Infância

Estudo descobre por que algumas crianças autistas desenvolvem mais a fala

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Crianças autistas que não falavam tinham pouca atividade neural desde bebês imagem: Getty Images

Em Washington

 

Algumas crianças autistas desenvolvem mais a capacidade de linguagem do que outras, pois desde que são bebês apresentam uma maior atividade neural nas áreas do cérebro responsáveis pela função, segundo estudo publicado, nesta quinta-feira (9), na revista científica "Cell".

Segundo um dos autores do estudo, Eric Courchesne, diretor do Centro de Autismo da Universidade da Califórnia, em San Diego, nos Estados Unidos, o autismo pode gerar consequências clínicas muito diferentes em crianças pequenas, já que algumas têm uma capacidade de linguagem desenvolvida e outras não falam.

Nos bebês com autismo que desenvolvem uma boa habilidade para falar, a atividade neural nas áreas do cérebro responsáveis pela linguagem é similar a das crianças sem o problema.

No entanto, a atividade neural nessas áreas é quase inexistente nos bebês que não falaram e terão pouca capacidade de linguagem.

"Descobrir as bases neurais mais cedo para as diferentes trajetórias de desenvolvimento abre novas vias para encontrar causas e tratamentos específicos para esses dois diferentes tipos de autismo", disse Courchesne.

Para realizar o estudo, os pesquisadores analisaram 60 crianças e bebês com autismo e 43 sem, e usaram imagens de ressonância magnética funcional, que permite mostrar as regiões cerebrais que executam uma tarefa determinada.

Para essa pesquisa, os cientistas utilizaram um método próprio do Centro de Autismo da Universidade da Califórnia, que grava a atividade cerebral enquanto os pacientes escutam contos infantis.

A capacidade de linguagem na infância demonstrou estar precedida por padrões normais de atividade neural nas regiões do cérebro envolvidas na linguagem, como a face superior do lóbulo temporal.

Por outro lado, as crianças autistas com capacidade reduzida de linguagem mostraram pouca atividade na face superior do lóbulo temporal desde que eram bebês.

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"Nosso estudo é importante porque é um dos primeiros em grande escala a identificar antecipadamente precursores neuronais que ajudam a explicar o desenvolvimento da linguagem dos bebês e crianças com autismo", afirmou Michael Lombardo, da Universidade do Chipre, que também participou do estudo.

Os pesquisadores determinaram, além disso, que, quando são combinados com testes de comportamento, as diferenças neurais poderiam ajudar a prever o desenvolvimento da linguagem na infância.

A efetividade da previsão dessa combinação foi de 80%, comparado com 68% de cada uma individualmente.

"Uma das primeiras coisas que os pais de um bebê com autismo querem saber é o que esperar do futuro de seu filho", disse a coautora do artigo e diretora do centro, Karen Piercer.

"Essas descobertas abrem uma via rumo a novos passos para diferentes tratamentos", acrescentou Piercer.

Os cientistas investigarão agora mais a fundo "os substratos neurais funcionais que precedem à heterogeneidade social e linguística no autismo", explicou o estudo.

Além disso, devem "testar a ideia de que a ativação ou a ausência dessa atividade no lóbulo temporal prediz a resposta ao tratamento em bebês com autismo", concluiu o estudo.

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