Gestação

Aprenda a cuidar dos pés durante a gravidez para evitar dores e desconforto

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Modificações fisiológicas durante a gestação deixam pés mais susceptíveis a ressecamentos e inchaços imagem: Thinkstock

Simone Sayegh

Do UOL, em São Paulo

Os pés podem até ser relegados a segundo plano na correria do dia a dia, mas, quando a mulher está grávida, a falta de cuidados com essa importante parte do corpo pode ocasionar muito desconforto. E as modificações fisiológicas da gestação induzem o aparecimento muito mais frequente de ressecamentos, rachaduras, inchaços e até dores.

Segundo Rosa Maria Neme, membro da equipe médica do Hospital Israelita Albert Einstein e da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, o aumento da produção do hormônio feminino progesterona é o grande responsável pelos inchaços, que acontecem no corpo todo, não só nos pés. "O que ocorre é que a ação da gravidade faz com que pés e mãos sejam os primeiros lugares onde o inchaço se manifesta", explica.

O aumento de peso, natural nessa fase, também aumenta a pressão nos calcanhares, além da compressão das veias na região do abdome, devido ao aumento do útero e do bebê, que dificulta o retorno do sangue das pernas para o coração. De acordo com o dermatologista Adilson Costa, chefe do Serviço de Dermatologia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, toda essa pressão extra faz com que as bordas livres dos pés fiquem mais espessas e comecem a rachar. "A dica é hidratar muito e controlar, na medida do possível, o sobrepeso", explica.

O que evitar

Há diversos hidratantes e esfoliantes para pés e corpo disponíveis no mercado, mas as grávidas devem escolher produtos que não contenham concentrações de ureia acima de 3%. Segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), a substância atravessa facilmente a barreira placentária e pode causar danos ao bebê. Além da ureia, a gestante também deve ficar atenta a cremes que contenham lactato de amônio, outra substancia utilizada como coadjuvante na hidratação cutânea.


De acordo com a dermatologista Marcia Donadussi, membro das Academias Brasileira e Americana de Dermatologia, a melhor escolha são hidratantes neutros, com formulação suave. "Os esfoliantes podem ser utilizados semanalmente, mas se os pés estiverem inchados e a pele da região mais sensível, seu uso deve ser bastante cauteloso", recomenda. "Além disso, para evitar frieiras, é importante secar muito bem entre os dedos, já que toda mulher grávida é mais susceptível aos fungos."

Além do uso diário de cremes umectantes, as massagens nas pernas e pés são sempre bem-vindas. Marcia recomenda banhos de imersão com sais que ajudam a diminuir o desconforto causado pelo inchaço. A velha dica de erguer as pernas sempre que possível também é muito útil, além do uso de meias elásticas apropriadas. "Ficar muito tempo sentada ou em pé dificulta a circulação sanguínea, o ideal é alternar com exercícios leves ou pequenas caminhadas", recomenda Marcia.  

A escolha do sapato ideal também é fundamental. Rosa Maria sugere o uso de calçados baixos, mas que tenham saltos grossos, de cerca de três centímetros. Essa inclinação dos pés favorece a estabilidade na coluna lombar e oferece menos risco de desequilíbrios e quedas. "A longo prazo, os saltos muito altos ou muito baixos podem gerar dor lombar na gravidez."

Com relação à alimentação, as gestantes devem ter cuidado redobrado. Um simples salgadinho de pacote pode significar retenção de líquido e inchaço, em consequência do excesso de sódio. Uma alimentação equilibrada, como sempre, é a melhor recomendação. 

Pedicure

Não é porque a mulher está grávida que ela deve abandonar hábitos comuns de beleza, como tratar e pintar as unhas dos pés. Visitas à pedicure podem ser mantidas na gestação e todos os esmaltes estão liberados. Mas é importante lembrar que o uso de material esterilizado é uma importante questão de saúde.

"A mulher que está grávida deve evitar contaminação tanto por fungos como por vírus”, explica Marcia. Para a médica, a gestante deveria evitar o hábito comum entre as brasileiras de retirar as cutículas, já que essa pele forma uma verdadeira barreira contra a penetração dos agentes infecciosos. Além disso, o corte quadrado das unhas também diminui as chances de encravarem e infeccionarem.

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