Gravidez e filhos

Planos para licença-maternidade? Mães contam realidade do período em casa

Beatriz Vichessi

Colaboração para o UOL

As mães de primeira viagem costumam acreditar que, na licença-maternidade, além de cuidar do filho, terão tempo de se dedicar a coisas que normalmente não conseguem por causa da rotina atribulada, como cursar um mestrado e fazer cursos on-line. A seguir, 15 mulheres contam o que planejaram e o que, de fato, conseguiram fazer no tempo em casa.

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    Alliny Cunha, 29, mãe de João Pedro e Bruno Henrique, 10 meses

    "Quando pensei que a rotina com os gêmeos tinha entrado em ordem --eles tinham quatro meses, resolvi aproveitar o tempo das sonecas deles para estudar. Pesquisei cursos on-line e achei ótimas opções no site da FGV (Fundação Getulio Vargas). Fiz minha inscrição, mas nunca consegui acessar uma só aula. Quando um dormia, o outro acordava. Quando dormiam ao mesmo tempo, eu aproveitava para comer, tomar banho e escovar os dentes. Cheguei a almoçar às seis da tarde!"

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    Thaís Germano Pereira, 36, mãe de Maria Isabel, 3 anos

    "Antes de a minha filha nascer, planejava fazer mestrado e voltar a tocar piano, mas não contava com o que estava por vir. Achei que teria uma gravidez tranquila, mas não contava com uma reforma no apartamento em que moro. As obras começaram quando estava grávida de 14 semanas e não terminaram até hoje. Então, durante a licença, tive de administrar pessoas trabalhando na minha casa. Também tive de me dedicar muito para fazer a Maria Isabel mamar. A rotina como mãe é intensa e requer muita dedicação. Acrescentar qualquer coisa às responsabilidades que tinha foi impossível. Imagine me dedicar às leituras exigidas pelo mestrado e sair para assistir às aulas."

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    Beatriz Santomauro, 37, mãe de Teresa, 4 anos

    "Sempre quis aprender a tocar flauta transversal, mas sabia da dedicação que o instrumento exige. Decidi que, quando engravidasse, começaria a aprender e seguiria com as aulas durante a licença. Achava lindo pensar que o bebê iria ouvir músicas tocadas por mim. Quando Teresa nasceu, percebi que havia dias em que era difícil conciliar até ter tempo para lavar o rosto e fazer as tarefas de mãe. Então, os planos com a flauta foram adiados e seguem assim até agora. Quem sabe começo a tocar quando ela entrar na faculdade."

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    Mônica Santos Queiroz Zonta, 27, mãe de Davi, 2 anos

    "Achava que ficar em casa na licença-maternidade seria moleza. Cheguei a pensar que não teria nada para fazer enquanto o bebê dormisse e me programei para fazer um curso de pós-graduação, organizar minha casa e fazer comidas elaboradas. Também queria ler uma pilha de livros e jogar videogame. Não consegui realizar nada que tinha planejado. Fiquei um pouco depressiva após descobrir que passei por uma cesárea desnecessária. Para piorar, meu filho foi operado aos 26 dias de vida, pois tinha uma hérnia inguinal. O estresse foi tanto que tive paralisia facial pós-trauma. Passado um tempo, em vez de colocar meus planos em prática, optei por sair de casa todos os dias com ele e entretê-lo, pois percebi que ele não era muito de dormir durante o dia."

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    Vaneusa Aparecida Teixeira, 34, mãe de Laís Teixeira Ramos, 8 meses

    "Trabalho com tecnologia da informação e preciso sempre me atualizar, então, comprei cinco cursos on-line voltados à gestão de projetos e governança para fazer durante a licença-maternidade. Assim, voltaria a trabalhar mais antenada, com uma bagagem de conhecimento maior. A ideia era fazer as aulas enquanto a bebê dormia. Na minha cabeça, imaginava a cena clássica da criança deitada no colo da mãe e ela lendo tranquilamente. Além de ter de dar conta de várias tarefas, percebi minha dificuldade para mudar o foco, pensar no trabalho em vez de pensar na minha filha. Laís quase não deu trabalho, mas preferi ficar com ela."

