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Prós e contras de a criança acreditar em Papai Noel

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Pais são responsáveis por evidenciar características positivas da tradição do Papai Noel imagem: Getty Images

Do UOL, em São Paulo

A crença no bom velhinho que traz presentes às crianças no Natal ainda é bastante difundida. No entanto, é a maneira como os pais lidam com essa fantasia que fará dela um elemento educativo relevante para o desenvolvimento infantil e para a convivência familiar e mesmo em sociedade. A seguir, veja seis prós e cinco contras de o seu filho acreditar em Papai Noel:

Prós

  • Reforça o conceito de fraternidade

    O bom velhinho não é simplesmente Noel, é chamado de Papai Noel por todas as crianças. "Essa relação de filiação é muito interessante, evoca a ideia de que somos todos irmãos, favorecendo um vínculo mais afetuoso e próximo com o outro, mesmo que ele seja um estranho. Nos dias de hoje, alimentar esse tipo de sentimento é muito positivo", diz Tânia Ramos Fortuna, professora de psicologia da educação da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). Porém, para que a fantasia seja realmente associada a essa ideia, é preciso que os pais evidenciem tal característica.

  • Estimula o respeito aos mais velhos

    Mais uma vez, a maneira como a família lida com a fantasia dita a leitura que a criança fará do símbolo. E, se respeitar os mais velhos for um valor importante para os adultos, esse poderá ser um aspecto trabalhado na época do Natal. Basta que os pais falem sobre a figura bondosa, mostrando que ele se assemelha a outras pessoas de mais idade. "Pode-se fazer um paralelo entre o Papai Noel e a figura do avô, por exemplo", diz Tânia.

  • Ensina a esperar

    A chegada do Papai Noel, todos os anos, também é uma maneira de marcar o tempo, no longo ciclo de um ano. "Hoje em dia, uma época em que tudo é tão veloz e imediato, esperar um ano pela chegada do Papai Noel pode ser um aprendizado importante para as crianças. Elas estarão treinando a habilidade de serem pacientes", diz a psicanalista Adela Stoppel de Gueller.

  • Ajuda na formação da subjetividade

    Na infância, o Papai Noel compõe um conjunto de fantasias importantes, que ajudam a construir a subjetividade. "Nas experiências que temos com aquilo que não é real, também aprendemos a dar forma e a nomear sentimentos muito complexos. Por isso, os contos de fada continuam sendo lidos e contados há tantos séculos", afirma Adela Stoppel de Gueller, pós-doutorada em psicanálise pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro, professora e supervisora do curso de psicanálise com crianças no Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo.

  • Ensina sobre a capacidade de se doar aos outros

    Na fantasia das crianças, o Papai Noel oferta presentes a todos, sem distinção. "Na vida prática, os pais podem tratar isso como um gesto de amor e ensinar a criança a fazer o mesmo no Natal. Obviamente, ela não precisa comprar presentes para a família e os amigos, os pais podem estimular os filhos a darem um desenho, uma flor, algo simbólico. O mais importante é o gesto", afirma Tânia.

  • Ajuda a elaborar a frustração

    Ao descobrir que o Papai Noel não existe, é natural que a criança se frustre. O que é importante para o processo de amadurecimento. "Quando a criança questiona a existência do Papai Noel, geralmente, é porque está pronta para ouvir a verdade", afirma a professora do Instituto Sedes Sapientiae. A especialista explica que é preferível errar dizendo a verdade antes do tempo do que prolongar a suspeita do filho de que os pais estão escondem algo.

Contras

  • Prejudica o entendimento sobre questões financeiras

    É fundamental que mesmo as crianças que ainda acreditam em Papai Noel conheçam os limites financeiros da família e saibam que não poderão ter tudo o que querem. Também devem compreender que os presentes nas outras datas não chegam de forma mágica, mas dependem do dinheiro dos pais. "É possível trabalhar esses limites sem estragar a fantasia da criança. Uma alternativa é pedir ao filho que faça uma cartinha e coloque diversas possibilidades de presente, tendo o cuidado de informar à criança que o Papai Noel fará a escolha", afirma Tânia.

  • Serve como forma de poder dos pais sobre a criança

    Determinadas apropriações que os adultos fazem podem levar a uma distorção significativa. "Muitos pais usam o Papai Noel como exercício indireto do seu poder. Ensinam que a criança só ganhará brinquedo se for bem-comportada, por exemplo. Além disso, são capazes de negociar trocas. A criança dá a chupeta e ganha um brinquedo do Papai Noel. Com isso, desrespeitam a tradição e as necessidades emocionais da criança", afirma Tânia. Segundo a especialista, é melhor que os pais assumam a responsabilidade de não dar um determinado presente se o filho não cumprir algum combinado, seja qual for, tirando o Papai Noel da jogada.

  • Mostra às crianças que os adultos mentem

    Por volta dos sete anos, a criança começa a distinguir realidade e sonho e se torna mais questionadora. Sem que os pais precisem intervir, ela tira suas conclusões a respeito do bom velhinho. Após a descoberta, é natural que ela se sinta frustrada ao perceber que os pais mentiram. A professora de psicologia da educação Tâmia Ramos Fortuna diz que basta dizer que o Papai Noel existe apenas enquanto se crê nele. É até uma maneira de incentivar a criança a respeitar a fantasia de um irmão ou primo menores.

  • O presente pode roubar a cena no Natal

    "Na sociedade de consumo em que vivemos, o risco é que o mais importante da celebração seja ganhar presentes caros, com alto valor de mercado e baixo valor simbólico", diz Adela. Nesse caso, cabe aos pais trazer outras referências à criança nesta época de Natal, além do Papai Noel, conforme os valores cultivados pela família.

  • Gera constrangimento na criança que mantém a crença

    Muitas crianças podem continuar acreditando em Papai Noel até os nove ou dez anos de idade. Algumas sabem a verdade, mas escolhem manter isso em segredo, como uma forma de se protegerem do mundo adulto, interpretando-o como ameaçador. "Elas podem se sentir constrangidas na frente de outras crianças ao manifestarem sua crença. Mas não são os pais que têm de se preocupar com isso. As crianças é que terão de encontrar a solução que lhes convêm nessa situação. Faz parte do crescimento", diz Adela.

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