Gravidez e filhos

Conheça os parques onde crianças brincam de trabalhar

Jaime Ruiz/BBC
No parque, as crianças podem 'brincar de trabalhar' imagem: Jaime Ruiz/BBC

Elizabeth Palacios Da BBC

Quando o empresário mexicano Xavier López Ancona, de 50 anos, era criança sonhava em ser presidente e, de alguma forma, ele conseguiu realizar o sonho. 

Como fundador e presidente do parque temático infantil Kidzania, Ancona gerencia uma série de minicidades instaladas em vários países e cada uma delas tem seu idioma, dinheiro e regras próprias.

Os parques são inspirados na realidade e colocam os visitantes, as crianças, para trabalhar imitando os papéis desempenhados por adultos no mundo real.
Dentro do parque as crianças recebem a moeda da cidade, o Kidzos, que podem gastar com os brinquedos ou usar nas experiências dentro do parque.

Entre elas, está trabalhar em uma grande variedade de empregos disponíveis, desde coleta de lixo a dentista, passando por bombeiro. Também há variedade de locais de trabalho: cabines de avião, restaurantes, rádios e teatros.

As minicidades imitam as cidades reais em quase tudo, exceto nas medidas: tudo tem um terço do tamanho normal.

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Xavier López Ancona teve que ser convencido pelo sócio a abandonar seu emprego e abrir o primeiro Kidzania imagem: Jaime Ruiz/BBC

A ideia da Kidzania, de cobrar para que crianças imitem a rotina diária dos adultos, foi um sucesso surpreendente. Desde o primeiro parque aberto em Santa Fé, nos arredores da capital mexicana, em 1999, o negócio se expandiu rapidamente.

Hoje, são 21 parques temáticos em 18 países, incluindo o Brasil. Os últimos números disponíveis, de 2014, mostram que, em apenas um deles, foram 42 milhões de visitantes.

Por ano, a empresa fatura cerca de US$ 400 milhões no mundo inteiro e emprega cerca de 2 mil pessoas apenas no México. Por ironia, Ancona nunca pensou em ter um negócio próprio.

Como sugere o lema do parque, "Prepare-se para um mundo melhor", a esperança do empresário é que o mundo em miniatura ajude a preparar as crianças para um mundo socialmente mais responsável e menos corrupto, que ofereça igualdade de oportunidade para todos.

"Acredito que as crianças merecem um mundo melhor", diz. Um grande desafio para um parque temático.

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O fato de empresas estarem ligadas ao parque gerou críticas imagem: Jaime Ruiz/BBC

No entanto, para os críticos, nem tudo parece certo. O modo como cada posto de trabalho é vinculado a uma corporação do mundo real é encarado como algo que vai na direção contrária ao ideal de Ancona.

As crianças em alguns dos parques não assam qualquer pizza, é a pizza da Domino's. Os voos são da American Airlines e a conta bancária é do HSBC, por exemplo. No Brasil, as crianças podem reconhecer marcas como TAM e Bradesco.

Estas marcas afirmam ser "patrocinadoras" e pagam para ter presença no parque. Segundo os críticos, obrigar as crianças que frequentam o parque a conhecer estas marcas quando são tão pequenos e ainda cobrar por isso é muito consumismo.

Ancona rejeita estas críticas e afirma que estas marcas fazem com que as minicidades fiquem mais realistas. Além disso, o empresário afirma que as empresas podem compartilhar seus conhecimentos específicos.

O empresário diz ainda que o parque apenas reproduz o que as crianças já vivem todos os dias nas ruas das cidades reais e em suas casas.

O início

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As crianças recebem um "pagamento" na moeda própria da Kidzania imagem: Jaime Ruiz/BBC

Quando o melhor amigo de Ancona e seu sócio, Luis Javier Laresgoiti, sugeriu a criação de um jardim infantil baseado na interpretação de papéis, o empresário rejeitou a ideia inicialmente.

Ele estava satisfeito com seu trabalho em uma empresa de capital privado e não tinha planos que abrir o próprio negócio. Mas Laresgoiti insistiu e, junto,s eles criaram a Kidzania.

No entanto, era difícil conseguir financiamento para uma nova proposta de negócios no México no fim da década de 1990.

O país ainda se recuperava da crise financeira e não havia apoio do governo.

A dupla começou aplicando todas as economias no projeto, mas não foi suficiente. Então, eles pediram ajuda a um amigo e a um dos seis irmãos de López para um investimento maior. Mas novamente ficaram sem dinheiro antes de conseguir abrir o parque.

A dupla só conseguiu o dinheiro para abrir o primeiro parque quando decidiu criar vínculos com as empresas que concordaram em pagar para ter presença no espaço.

Quase imediatamente depois disso começaram os bons resultados. As previsões iniciais de 400 mil visitantes duplicaram nos dois primeiros anos.
Em 2004, o sócio de Ancona decidiu se desligar do negócio e ir morar nos Estados Unidos, algo que o empresário afirma ter sido um dos maiores desafios que enfrentou.

O irmão de Ancona entrou no lugar como novo investidor e sócio. Depois de uma tentativa fracassada de levar o parque Kidzania para os Estados Unidos, eles se voltaram para a Ásia, algo que foi decisivo para a empreitada.

Franquias

Para tornar os parques economicamente viáveis, o empresário decidiu operar todas as unidades internacionais como franquias.

Em 2006, Ancona e o novo sócio escolheram Tóquio como o primeiro local fora do México a ter um Kidzania. De acordo com o empresário, o Japão é visto por outros países asiáticos como um pioneiro em tendências .

A aposta deu certo e, a partir de Tóquio, o empreendimento teve um rápido crescimento em toda a Ásia, com mais franquias abertas em Malásia, Tailândia e Filipinas.

A primeira capital europeia a receber o parque foi Lisboa. Desde então, a companhia se expandiu com a abertura de um parque em Londres, em 2015. 

"A Kidzania Londres vai nos ajudar a crescer mais rápido na Europa", afirmou Ancona, acrescentando que já há negociações para abrir parques na França e Itália.

Para o empresário há espaço para a criação de 80 parques no mundo todo, quatro vezes o número de parques já existentes. 

Martha Rivera-Pesquera, responsável pelo departamento de marketing do Instituto Panamericano de Alta Direção de Empresas (IPADE), afirma que o motivo do sucesso da empresa é a popularidade do chamado "edutainment", um conceito que mistura de entretenimento e educação.

Para Rivera este conceito é atraente para pais ambiciosos e para as escolas, assim como pode ser divertido para as crianças. "Também é novo e original", acrescenta a especialista, acrescentando que o fato de este conceito não envolver videogamos ou violência faz com que seja original no mundo todo.

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