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    Thaise Venturini de Mello, 31, mãe de Catarina, 1 ano

    "Pensei que teria tempo para ler o "Decamerão" (coleção de cem novelas escritas pelo italiano Giovanni Boccaccio, entre 1348 e 1353) no original. Imaginava a cena: eu e Catarina, no parque, observando o movimento, lendo, tomando sol. Depois que minha filha nasceu, nem lembrei do livro na estante. Como decidi amamentar exclusivamente, tive de me dedicar muito, pois ela demorou cerca de 40 dias para aprender a mamar. A rotina de extrair o leite anterior, refrigerar, oferecer o peito, esquentar em banho-maria, colocar na sondinha e oferecer para ela de hora em hora me tomava o dia todo, inclusive as madrugadas. Depois de um mês e meio de vida, ela parou de dormir durante o dia. No máximo, eram cochilos de 15 minutos, o resto do tempo ela chorava de sono e eu tentava fazê-la dormir."

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    Susane Maciel, 36, mãe de Antonella, 2 anos

    "Antes de Antonella nascer, planejei fazer curso de italiano e artesanato. Nem pensei o que faria com ela enquanto estivesse nas aulas. A verdade é que não tinha ideia do que era cuidar de um bebê. Não consegui fazer nenhum dos cursos. Até minha filha completar dez meses, mal sabia quem eu era. Ela sempre dormiu pouco. Por isso, ficava muito cansada por conta dos horários dela. Hoje acho meus planos de estudar durante a licença-maternidade hilários. Aprendi a rir do meu cotidiano."

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    Jussilea Freitas Vieira, 21, mãe de Heitor, 1 ano

    "Antes de descobrir que estava grávida, me prometeram uma promoção no trabalho. Então, planejei me aperfeiçoar profissionalmente durante a licença-maternidade para voltar à ativa mais qualificada ainda. Busquei um bom curso na área de farmácia. Meus planos eram deixar o bebê com alguém durante as duas horas de curso. Achei que seria fácil, mas não tive coragem para fazer isso."

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    Andrea Fernanda Barros Baregio, 35, mãe de Martín, 1 ano

    "Sempre pratiquei atividade física e queria voltar a fazer alguma coisa para não ficar sedentária por muito tempo. Pensava que conseguiria fazer algo durante as sonecas do bebê ou quando o pai dele voltasse do trabalho. Quando meu filho estava com três meses, até tentei voltar a fazer aulas de dança cigana, mas era difícil, pois parava toda hora para amamentar. Outra tentativa foi levá-lo para minhas aulas de ioga, mas ele já engatinhava e queria explorar o lugar. Não conseguia me concentrar, aí desisti! Martín é muito bonzinho, mas, além de tudo isso, sempre mamou muito, o que não me deixava ficar longe dele por mais de uma hora."

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    Patricia de Nóbrega Mader, 24, mãe de Pedro, 2 anos

    "Comprei um quebra-cabeça de mil peças em Milão, pois durante a viagem descobri que estava grávida. A imagem é a Santa Ceia. A ideia era montar uma parte durante a gestação na companhia do meu marido. Ele iria me ajudar, pois nunca fui muito boa em montar quebra-cabeça, mas arrumei muitas coisas para fazer e acabei não montando muito. Depois que Pedro nasceu, não consegui nem tirar a parte montada da caixa para tentar encaixar mais peças. Cuidar do bebê, de mim e de meu marido era muito puxado. Quando tinha algum intervalo, dormia. A demanda do puerpério é de corpo e alma. Ninguém fala que até as coisas se ajeitarem, passam-se uns seis meses depois do parto."

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    Renata Fagundes Coelho, 30, mãe de Felipe, 2 anos

    "Quando meu filho nasceu, achei que seria fácil. Algumas pessoas tinham me dito que recém-nascido só come e dorme. Então, teria muito tempo livre. Decidi comprar a caixa da minha série favorita, "Sex in The City", para finalmente assistir a todos os episódios. Pretendia ver durante as sonecas do bebê e as mamadas. Porém, ele não dormia por muito tempo e acordava a cada uma hora e 40 minutos para mamar. No terceiro dia, eu já parecia um zumbi. Quando meu filho tinha um mês e meio, fui parar no hospital com hipoglicemia. Não conseguia me alimentar direito, pois só pensava em dormir. O máximo que fazia era, assim que ele adormecia, pegar uma barra de chocolate e ir para a cama dormir também. Até hoje, não tirei o plástico da embalagem do seriado."

