Gravidez e filhos

Você deixaria seus filhos namorarem em casa? Regras claras evitam problemas

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Os pais devem estabelecer os limites antes da primeira visita do namorado ou namorada imagem: Thinkstock

Maria Miranda

Do UOL, em São Paulo

Seu filho adolescente começou a namorar e, com a chegada do novo membro à família, é comum surgirem dúvidas para os sogros e sogras de primeira viagem. Muitos não sabem nem se devem incentivar as visitas em casa nessa faixa de idade. Isso porque o conceito de namoro sério para os jovens é bem diferente do usado pela geração dos pais.

"O que para a gente é um tempo curto, para o adolescente é longo", diz o psiquiatra Jairo Bouer, colunista do UOL e especialista em comportamento jovem. Segundo Bouer, a maior parte dos namoros nessa idade dura de três a seis meses, em média. "Para eles, duas semanas de namoro podem ser uma eternidade."

Assim, o ideal é conhecer o novo genro ou nora sem pressa nem pressão para não parecer que a mera presença nos almoços de domingo significa coisa séria. "O importante é não deixar parecer que trazer para casa é compromisso, porque o adolescente se apaixona, termina em um mês e acha que o mundo acabou, mas logo se apaixona de novo", afirma a psicóloga Marina Vasconcellos, especializada em terapia familiar e de jovens.

O importante é não deixar parecer que trazer para casa é compromisso, porque o adolescente se apaixona, termina em um mês e acha que o mundo acabou, mas logo se apaixona de novo

Marina Vasconcellos, psicóloga


Dormir em casa
Quando o relacionamento engrena, é normal os filhos começarem a pedir para levar o namorado para dormir em casa. E é consenso entre os especialistas que essa decisão cabe exclusivamente aos pais.

"Se o pai não estiver convicto, é melhor que não abra as portas de casa", diz a educadora sexual Maria Helena Vilela, especialista em sexualidade na adolescência e diretora do Instituto Kaplan.

Maria Helena lista uma série de fatores para o desconforto dos pais: não querer que os filhos transem nessa faixa de idade, zelar pela privacidade da família e até querer evitar atritos com a família do namorado. "Se para o pai e a mãe incomoda, tem de explicar para os filhos e não tolerar que o limite seja descumprido", diz Jairo Bouer.

Escondidinho
Se já foi estabelecida a proibição de se hospedar o namorado em casa e o filho dá um jeito de burlar, é preciso ser firme. Marina Vasconcellos explica que se você já deixou clara a proibição e o filho desobedeceu, ele terá de sofrer alguma punição porque quebrou a confiança do pai.

Mesmo que não haja um castigo, o filho precisa entender os motivos dos pais para não aceitarem o hóspede –e esse entendimento é muito mais fácil quando há diálogo em vez de imposição e embate. Vasconcellos ressalta que essa conversa deve ser só entre filhos e pais. "O namorado não tem nada a ver com isso."

Processo
Os especialistas consultados concordam que é preciso um processo para estabelecer confiança até que os namorados dos filhos possam dormir na casa dos pais. "Tem de sentar com o filho e definir com eles o que é namoro estável ou não. Se o filho transforma o lar em um motel, trazendo a cada dia um parceiro, os pais podem ficar preocupados por estarem colocando gente estranha em casa", diz Jairo Bouer.

O ideal é que o relacionamento entre pais e namorado seja construído ao longo de muitos almoços em família, fins de semana juntos, algumas viagens em que o casal durma em quartos separados, até o dia em que os adolescentes poderão dividir o dormitório. Os filhos devem passar por experiências até conseguir a permissão. E são os adultos determinarão os limites que consideram toleráveis.

Bouer diz que o importante é ser coerente com as regras. Se o filho pode levar a namorada para dormir em casa, a filha também deve ter a mesma permissão. Caso contrário, é melhor não deixar nenhum dos dois.
 

Você deixaria seus filhos trazerem namorados para dormir em casa?

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Menor de idade
A psicóloga Marina Vasconcellos diz que o melhor é deixar os filhos completarem 18 anos antes de permitir que durmam com namorados em casa. "Adolescentes têm hormônio à flor da pele, não têm maturidade. É preciso orientar e mostrar que sexo faz parte do contexto de uma relação."

Já a educadora sexual Maria Helena Vilela diz que, mesmo sem autorização dos pais, e em tese da lei, os jovens já fazem sexo antes da maioridade. "É muito mais seguro que namorem em casa do que em carros, lugares públicos ou no banheiro da balada –como têm feito–, expondo-se a situações de risco". Mas Maria Helena diz achar importante que os pais dos namorados sejam avisados e deem permissão para que durmam fora de casa. "Certifique-se de que os pais do outro também estão sabendo", diz. 

Convívio
Depois de acolher os namorados dos filhos em casa, os pais precisam saber lidar com eles. É natural que o primeiro café da manhã com a presença de alguém estranho deixe todos constrangidos. Para quebrar o gelo, é bom que pais, filhos e namorados conversem, mas com o cuidado de evitar que o papo se torne um interrogatório. "Tem de ser natural. Não dá para encher a pessoa de perguntas ou ficar com cara feia. Se permitiu, permitiu", diz Marina.

Jairo Bouer compara a situação com a primeira vez que os filhos levam um colega da escola para dormir em casa. "É natural pai e mãe se sentirem incomodados no primeiro momento. Depois, se acostumam."

As regras que já existiam na casa também devem ser cumpridas pela visita e isso precisa ser explicado a ela. Mas o melhor é conversar com o filho se o hóspede for pego desrespeitando alguma norma da casa e pedir que ele explique à pessoa qual a melhor forma de agir. Se ela descumprir de novo, cabe conversar diretamente com o visitante –lembrando que o jovem não é seu filho.

Outro limite a ser estabelecido é em relação à frequência das visitas. Namorados dessa idade querem se ver todos os dias. Cabe aos pais estabelecer quantas vezes por semana o par do filho pode dormir na casa. Vale trocar figurinhas com os pais do outro e pedir ajuda para lidar com o jovem casal. 

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