Gravidez e filhos

Mulheres contam por que ter o acompanhamento de uma doula foi essencial

Beatriz Vichessi

Colaboração para o UOL, em São Paulo

São vários os motivos que levam as mulheres a buscar os serviços de uma doula: se sentir acolhida emocional e fisicamente por outra mulher durante o trabalho de parto, ter alguém para acalmar o parceiro, contar com indicações e dicas sobre o pré-natal e os primeiros dias do bebê em casa.

No Brasil, nem todos os hospitais permitem que essas profissionais acompanhem o parto. Alguns só liberam se a doula for formada em enfermagem ou outra profissão ligada à área médica. Outros, só mediante um cadastro prévio. Há maternidades que até autorizam, mas consideram as doulas acompanhantes e, por conta disso, tiram a vez do parceiro ficar com a gestante.

Apesar disso, o cenário está mudando aos poucos país afora. Em Santa Catarina, foi sancionada uma lei que obriga maternidades, casas de parto e hospitais públicos e privados a permitirem a presença de doulas, independentemente da escolha do acompanhante. Em Uberlândia (MG), o trabalho delas também é garantido por lei desde 2015. Amapá, Santos e Jundiaí -- ambas em SP-- e João Pessoa são alguns outros locais que também garantem, por lei, a presença delas.

A seguir, cinco mulheres contam como a presença de uma doula foi importante para elas terem o parto normal que tanto queriam.

 

  • Carol Zia/Divulgação

    Angela dos Santos Frias Conti, 29 anos, mãe de Laura, 2 meses

    "Tive parto domiciliar planejado, mas decidi que seria melhor que minha família não soubesse de nada. Ainda assim, meu grande medo era não ter o apoio da minha mãe nesse momento especial. Temia que isso pudesse atrapalhar a evolução do trabalho de parto, mas encontrei na doula Deborah Delage aquele abraço materno que tanto precisava. Ter a presença dela me ajudou a superar a barreira da dor física e da psicológica. Ela ficou comigo o tempo todo, fez massagem na minha lombar e me ensinou uma dança para ajudar a suportar as dores das contrações. Foi Deborah também quem me ajudou a melhorar minha respiração, que estava muito travada. Foi graças a ela que, em nenhum momento, pensei em ir para o hospital ou que não era capaz de parir."

    Imagem: Carol Zia/Divulgação

  • Arquivo Pessoal

    Fernanda Claudia Cabral Ianelli dos Santos, 27 anos, mãe de Ikora, 7 meses

    "Natália Machado Cunha foi a doula que escolhi para acompanhar minha gestação até o trabalho de parto. Decidi ter parto domiciliar, e ela foi muito importante para que isso acontecesse, pois me ajudou a encontrar a equipe. No dia do nascimento de Ikora, Natália chegou em casa às 8h, mas, desde às 5h, estava em contato comigo pelo telefone. Foi ela quem garantiu que as músicas que separei para o momento do parto fossem tocadas e criou um clima acolhedor com luzes que ela mesma levou. Acredito que sem a ajuda dela todo o processo teria sido muito difícil. Eu me senti mais segura com a presença dela, pois criamos um vínculo muito bacana. Ela sabia exatamente como eu queria que tudo acontecesse e garantiu isso."

    Imagem: Arquivo Pessoal

  • Arquivo Pessoal

    Alice Vasconcellos, 33 anos, mãe de Francisco, 5 meses

    "Decidi optar por ter Lucia Desideri Junqueira como minha doula, entre outros motivos, porque ela também é fisioterapeuta e temia sentir muita dor durante o parto por conta de uma tendinite de quadril que tive no início da gravidez. Ela fez massagens maravilhosas nas minhas costas, a ponto de eu falar para a equipe do parto que faria tudo o que me pedissem, ficaria em qualquer posição, desde que Lucia não parasse de me massagear. Outra contribuição essencial foi me aquecer. Senti muito frio quando estava na sala de parto e ela conseguiu um aquecedor. Não bastou. Ela, então, conseguiu mais um. A equipe inteira suava horrores, tamanho o calor no ambiente, mas eu continuava com muito, muito frio. Lucia, de repente, aparece com um par de meias felpudas. Eu me senti muito melhor e não faço ideia de como ela conseguiu a peça. Logo que o Francisco nasceu, não sei o que houve exatamente, mas ele teve de ser examinado pela pediatra, não pude curtir o bebê no meu colo, amamentá-lo. Enquanto ele era examinado, a médica aproveitou para cuidar da pequena laceração que tive no períneo. Lucia, mais uma vez, foi ótima e atenciosa: falou para o meu marido tirar a blusa e colocou os dois em contato pele a pele, enrolados por um pano, até que pudesse tê-lo novamente comigo. Ela acabou proporcionando uma experiência incrível para pai e filho."

    Imagem: Arquivo Pessoal

  • Arquivo Pessoal

    Juliana Maciel Lolato, 35 anos, mãe de Martina, 5 meses

    "Foi a decisão mais acertada ter contratado uma doula! A Gabi Prado (na foto, agachada, à direita) foi incrível desde as consultas que começaram entre o quarto e o quinto mês de gestação. Foi ela quem abriu meus olhos sobre o obstetra que estava me acompanhando na época e que seria o médico do parto. Ela me contou que ele tinha uma alta taxa de cesáreas e sugeriu que buscasse profissionais humanizados, já que meu objetivo era o parto natural. Resolvi trocar de médico, contrariando minha família, que achava loucura fazer uma coisa dessas no segundo trimestre. Durante a fase ativa do trabalho de parto no hospital, Gabi me ofereceu até um picolé de limão para manter a energia necessária para a Martina nascer. Achei engraçado ela ter feito isso, pois esse era o sabor que mais consumi na gestação para combater a azia. Por fim, na hora de Martina nascer, ela literalmente foi meu apoio: me segurou por trás e cravei os cotovelos nas coxas dela com muita força. Depois, até pedi desculpas."

    Imagem: Arquivo Pessoal

  • Arquivo Pessoal

    Rachel Lima da Riva, 34 anos, mãe de Letícia, de 2 anos e 6 meses

    "Ter tido a companhia da doula Marcela Fernande Buchalla foi essencial. Mesmo grávida de sete meses do segundo filho, Marcela ficou um domingo inteiro comigo, esperando Letícia nascer. Chegou em minha casa de madrugada e só voltou para a casa dela depois das 23h. Antes de irmos para o hospital, ela me ajudou a tomar banho e até fez um chá. Na maternidade, cuidou da minha alimentação a ponto de dar suco na minha boca. Quando vomitei, o que acontece em alguns trabalhos de parto, limpou a minha boca e o chão. Também evacuei e ela cuidou de tudo, me limpou e higienizou o chão mais de uma vez. Poderia ter chamado um funcionário do hospital, mas não. Além de nossa própria mãe, acho que ninguém é capaz de fazer uma coisa dessas. Para mim, parto sem doula é como ir à praia sem sol, é parto sem carinho."

    Imagem: Arquivo Pessoal

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