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    Audrey Omote Montechezi, 35, mãe de Maurizio, 10 meses

    "Quando estava com 36 semanas de gestação, ganhei um livro de colorir do meu marido. O objetivo era pintá-lo quando o bebê estivesse dormindo. Assim poderia passar o tempo fazendo algo relaxante e que gosto. Pintei um pouco até a 38ª semana e só. Maurizio nasceu antes do previsto, tive muitas dificuldades com a amamentação e por isso tínhamos de ir ao hospital quase todos os dias para sermos assistidos pela consultora de amamentação. Além disso, usamos a técnica do bebê-canguru. Por isso, se meu filho não estivesse mamando, estava no meu peito dormindo. Mal me movimentava para garantir o conforto dele. Essa foi a rotina até os três meses de vida dele. Depois disso, me rendi à rotina da casa e de cuidados com o bebê. Quando sobrava um tempo livre, queria dormir ou ler sobre desenvolvimento infantil."

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    Ticiana Zwarg, 31, mãe de Gustavo, 11 meses

    "Pensei em começar o doutorado durante a gravidez, o que não consegui. Ao entrar em licença, que seria de seis meses somados a um mês de férias, pensei em escrever artigos científicos relacionados à minha profissão (ela é veterinária), coisa que não conseguia fazer trabalhando. Meu objetivo era finalizar quatro textos durante o período. O bebê nasceu, veio o puerpério e com ele as dores dos pontos da cesariana, "baby blues" (tipo de depressão pós-parto), visitas intermináveis, fissuras nos seios, amamentação em livre demanda. Ele quase não dormia durante o dia e mamava de madrugada. Mil fraldas ecológicas sujas, visitas semanais ao banco de leite, pois ele não ganhava peso, consultas com cardiologista porque ele nasceu com CIV (Comunicação Interventricular) e com alergologista, pois desenvolveu alergia à proteína do leite de vaca, dentre outras tantas coisas de uma casa. Mesmo após já ter voltado há três meses para o trabalho, ainda não consegui me dedicar aos artigos. Doutorado então? Parece algo bem distante."

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    Diane Golubcic Ferri, 34, mãe de Davi, 1 ano

    "Planejei fazer cursos on-line quando o bebê chegasse e tirar certificações para voltar com gás total ao mercado de trabalho. Pensava que bebês dormiam muito e mamavam depois de três horas. Teria tempo para dar conta de tudo. Mas, quando ele nasceu, nasci como mãe e não consigo deixá-lo com ninguém, não desgrudo da cria. Aquelas tardes sossegadas que idealizei nunca existiram. Meu filho até hoje dorme pouco, mama muito e demanda 24 horas por dia da minha atenção. No tempo livre que tenho, sempre é uma correria para preparar o que comer, juntar os brinquedos espalhados, correr ao banheiro ou simplesmente esticar as pernas. Os cursos on-line? Ah, sim, li muito sobre alimentação infantil e criação com apego. Sempre com um par extra de mãozinhas no teclado."

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    Anjaína Tamara dos Santos Arruda, 36, mãe de Helena, 1 ano

    "No fim da gestação, decidi concluir as disciplinas da pós-graduação à distância e deixar para fazer o trabalho de conclusão de curso durante a licença-maternidade. Não tinha a menor ideia do que era lidar com um recém-nascido, nem o que era o puerpério (período após o parto). Não sabia que viraria do avesso. A amamentação foi difícil para mim: optei pela livre demanda e Helena ficava plugada no peito o tempo todo. Ela dormia bem só entre 10h e 14 h e, nesse intervalo, tinha de dar conta de tudo. Eu me sentia profundamente sozinha. Ainda não consegui terminar o trabalho de conclusão de curso, nem organizar minha vida."

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