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Recém-nascida pode "menstruar"; saiba mais sobre a vagina da bebê

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As meninas podem ter sangramento no primeiro mês de vida devido aos hormônios maternos imagem: Getty Images

Do UOL, em São Paulo

Verdade seja dita: a vagina ainda é uma parte do corpo feminino cercada de mistérios. Mesmo as mulheres sabem pouco sobre ela. Quando nasce uma menina, então, uma série de dúvidas podem surgir. Veja, a seguir, algumas curiosidades.

  • Pode haver sangramento no primeiro mês de vida da menina

    Que mãe não levaria um susto ao se deparar com uma pequena quantidade de sangue na fralda da filha? Apesar de ser pouco comum, o fato não é preocupante. Esse sangramento, que pode lembrar aquele fim de menstruação das mulheres adultas, acontece por que, durante a gestação, a bebê está impregnada com a carga hormonal da mãe, que contém alta dose de estrogênio. Quando nasce, esse fluxo é interrompido e existe a possibilidade de que o endométrio da menina descame, causando o sangramento. "É mais ou menos o mesmo processo que acontece quando as mulheres tomam pílula anticoncepcional. Quando dão a pausa, a menstruação chega", diz Alessandra Bedin, ginecologista especialista em ginecologia infanto-puberal, de São Paulo. O único cuidado é limpar a região e se certificar de que o sangramento não está relacionado a alguma ferida nos grandes lábios ou no ânus.

  • Inchaço na região genital é comum

    É normal notar os grandes lábios aumentados, de tamanho desproporcional ao corpo da menina. Isso acontece por dois motivos: um deles é a retenção de líquido característica dos recém-nascidos, especialmente nas áreas de grande fluxo sanguíneo, como é o caso dos grandes lábios. Os hormônios recebidos da mãe também contribuem para esse inchaço.

  • A vagina pode nascer fechada

    Dá-se o nome de sinéquia a essa característica, que ocorre quando tecidos do corpo nascem aderidos uns aos outros. Nesse caso, são os pequenos lábios que nascem grudados, fechando a entrada da vagina. A obstrução geralmente é parcial, o que permite a passagem da urina. Por ser assintomático, o problema costuma ser detectado apenas em exames de rotina no pediatra ou durante a higienização diária. "O tratamento pode ser feito em casa, com um creme à base de hormônios. Raramente é necessária uma cirurgia", diz a ginecologista Zuleide Aparecida Félix Cabral, presidente da Comissão de Ginecologia e Obstetrícia Infanto-Puberal da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia).

  • É normal sair algum tipo de secreção da vagina

    Meninas podem expelir pela vagina uma secreção branca, espessa, por um ou dois meses após o nascimento. A causa? Mais uma vez, os hormônios da mãe. Porém, conforme a carga hormonal vai diminuindo, a secreção tende a ficar mais rala, até cessar por completo. A única recomendação é fazer a higienização correta da região, a cada troca de fralda.

  • Meninas são mais suscetíveis a infecções urinárias

    Isso acontece por causa da proximidade entre o canal vaginal e o ânus. Ao penetrarem na uretra, micro-organismos presentes nas fezes podem se multiplicar e causar a infecção. Os sintomas são falta de apetite, choro constante, irritação e, principalmente, diminuição ou estabilização de peso. "Trocas de fraldas imediatas, sempre que a criança faz cocô, além de higienização mais frequente quando ela faz xixi são imprescindíveis para evitar o problema. Também é importante que, a cada troca, a limpeza dos genitais seja bem feita", diz Alessandra Bedin.

  • Água morna e algodão bastam para a limpeza do dia a dia

    A dupla é eficiente e não agride a pele delicada da região. Importante: durante a higienização, os movimentos devem ser sempre de cima para baixo, pois isso evita que os resíduos das fezes entrem em contato com o órgão. No banho, um sabonete neutro, em pequena quantidade, é bem-vindo. Deixe os lencinhos umedecidos apenas para emergências. "Eles contêm muitos ingredientes químicos, que podem interferir no equilíbrio natural da pele dessa região, especialmente no caso de recém-nascidas", diz a pediatra Teresa Uras, coordenadora do Centro de Medicina Fetal e Perinatal do Hospital Samaritano, de São Paulo.

  • Cremes para assaduras podem ser usados na parte interna

    Mas não todos. Os mais espessos são difíceis de espalhar e, se aplicados nos pequenos lábios, podem facilitar a aderência de pedaços de algodão que eventualmente tenham ficado no local. Além disso, as pomadas mais pesadas levam mais tempo para serem retiradas, mesmo no banho. Nesses casos, a orientação é espalhar o produto apenas na região da virilha. Cremes mais fluidos e fáceis de espalhar podem ser usados em todas as áreas da vagina, quando houver necessidade.

  • Até a 12ª semana, o órgão genital do bebê é igual em meninos e meninas

    Geneticamente, o sexo da criança está definido desde o momento da concepção. Os órgãos sexuais, no entanto, levam mais tempo para se formar. Eles surgem a partir de um mesmo broto, que só começa a se diferenciar por volta da 12ª semana de gestação. Nessa época, ainda é impossível identificar um pênis ou uma vagina, mas um ultrassom bem feito pode dar algumas pistas a respeito do sexo da criança. "Se a angulação do broto em relação à coluna do feto for de 90°, são maiores as chances de ser um menino. Já se o broto estiver paralelo à coluna, é mais provável que seja uma criança do sexo feminino", diz Alessandra Bedin. Mas, para ter certeza do sexo, só mesmo com 18 semanas de gestação.

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