Gravidez e filhos

Comportamento do casal pode definir sexo do bebê, dizem pesquisadores

Orlando/UOL
Não é saudável para os casais (nem para o futuro bebê) ficar obcecado por ter um filho de determinado sexo imagem: Orlando/UOL

Ivonete Lucirio

Do UOL, em São Paulo

Muitas pessoas sonham não só com o nascimento de um bebê, mas com o sexo dele. Não é possível escolher se você vai gerar uma menina ou um menino, mas há indícios científicos de que o comportamento dos pais aumenta a chance de ter um filho de um sexo ou outro. "Os casais não devem criar muita expectativa", alerta Julio Elito Junior, professor livre-docente do Departamento de Obstetrícia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). "Não custa nada tentar técnicas naturais, mas é bom deixar claro que a chance apenas aumenta, não há garantia alguma". Veja abaixo situações do comportamento dos pais que podem influenciar no sexo do bebê:

Mais chances de ter um menino

- Fazer sexo exatamente no dia da ovulação aumentaria a chance de ter um menino. Essa é a famosa tese do pesquisador americano Landrum Shettles, autor do livro "Como Escolher o Sexo do Seu Bebê" (Larousse). Ele observou que os espermatozoides que carregam o cromossomo Y (responsável pelo sexo masculino) são mais rápidos, porém menos resistentes. Assim, se a relação ocorrer no dia da ovulação, esse espermatozoide deve ter mais chances de fecundar o óvulo. Para saber quado vai ovular, uma mulher com ciclo normal (de 28 a 30 dias) deve contar 14 dias a partir da última menstruação. "Mas é preciso lembrar que as chances de engravidar a cada ciclo são de apenas 30%. Como o cálculo não é preciso, se o casal se preocupar demais com a data, pode deixar a ovulação passar e reduzir as chances de uma gravidez", explica Julio Elito Junior.

- Posições que permitem uma penetração mais profunda também devem favorecer a concepção de meninos, porque coloca em vantagem os espermatozoides que carregam o cromossomo Y, que são mais rápidos.

- Banho de assento com água e bicarbonato de sódio horas antes do sexo também pode aumentar a possibilidade de engravidar de um menino. Isso deixa o pH da vagina mais básico, o que facilita a movimentação dos espermatozoides com o cromossomo Y.

- Alguns pesquisadores tentam correlacionar os ciclos menstruais com o nascimento de meninos. As mulheres cujos ciclos são mais curtos, de 21 a 25 dias, teriam mais chances de engravidar de bebês do sexo masculino.

- Mulheres que têm uma dieta rica em calorias podem ter mais chances de ter meninos --por outro lado, mulheres com sobrepeso e obesas têm menos chances de engravidar. Mas um estudo realizado em 2008 pelas universidades de Exeter e Oxford, ambas na Inglaterra, demonstrou que uma dieta rica em calorias e o consumo de cereais no café da manhã podem aumentar as chances de conceber um menino. Não se sabe exatamente a explicação para isso, mas parece ter relação com a elevação dos níveis de glicose. Uma dieta rica em calorias encoraja o crescimento e desenvolvimento de embriões do sexo masculino", segundo Fiona Mathews, responsável pela pesquisa, em depoimento ao UOL Gravidez e Bebês. A dieta dos homens também parece ter influência: alimentos ricos em potássio, como carne e banana, incentivam a produção de espermatozoides com cromossomo Y, acreditam alguns pesquisadores.

Mais chances de ter uma menina

- Segundo a tese do pesquisador americano Landrum Shettles, se o casal fizer sexo dois ou três dias antes da ovulação, as chances de nascer uma menina aumentam. Isso porque os espermatozoides que carregam o cromossomo X (responsável pelo sexo feminino) são mais lentos e resistentes e, portanto, devem sobreviver até a ovulação acontecer, enquanto os que carregam o cromossomo Y provavelmente terão morrido. Para saber qual é esse período, mulheres com um ciclo normal (de 28 a 30 dias) devem contar 11 dias a partir da última menstruação.

- Se o pH da vagina estiver mais ácido, a movimentação dos espermatozoides que carregam o cromossomo Y vai ficar mais difícil, o que vai deixará aqueles com cromossomo X na vantagem. Para conseguir um ambiente mais ácido, basta um banho de assento com água e uma colher de vinagre antes do sexo.

- Homens que têm muitas irmãs devem ter mais chance de gerar uma menina.
É sabido que quem determina o sexo do bebê é o homem, visto que é o esperma que carrega o cromossomo Y. Segundo um estudo realizado pela Universidade de Newcastle, nos Estados Unidos, em 2009, essa tendência para ter filhos de um determinado sexo passa de pai para filho. "Então, se um homem tem mais irmãos, ele herda a tendência a ter mais filhos homens. Se tiver mais irmãs, [deve ter mais chances de conceber uma] menina. Eu acredito que a causa disso seja um gene que faz com que o homem produza mais espermas com o cromossomo X ou Y", disse ao UOL o pesquisador Corry Gellatly, responsável pelo estudo.

- Quando o homem tem uma dieta de alimentos ricos em magnésio, como castanhas, soja, feijão e folhas verdes, as chances de gerar uma menina podem aumentar. Esse mineral, segundo acreditam alguns especialistas, pode levar a uma produção maior de espermas que carregam cromossomos X.

Evitar doenças

Existe uma forma segura de definir o sexo da criança, e isso acontece quando se faz fertilização "in vitro". Depois que se têm os embriões, retira-se uma célula de cada um deles para ver se é masculino ou feminino.

Então, é feita a escolha de qual implantar no útero. "Mas essa técnica só é permitida em casos de doenças hereditárias ligadas ao sexo. Assim, evita-se transferir para o útero um embrião que carregue uma doença", explica Julio Elito Junior.

É o caso, por exemplo, da hemofilia. Se o pai é hemofílico, existe uma chance de 50% de transferir a doença para o filho. Mas esse mal se manifesta somente em homens. Portanto, nesse caso, é permitido implantar apenas embriões do sexo feminino na mulher. "Mas é preciso lembrar que essa técnica pode reduzir as chances de o embrião vir a se desenvolver, uma vez que houve a necessidade de manipulá-lo antes da implantação", explica Elito.

Outra técnica, também usada apenas com indicação médica, é a seleção de espermatozoides com uma propensão maior a ser de um ou de outro sexo. "Isso é feito por meio de centrifugação", explica a ginecologista e obstetra Daniella Castellotti, membro da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. O esperma que carrega o cromossomo X é mais pesado e, ao ser centrifugado, acumula-se na parte mais externa do vaso. Assim, separa-se os que têm uma tendência maior a gerar menino ou menina e pode-se fazer a inseminação artificial. "Mas a chance de acerto aumenta em 30%, e não em 100%". Ambas as técnicas só são permitidas se forem realizadas visando a prevenção de doenças hereditárias ligadas ao sexo.

 

 

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