Gravidez e filhos

Saiba como prevenir os melasmas, as manchas na pele que podem surgir durante a gravidez

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Melhor maneira de proteger a face dos melasmas é evitar exposição ao sol e não se esquecer do filtro solar imagem: Thinkstock

Rosana Faria de Freitas

Do UOL, em São Paulo

Para evitar que a gravidez deixe as temidas manchas na face, é importante entender o problema e tomar as providências necessárias. A irregularidade típica dessa fase é conhecida como melasma ou cloasma gravídico, e se caracteriza por manchas provocadas pela distribuição excessiva de melanina nas duas primeiras camadas da pele, a epiderme e a derme. “Após exposição solar, o escurecimento pode surgir nas bochechas, na testa, no dorso do nariz, no queixo e acima do lábio superior”, diz a dermatologista Ana Lúcia Recio, membro das Academias Americana e Brasileira de Dermatologia. As incômodas manchas são, na verdade, uma defesa da pele contra agressões como alterações hormonais, uso de medicamentos e, principalmente, exposição ao sol. “É bom ter em mente que, se a mancha apareceu, é possível clareá-la, mas ela pode voltar se a pessoa continuar se expondo ao sol. É preciso ter cuidados a vida toda”, diz Ana Lúcia.

Os três tipos de manchas

Além dos melasmas, há também as sardas e as melanoses solares, ou manchas senis, que surgem na idade avançada em decorrência dos danos causados pelo sol ao longo dos anos. As manchas senis costumam surgir em áreas do corpo como mãos, braços, colo e ombros, e apresentam coloração que varia do castanho ao marrom.

 

O sol é o principal responsável por todos os problemas. “A radiação ultravioleta leva ao acúmulo do pigmento, pois gera a hiperatividade do melanócito”, diz a dermatologista Ana Lúcia Recio. Os tratamentos são semelhantes àqueles indicados para o melasma: cremes clareadores, peelings e alguns tipos de lasers.

Genética e hormônios
“O aumento dos hormônios femininos, estrógeno e progesterona, estimula o funcionamento do melanócito, célula da pele produtora de melanina”, diz o dermatologista Cristiano Tárzia Kakihara, membro das Sociedades Brasileiras de Dermatologia e de Cirurgia Dermatológica. Além da exposição ao sol, a lâmpadas e à radiação da tela do computador, as manchas também são desencadeadas por permanência em ambientes com temperatura elevada, distúrbios da tireóide e dos ovários e uso de medicamentos como antibióticos e anticonvulsivantes. Os melasmas são mais comuns em quem tem pele morena, e a herança genética determina se uma pessoa terá ou não tendência ao problema. A profundidade em que se localiza o pigmento determina o tipo de melasma: epidérmico, mais superficial e que, portanto, responde melhor a tratamentos; dérmico, profundo e de resolução mais difícil; ou misto. 

Quanto antes tratar, melhor
Cuidados preventivos minimizam as manchas, segundo a dermatologista Maria Paula Del Nero, membro das Academias Americana e Europeia de Dermatologia. Como o principal fator desencadeante é o sol, é importante evitar a exposição e jamais esquecer o filtro solar. “O ideal é aplicar bloqueador solar com, no mínimo, fator de proteção 30, a cada duas horas", diz a dermatologista Leila Bloch, da Sociedade Brasileira de Dermatologia. "Mesmo quem vai ficar em casa deve adotar o hábito diariamente, para se proteger da luz do computador ou até mesmo daquela que entra pela janela”, afirma. "Usar uma base pode ser interessante para unir a proteção química do filtro com a barreira física da maquiagem”, afirma Leila. Na hora de escolher a base, opte sempre por aquelas com filtro solar e que respeitem o grau de oleosidade da pele. Se estiver em área externa, procure usar óculos de sol e se proteger com chapéu ou boné.

Na hora de lavar o rosto, é preciso escolher os produtos com cuidado. “Como a pele está sensível por causa das alterações hormonais, é melhor que os produtos sejam suaves", diz o dermatologista Kakihara. "A higienização correta é fundamental, pois prepara a pele para absorver da melhor forma os ativos dos cosméticos”, afirma. Nessa fase, é comum que os especialistas prescrevam hidratantes leves e cremes clareadores. 

Cremes clareadores
São mais indicados nos casos em que há tendência genética ao problema. Tais despigmentantes devem ser prescritos pelo dermatologista, pois contêm substâncias como ácidos retinoico, salicílico, glicólico, azelaico, fítico, lático ou mandélico, que bloqueiam a produção de melanina e sua distribuição pelas células da epiderme. “Como há o risco de sensibilização, é imprescindível o acompanhamento do especialista”, diz Leila Bloch. Os resultados começam a surgir, em média, dois meses após o início do tratamento, e a eficácia desses cosméticos depende da profundidade da lesão. “Para os melasmas dérmicos, provocados pelo acúmulo de melanina na camada mais interna, o efeito não será tão bom”, diz o dermatologista Cristiano Kakihara.

Peeling
Pode ser feito durante e depois da gravidez por indicação médica. O especialista passa um preparado na face que deve ser retirado algumas horas depois. Após dois ou três dias, tem início o processo de descamação e, com isso, a remoção de pigmentos. Duas semanas depois, a superfície já está mais clara. “O ideal é que as gestantes apostem em peelings menos agressivos, ainda que tenham que fazer mais aplicações”, diz a dermatologista Ana Lúcia Recio. Dependendo da intensidade do melasma, serão necessárias de três a seis sessões, com intervalo de duas a quatro semanas entre elas. O preço varia em torno de R$ 200. O uso de protetor solar é obrigatório e a exposição ao sol é proibida por, no mínimo, um mês.

Laser 
Há diversas tecnologias que podem ser usadas pelo dermatologista. “O microdermoabrasão promove um afinamento do tecido epitelial. Além de clarear manchas, aumenta a produção de colágeno e atenua marcas de expressão”, diz Leila Bloch. Já a LIP (Luz Intensa Pulsada) gera um calor na pele que atinge vários alvos, como melanina, vasos sanguíneos e colágeno. Ambos os procedimentos minimizam o melasma em três a quatro sessões, uma vez a cada 15 ou 30 dias. Recém-chegada ao país, a tecnologia Spectra Laser Toning não esquenta a pele e atua diretamente no melanócito, reduzindo seu tamanho.  “É a melhor opção para combate aos melasmas, com estudos científicos comprovados e aprovada pelo FDA (Food and Drugs Administration, agência americana reguladora de alimentos e medicamentos)”, afirma Maria Paula Del Nero. São realizadas de oito a dez intervenções, uma por semana. “Ela preserva a pele saudável, pois os pulsos são longos e de alta intensidade, agindo nos pigmentos mais profundos e sem risco de inflamações e hiperpigmentações”. Uma sessão de microdermoabrasão ou LIP pode custar de R$ 200 a R$ 350. A do Spectra, cerca de R$ 500. 

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