Gravidez e filhos

Contar ou não? Psicólogas dizem quando é melhor ser sincero com as crianças

Getty Images
A ideia de poupar o filho contando uma mentira pode ser desastrosa imagem: Getty Images

Melissa Diniz

Do UOL, em São Paulo

Pais de crianças pequenas, muitas vezes, se veem em uma posição difícil diante de perguntas difíceis feitas pelos filhos ou mesmo frente a problemas da vida capazes de gerar sofrimento. Será melhor contar a verdade sempre ou é mais saudável poupá-los da dor?

A analista junguiana Hellen Mourão, psicoterapeuta de adultos, adolescentes e crianças, e a psicóloga infantil Daniella Freixo de Faria, especializada em psicologia analítica pela PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo, explicam qual a melhor maneira de agir em cada situação.

  • O coelho da Páscoa existe? É verdade que a cegonha traz os bebês?

    Quando a criança não tem maturidade para entender determinada questão, a fantasia pode ser uma maneira sensível de explicar o assunto a ela. Quando os pais fazem isso, entram no universo do filho e ele se sente seguro para aceitar a explicação dada. Conforme cresce, ele vai diferenciando com naturalidade o que é mito do que é verdade. Diante de questões mais concretas, como a origem dos bebês, o melhor caminho é sempre perguntar para a criança o que ela sabe sobre o tema. Baseado na resposta que der, os pais descobrem até onde ir. Explicações muito complexas podem deixá-la aflita, sem condição de digerir tanta informação. Quanto mais simples a reposta, melhor.

  • Para onde o vovô foi?

    Apesar de uma situação dramática para a família, ocultar a morte de um ente querido não é positivo. Com sensibilidade, é possível ensinar a lidar com a perda. O ego da criança se forma com o choque, portanto, esconder os acontecimentos não a prepara para a vida. A criança também precisa viver o luto. É o momento de dar colo, atenção e carinho até que a situação se estabilize, mostrar que aqueles que amamos estarão sempre em nossos corações. Mentir é pior. A criança ficará ainda mais angustiada vendo a excessiva tristeza de todos, sentindo que há algo no ar, sem saber o que é.

  • Quando a criança deve ser poupada?

    A adequação da linguagem segundo a idade da criança é a melhor maneira de poupá-la, sem abrir mão da verdade. É sempre possível encontrar uma forma mais suave de dizer o que precisa ser dito, ainda que recorrendo a uma fábula. Mesmo estando cientes das situações da vida, as crianças não precisam estar presentes em ambientes estressantes, como hospitais, enterros, velórios e tribunais. Existem assuntos que apenas os adultos irão tratar. As crianças merecem e devem permanecer como tais, pois têm seu emocional ainda em desenvolvimento.

  • Descobrindo a mentira...

    A ideia de poupar o filho contando uma mentira pode ser desastrosa. As crianças são mais espertas do que se imagina. São capazes de insistir até chegar à verdade. Ao se depararem com a mentira dos adultos, sentem-se decepcionadas, o que pode fazer com que percam a referência. Falar a verdade é uma questão de construir confiança. Quando a mentira aparece, uma distância se abre. As crianças também entendem que podem usar do mesmo recurso quando precisarem.

  • Verdade que machuca

    Saber que não atingiu a nota mínima para ser aprovada em um teste ou mesmo que não foi convidada para uma festa que desejava muito ir também podem ser grandes frustrações para a criança, capazes de abalar sua autoestima. Ainda nesses casos, é preciso ser sincero. É fundamental explicar que haverá momentos em que não teremos sucesso ou não seremos capazes de agradar a todos, e isso faz parte da vida.

  • Proteção que faz mal

    Uma criança que é constantemente poupada dos problemas torna-se um adulto imaturo, incapaz de aguentar frustrações. É aquela pessoa que leva a birra para a vida adulta e não sabe lidar com as pressões do trabalho ou do relacionamento. A criança pode se manter na ideia egocêntrica de que tudo tem de funcionar para ela e do jeito dela. Quando passa a se relacionar com o mundo, que não funciona dessa forma, as coisas começam a se complicar.

  • Papai pensa que sim, mas mamãe acha que não

    A melhor maneira de solucionar as divergências na educação dos filhos é o diálogo. É preciso conversar e tentar chegar a um meio termo entre a proteção excessiva e a dureza. Para Daniella, os pais devem buscar a coerência, principalmente em questões fundamentais da educação, como falar a verdade.

Topo