Infância

Pais e mães com rotina imprevisível contam como cuidam dos filhos

Do UOL, em São Paulo

Esqueça o horário comercial. Muitos empregos exigem que os profissionais se adaptem a expedientes em horários variados, muitas viagens a trabalho, entre outras coisas, que podem dificultar a vida de quem tem filhos pequenos. No entanto, pais e mães que não tiveram interesse em fazer uma transição de carreira contam como cuidam da prole, mesmo tendo uma rotina imprevisível.

  • Arquivo Pessoal

    Bruno Nielsen Silva de Jesus, 33, especialista em gestão

    "Em média, passo três semanas por mês viajando entre os escritórios da empresa na América do Sul. Por isso, quando estou em casa, aproveito ao máximo o meu tempo. Levo minha filha na escola e curto as noites com ela. Antigamente, saía bastante com os amigos e também jogava futebol nos finais de semana. Hoje, prefiro ficar com a família. Quando estou viajando, consigo falar com ela todos os dias pela câmera do celular, mas cuido para que ela não me pegue saindo de casa para alguma viagem, pois não quero vê-la sofrer." (pai de Luisa, 3)

    Imagem: Arquivo Pessoal

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    Aires Oliveira Andrade Rufato, 28, piloto de avião

    "Desde que meu filho nasceu, tenho mudado a minha rotina. Tento ficar o menor tempo possível fora. Deixei de lado alguns voos e aproveitei o tempo extra para cuidar da minha mulher e organizar a vida financeira. Quero pensar em novos investimentos que me tragam estabilidade e me permitam passar mais tempo com a família. A primeira e a última mamada sempre sou eu quem dá. Faço questão. Até agora, consegui estar presente em todos os momentos: a primeira risada dele foi comigo e a primeira cólica também. Não vou deixar o trabalho ser desculpa para não ver o meu filho crescer." (pai de Lucas, na foto com 3 meses e hoje com 10)

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    Carlo Dall Anese, 41, DJ

    "Meu filho diz que não quer ser DJ quando crescer, por eu ficar muito tempo longe de casa. É pesado escutar isso, mas me esforço para estar o mais presente possível, ainda que, de sexta a domingo, viaje para tocar. Quase sempre levo meus filhos na escola e também passamos muitas noites juntos durante a semana. Quando há festas na escola, apresentações, troca de faixa no judô ou coisas do tipo, deixo tudo de lado para estar presente. O fato de morar em uma cidade pequena e sem trânsito ajuda a fazer o meu tempo render." (pai de Luca, com ele na foto, 11, e Valentina, 1)

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    Carol Marcan, 34, consultora de negócios

    "Fico fora de casa de terça a quinta e também trabalho com eventos aos sábados. Logo, passo metade da semana longe da minha família. Por isso, os domingos e as segundas são dedicados a eles. Mas, mesmo fora, gosto de manter o controle de tudo. Ligo para acordá-lo, exijo que avise quando chega da escola ou de outra atividade, que me comunique se vai para a casa de alguém no condomínio e também ligo para saber se fez as refeições direitinho. Usamos o Facebook e o WhatsApp para trocar fotos e vídeos --é como se estivesse em casa." (mãe de Gabriel, 13)

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    Leíse Duarte, gerente de performance

    "Durante as minhas viagens profissionais, tenho estratégias diferentes para encurtar a distância. Com o mais velho, consigo conversar todos os dias por Skype e faço as mesmas perguntas que faria pessoalmente. Pergunto se o dia foi bom na escola, se tem lição de casa e coisas do tipo. Ele tem noção do tempo, então, é mais fácil explicar quantos dias passarei fora. Às vezes, ele até marca no calendário para acompanhar. Já o mais novo, de dois anos, ainda não tem discernimento do mundo real e virtual. Então, quando me via na tela, chorava por não entender por que não podia me abraçar. Também falo com ele todos os dias, mas por telefone." (mãe de Heitor, 6, e Vitor Hugo, 2. Na foto, com os meninos e o marido, Igor)

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    Luzidio Batista Vieira, 41, bombeiro militar

    "Já perdi aniversários dos meus filhos, Dia dos Pais, Natal, Ano Novo e formatura escolar. Eu me sinto frustrado, mas meu trabalho interfere muito na minha vida familiar. A minha jornada é de 24 horas a cada dois dias, e a rotina é intensa, pois atendemos diariamente cerca de 12 ocorrências, entre resgates, salvamentos e incêndios. Entre uma e outra emergência, faço contato por telefone, mando mensagem de texto e também pelas redes sociais. Mas são tentativas de aproximação que não suprem toda a distância. Minha esperança é que, quando as responsabilidades deles chegarem, eles me entendam." (e pai de Maria Clara, 11, com ele na foto, Lucas, 18, e Geovanni, 23)

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    Marciel Jazzy Silva, 32, DJ e produtor musical

    "Conciliar vida profissional com a pessoal é complicado. Durante o dia, fico em estúdio e, à noite, toco em festas. Quando me tornei pai, mudei o estúdio musical para perto de casa, assim consigo brechas durante o dia para pegar ou levar a minha filha na escola ou fazer algum passeio com ela. Mas, mesmo assim, ela reclama quando volto para casa à noite e ainda preciso resolver algo relacionado ao trabalho. O pior mesmo é perder momentos importantes, como na ocasião em que não consegui vê-la dançar na festa junina da escola. Eu me sinto mal por que essas coisas não voltam mais." (pai de Maria Catarina, 3)

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    Tamara Zimmermann, 38, comissária de voo

    "A vida funciona em torno da minha escala e nunca é igual: cada dia estou em um lugar e cada vez me apresento em um horário diferente no aeroporto. Mas a maternidade me ajudou a administrar melhor o meu tempo. Chego a ficar até quatro dias fora de casa, porém, ao retornar, fico totalmente disponível. Consigo acompanhar os estudos e ajudo na lição de casa, mesmo de longe. Ensinei minha filha mais velha a usar o Skype: ela lê as tarefas de casa para mim e eu auxilio." (mãe de Clarissa, 7, Lavínia, 4, e Giovana, 1. Na foto, ela aparece grávida da caçula, com as duas filhas mais velhas e o marido, Antonio Alberto)

    Imagem: Arquivo Pessoal

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