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Adolescentes são mais propensos a provar cigarro eletrônico do que tabaco

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Cigarro eletrônico afeta adolescentes de todas as origens sociais e sexos imagem: Getty Images

Em Paris

Os adolescentes são mais propensos a provar o cigarro eletrônico do que o cigarro tradicional, mas poucos deles o adotam –segundo um estudo britânico publicado nesta quinta-feira (16).

Com base em duas pesquisas feitas com 10.600 jovens do País de Gales com idade entre dez e 16 anos, o estudo mostrou que 5,8% dos participantes com dez e 11 anos já tinham provado o cigarro eletrônico, pelo menos, uma vez, contra 1,6% que havia experimentado o cigarro convencional.

Ainda de acordo com a pesquisa, o interesse pelo cigarro eletrônico aumenta com a idade, chegando a 12,3% entre jovens entre 11 e 16 anos.

Apenas 1,5% dos jovens com 11 a 16 anos relatam o uso regular (pelo menos, mensalmente) do cigarro eletrônico. " O que sugere que o vaporizador não contribui diretamente e de forma significativa para a dependência da nicotina nos adolescentes de hoje", escrevem os autores do estudo publicado na revista médica "BMJ Open".

Eles reconhecem que os usuários regulares do cigarro eletrônico são, muitas vezes, aqueles que fumam ou já fumaram tabaco ou maconha, fato que contraria a tese de que o dispositivo seria uma porta de entrada para o tabagismo.

Os estudiosos continuam cautelosos e notam que é "possível que o uso do cigarro eletrônico e do tabaco sejam favorecidos por fatores semelhantes e ocorrem simultaneamente, sem relação de causa e efeito".

Entre outras lições tiradas do estudo, figuram a constatação de que o cigarro eletrônico é um fenômeno que afeta adolescentes de todas as origens sociais e sexos, enquanto o tabagismo continua a ser maior entre os meninos de classe trabalhadora.

"Nossos resultados sugerem que a vaporização poderia se espalhar entre os jovens e se tornar uma espécie de padrão, independentemente do status econômico e social, etnia ou gênero, como foi o caso da maconha e outras drogas recreativas na década de 1990", notam os autores do estudo, liderado pelo professor Graham Moore, da Universidade de Cardiff, no Reino Unido.

A pesquisa britânica é bastante próxima a outras publicadas nos últimos anos, mostrando um forte interesse de adolescentes pelo cigarro eletrônico, embora muitos países já tenham ou estejam prestes a legislar pela proibição do dispositivo para menores de 18 anos, como é o caso do tabaco.

De acordo com uma pesquisa da Associação Paris Sem Tabaco, realizada a partir de uma amostra representativa de 2% dos estudantes do ensino médio na capital francesa, a proporção de alunos do ensino secundário (12 a 19 anos) que já experimentou o cigarro eletrônico aumentou nos últimos anos: 39% em 2014 contra 10%, em 2011.

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