse tipo, com conotação sexual, estão reproduzindo o que ouviram, seja na rua, na turma de amigos, na internet ou mesmo em casa. "Nenhuma criança nasce preconceituosa. Muitas vezes, ela apenas segue o pensamento dominante, para ser aceita no grupo", diz a educadora Andrea Ramal, doutora em educação pela PUC (Pontifícia Universidade Católica) do Rio de Janeiro. Ao ouvirem o filho falar dessa maneira, os pais devem intervir e explicar que não se pode agredir os outros, com ações ou palavras. Além disso, vale perguntar como ele se sentiria se estivesse no lugar do colega. Também é fundamental não reproduzir esse comportamento. Caso contrário, os filhos vão imitá-lo.

  • Excluir um amigo da turma, porque "tem jeito de menina" ou "de menino"

    A situação é mais comum do que parece. Muitas crianças são excluídas dos times de educação física ou do trabalho em grupo por terem um comportamento diferente da maioria. A conversa, nesse caso, deve ter como objetivo orientar sobre a importância de conviver com a diferença. A criança deve saber que as pessoas não são iguais e que isso é bom e deve ser valorizado. ?O mundo é multicultural, plural e heterogêneo. As crianças precisam vê-lo dessa forma desde cedo?, diz a educadora.

  • Zoar a forma de uma menina ou menino se vestir, porque é fora do padrão

    Essa é uma boa oportunidade de falar que padrões, modelos e conceitos não podem se sobrepor a vontades individuais. Provoque a reflexão: se a criança quer se vestir daquela forma, qual é o problema? Quem falou que menino não pode usar brinco ou pulseira? E que menina não deve usar boné? Dá até para inserir na conversa algumas curiosidades. Citar os escoceses, por exemplo, que usam kilt -- um tipo de saia masculina. A moda e a ideia de normal ou estranho vão depender muito do local e da época e é isso que a criança precisa entender.

  • Ridicularizar um menino que dança ou uma menina que joga futebol

    Para a educadora Jamile Magrin Goulart Coelho, a criança lida com as diferenças de forma mais leve do que os adultos, desde que não seja estimulada a fazer o contrário. "Geralmente, esses comportamentos são gerados por insegurança diante de uma situação nova", diz. Cabe aos pais tranquilizarem os filhos sobre as diferenças, valorizarem o pluralismo e dizerem que eles também podem se divertir da maneira que acharem melhor.

  • Dizer que o colega é sensível demais

    Na infância, muitos meninos ainda são estimulados a fazerem brincadeiras agressivas, por isso criticar um garoto sensível é usual, mas a atitude deve ser coibida. Vale a pena explicar que meninos e meninas têm sentimentos e podem chorar se sentirem vontade. Isso não tem nada a ver com o gênero, mas com o fato de sermos humanos.

  • Criticar menina que brinca de carrinho ou menino que brinca de boneca

    Brinquedos não têm gênero. As crianças devem ser estimuladas a se divertirem com tudo o que elas quiserem, independentemente de cor ou forma. Elas só agirão com preconceito em relação a algum brinquedo se forem ensinadas dessa forma. "Uma vez, estava em uma escola de educação infantil, quando vi um menino de quatro anos mexendo na caixa de brinquedos. Quando viu um urso rosa, atirou o brinquedo no chão dizendo: 'Que urso gay!'. Em seguida, eu me aproximei e perguntei para ele o que gay significava. Ele não soube responder", conta a psicóloga Marcela Pastana.

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