Gravidez e filhos

Chupeta-termômetro, mamadeira conectada e analisador de choro: a tecnologia desde o berço

Michael O'Donnel/Photo Zat Photo
Ao escovar os dentes, joga-se um game, em que, ganha ponto, quem capricha imagem: Michael O'Donnel/Photo Zat Photo

Padraig Belton Da BBC News

É bem possível que, um dia, seus netos fiquem espantados ao saber que você sobreviveu ao berço sem a ajuda da tecnologia digital.

Nos últimos anos, as feiras especializadas em tecnologia vêm trazendo inúmeras novidades voltadas especificamente para bebês --ou seus pais.
Barata e com baixo consumo de energia, a tecnologia bluetooth, assim como os cada vez mais presentes smartphones, vêm contribuindo para essa tendência.

Mas não é só isso. Jovens empresários da indústria são hoje pais de família e encontraram nos filhos a inspiração para novas invenções.

Assim surgiram a chupeta-termômetro, a "smartmamadeira", o analisador de choro e a escova de dentes hightech.

Chupeta-termômetro

Kirstin Hancock era vice-diretora de uma escola primária no centro de Londres. Quando seu bebê nasceu com um problema de saúde, ela e o marido decidiram fundar a Blue Maestro, empresa especializada em gadgets que utilizam tecnologia bluetooth.

"Eu media a temperatura de Olívia o tempo todo e nunca conseguia um resultado preciso", afirmou Hancock.

Da dificuldade surgiu a inspiração para a chupeta Pacif-i, que contém um termômetro e envia as medidas de temperatura para o smartphone dos pais.

Blue Maestro/Divulgação
A chupeta da Blue Maestro funciona também como termômetro imagem: Blue Maestro/Divulgação

Ela avisa aos pais quando o bebê tem febre e mostra se o remédio está ou não fazendo efeito.

Um sensor também pode ativar alarmes se a criança engatinha para fora de uma área definida.

Hancock explicou que somente nos últimos anos a tecnologia bluetooth ficou mais eficiente no uso de energia. Segundo ela, uma bateria pequena dura até o fim da vida útil da chupeta.

A chupeta deve ficar disponível no mercado nos próximos meses.

Mamadeira inteligente

O engenheiro Jacques Lépine é o diretor da empresa Slow Control, com sede em Paris. Um dia, tentava, sem sucesso, dar mamadeira ao filho.

"Minha mulher aparece de repente e não está muito contente com o que estou fazendo", contou Lépine.

A mamadeira da Slow Control indica a posição mais correta para alimentar o bebê

Ele estava segurando a mamadeira em ângulo errado, o bebê estava ficando cansado e continuava com fome.

Então, Lépine foi projetar uma mamadeira que ajusta seu próprio ângulo e depois envia informação sobre quanto o bebê mamou, e quando, para o telefone dos pais. A mamadeira Gigl já estão sendo fabricada, na China.

Embalador de sono

O físico Michael Feigenson e a especialista em literatura árabe Miriam Goldstein moram com os três filhos em Jerusalém. O aplicativo que criaram, SoundSleeper, surgiu de suas "necessidades pessoais".

Ela toca sons que ajudam bebês a dormir. Entre eles, barulho de chuva e --estranhamente-- barulho de aspirador de pó.

Um dispositivo monitora sons emitidos pelo bebê e ativa o embalador se a criança dá sinais de que está despertando.

O aparelho também acompanha e registra a quantidade de horas que o bebê dormiu.

Segundo seus inventores, um dos desafios que enfrentaram foi ensinar o aplicativo a diferenciar barulhos do bebê e o som de sirenes passando do lado de fora.

Hoje, a Soundsleeper está entre os cem aplicativos mais vendidos na AppStore.

Escova de dentes inteligente


O inventor Ethan Schur, que trabalha na empresa Grush, com sede no Vale do Silício, na Califórnia, decidiu dar uma ajudinha aos filhos pequenos na hora de escovarem os dentes.

Ele e a co-fundadora da empresa, Yong-Jing Wang, têm dois meninos pequenos que não gostam muito de escovar os dentes. Resultado? O casal acabou com uma bela conta no dentista.

A solução foi "gamificar", ou seja, criar uma escova de dentes que usa games para que a criança visualize a escovação e ganhe uma pontuação quando acaba de escovar os dentes.

A pontuação é registrada para que os pais acompanhem o progresso das crianças. Em um dos games, o usuário pode escovar monstros que estão escondidos nos seus dentes.

Schur e Wang tiveram a ideia em 2006, mas ela só pôde ser concretizada em 2013, quando várias tecnologias ficaram disponíveis --entre elas, tecnologias "wearable", ou seja, roupas e acessórios que incorporam tecnologia computadorizada, smartphones e computação em nuvem.

A escova Grush foi lançada em janeiro no Consumer Electronics Show. Ela ficou na lista dos dez produtos mais interessantes da feira, segundo a "Wired Magazine".

Analisador de choro

O engenheiro espanhol Pedro Monagas, da Universitat Politècnica de Catalunya, em Barcelona, disse que, quando seu filho nasceu, chorava muito.
Monagas gravou o choro do menino e pediu a amigos que lhe enviassem gravações do choro de seus bebês.

Ao analisar o formato das ondas sonoras, o engenheiro descobriu que lágrimas de fome, cansaço, tensão, irritação e tédio tinham formatos diferenciados.

Após realizar testes em hospitais em Barcelona, na Cidade do México e em Seul, Monagas concluiu que, com base na aparência das ondas, um programa de computador era capaz de distinguir a causa da perturbação na criança com precisão: a margem de acerto do computador era 95%.

Choro de fome é mais energético, o de cansaço soa mais como gemidos. O choro de um bebê sob estresse envolve gritos curtos e intensos, segundo as observações do engenheiro.

Monagas compara o aplicativo "WhyCry" a uma avó experiente que ajuda pais novatos a entender o choro do bebê recém nascido, até que, um dia, os pais sejam capazes de "decodificar" o choro do bebê por conta própria.

Opinião

É tolice perguntarmos se os aplicativos para bebês são bons ou ruins, disse o professor de pediatria da Universidade de Washington Dmitri Christakis.

Para ele, se comparados com um iPad ou uma televisão, que são assistidos passivamente, esses programas se diferenciam por sua interatividade e por seu ritmo mais lento.

A American Academy of Pediatrics atualmente aconselha pais a minimizarem --ou até eliminarem-- o tempo que crianças com menos de dois anos passam na frente da tela.

Entretanto, argumenta Christakis, essa orientação está ultrapassada: e se uma criança conversa com os avós que moram longe usando Skype?, pergunta o médico.

Para ele, as pesquisas sobre inovações tecnológicas estão defasadas.

Em relação aos melhores aplicativos dirigidos ao aprendizado do bebê, ele comentou: "Pode bem ser que um dia se comprove que eles trazem alguns benefícios educacionais. Isso terá de ser investigado."

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