Gestação

Atividade sexual é recomendada para gestação sem risco; veja posições mais confortáveis

Orlando
Se há liberação médica, mulheres podem manter relações sexuais ao longo da gravidez imagem: Orlando

Andrezza Czech

Do UOL, em São Paulo

Entre os mitos que cercam a gravidez, um dos mais conhecidos é aquele que afirma que a prática do sexo pode machucar o bebê –o que está longe de ser verdade. Enquanto o pênis ocupa a vagina, o feto se localiza dentro da cavidade uterina, que está separada da vagina pelo colo do útero. “Geralmente, o pênis sequer atinge ou encosta na parte externa do colo uterino, e ele não entra em contato com o bebê, a placenta ou o líquido amniótico”, diz o obstetra Daniel Rolnik, diretor do ambulatório de obstetrícia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo).

Segundo os especialistas, não há problema algum em ter atividades sexuais durante uma gestação saudável, mesmo no período mais avançado. “O sexo durante a gravidez é considerado seguro, exceto em algumas gestações de alto risco. Mas essa orientação é dada pelo médico que acompanha a gestante no pré-natal”, diz Rolnik. O UOL Gravidez e Filhos conversou com especialistas para esclarecer dúvidas frequentes das gestantes e para descobrir quais as posições mais confortáveis para elas na hora do sexo.

Quando a atividade sexual não é indicada durante a gestação? 
Somente o ginecologista que acompanha a gestante é capaz de dizer se ela poderá ter relações ou não. Segundo Rolnik, a atividade sexual é contraindicada em casos de risco de parto prematuro, rotura prematura das membranas (conhecida como “rotura da bolsa”), sangramentos vaginais, implantação baixa da placenta (placenta prévia) e em alguns casos de hipertensão arterial. O ginecologista Mariano Tamura, obstetra do Hospital Israelita Albert Einstein, recomenda que, em casos de sangramento, a gestante não tenha relação até passar por uma reavaliação com o médico.

É possível praticar sexo oral? E anal?
Os especialistas são unânimes ao dizer que o sexo oral pode ser praticado sem oferecer risco algum ao bebê ou à gestante. Já o sexo anal exige mais cuidados e, de preferência, deve ser evitado. Segundo Tamura, como a gestante tem a imunidade um pouco mais baixa do que as demais mulheres, é preciso ter mais cuidado para que não haja contaminação da região anal para a vaginal. “A proximidade do ânus com os órgãos genitais externos da mulher e a manipulação local podem levar a infecções vaginais e urinárias por bactérias da flora intestinal normal”, diz Daniel Rolnik. Além disso, a prática é pouco confortável para as gestantes, que tendem a sofrer com intestino preso e hemorroidas. Se a gestante decidir praticar sexo anal, deve fazê-lo apenas após o sexo vaginal e correr para o banho, para evitar a contaminação de bactérias –a dica vale para qualquer mulher, gestante ou não.  E não deve nunca se esquecer de usar preservativo.

É verdade que o desejo diminui no primeiro trimestre e aumenta no segundo?
É comum haver diminuição da libido em todo o período da gestação e do puerpério (as seis semanas que sucedem o parto), devido às alterações hormonais da gestação, segundo o obstetra Daniel Rolnik. “As taxas de progesterona são mais altas e a ação do estrógeno é menos evidente”, diz. “No primeiro trimestre, os níveis de progesterona são altos e ocorre o pico da produção de um hormônio chamado gonadotrofina coriônica. Essas modificações podem levar à sensação de mal-estar, enjoos, dificuldade de alimentação, dores de cabeça e dores nas mamas”. Todas essas alterações naturalmente podem fazer com que a gestante não tenha vontade de fazer sexo. 

Com a estabilização dos níveis hormonais, o segundo trimestre é aquele em que as gestantes costumam sentir maior segurança e, portanto, ficam mais à vontade para praticar sexo, segundo Rolnik. Para Tamura, o segundo trimestre é o período de maior liberdade e bem estar. “O medo de aborto já passou, a mãe passa a sentir os movimentos do bebê e ter maior segurança. A mulher acaba se sentindo melhor para tudo, até para o sexo”, diz.

Quando praticado no final da gestação, o sexo pode ajudar no parto normal?
“De maneira geral, toda atividade física leve ou moderada (incluindo o sexo) pode facilitar o parto normal”, diz Rolnik. “Além de não ser prejudicial em gestações de baixo risco, ela melhora o condicionamento físico e a massa muscular da gestante, que serão importantes no trabalho de parto”, afirma. É possível que a gestante tenha menos desejo sexual nesse período, porque tem que lidar com o tamanho da barriga, o inchaço das pernas, as contrações frequentes e a movimentação do bebê, mas, segundo Rolnik, não há contraindicações se não houver doenças e se o pré-natal tiver transcorrido sem complicações.

Há a ideia de que o sexo pode provocar contrações uterinas e levar ao parto prematuro –isso porque o orgasmo feminino causa contrações no útero e há substâncias no sêmen (principalmente as prostaglandinas) que podem estimular contrações, o que ajudaria no trabalho de parto. Mas, segundo Rolnik, a capacidade da relação sexual e do contato da mulher com o sêmen de deflagrar o trabalho de parto ainda não foi comprovada cientificamente. “Não se observa aumento das taxas de parto prematuro em gestantes que praticam sexo na gravidez, em comparação com aquelas que não praticam”, diz ele. 

Após o parto, é preciso ficar um tempo sem sexo?
Segundo o obstetra Mariano Tamura, normalmente é adequado esperar de 30 a 40 dias após o parto para voltar a ter relações sexuais. Se a mulher acabou de passar por uma cirurgia cesariana, ela tem um corte que deve ser cicatrizado. Segundo Tamura, o útero também está maior e voltando ao tamanho normal, é comum ocorrer sangramentos e a mulher está mais suscetível a infecções.

Já a gestante que passou pelo parto normal teve o colo do útero dilatado para abrir a passagem para o bebê e está mais sujeita a ação de microrganismos. Boa parte das mulheres precisa sofrer um pequeno corte no períneo para ajudar o parto normal –ou seja, mais um corte que ainda será cicatrizado. “A cicatrização deve estar completa para não haver risco, o útero deve ter regredido, assim a mulher vai estar segura e à vontade para fazer sexo”, diz ele. Segundo Tamura, há uma tendência de o desejo cair no pós-parto, devido a mudanças hormonais, e isso pode durar até três meses. 

É verdade que a lubrificação diminui depois do parto?
Sim. Segundo o obstetra Roberto Araújo Costa, docente do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da Unesp, é normal haver diminuição da lubrificação vaginal. “Isso pode se estender até a mulher começar a menstruar novamente”, diz ele. Segundo Tamura, a mulher tem maior lubrificação durante a gestação e, após o parto, há uma queda hormonal que pode levar a uma diminuição na lubrificação. “O desejo sexual não é só dirigido por hormônios, por isso é importante o casal voltar a ter um jogo de conquista, voltar a namorar, para ajudar a mulher nesse momento”, diz. 

Infográfico mostra exames que gestante deve fazer

  • Arte/UOL
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