Bebês

Se bem escolhidos, os padrinhos podem ser aliados dos pais na educação da criança

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Na hora de escolher os padrinhos, leve em conta afinidade de princípios morais e religiosos imagem: Thinkstock

Ivonete Lucirio*

Do UOL, em São Paulo

Os rituais variam de acordo com a religião, mas os padrinhos estão presentes em várias crenças, e as características que devem ser consideradas na hora de sua escolha são basicamente as mesmas, independentemente da fé. Se você está às voltas com esse dilema, é bom refletir bastante.

“Antigamente, por volta dos séculos 18 e 19, quando a expectativa de vida era baixa, esperava-se que os padrinhos viessem a substituir os pais no caso da morte deles”, afirma o reverendo Aldo Quintão, da Catedral Anglicana de São Paulo. Por isso, escolhiam-se pessoas abastadas, que pudessem arcar com o sustento da criança.

Dicas de etiqueta para a cerimônia

Qualquer que seja a religião na qual for acontecer a iniciação da criança, algumas regras podem tornar o momento do convite e a cerimônia mais agradáveis.

Quando convidar
“Geralmente, os padrinhos são escolhidos logo após o início da gravidez”, diz Sofia Rossi, consultora de boas maneiras de Brasília.

Mas não há pressa em fazer o convite, é melhor estar bem certa da decisão antes. Se a cerimônia for acontecer logo após o nascimento, é bom convidar no final da gestação.

Se for adiar um pouco o ritual, três meses de antecedência é um bom prazo para falar com os escolhidos.

Quando os escolhidos não formam um casal
“Hoje em dia isso é bastante aceito”, diz Sofia Rossi. Mas, no caso de um dos padrinhos estar em um relacionamento, é preciso consultá-lo antes para verificar se a parceira ou parceiro não ficará chateado. E não se ofenda com uma recusa.

Presentes
Geralmente, cabe aos padrinhos a compra da roupa que será usada pela criança na cerimônia. É também de bom tom dar um presente simbólico, como uma correntinha ou brinco de ouro, mas não é obrigatório.

Hoje o critério primordial deve ser a disposição da pessoa em participar do crescimento do afilhado. "Temos de escolher pessoas que sejam presentes na vida dos nossos filhos. Não precisa, necessariamente, morar na mesma cidade. Mas também não adianta falar apenas uma vez por ano, no dia do aniversário de seu filho", diz Quintão.

É importante que os padrinhos não sejam apenas decorativos, mas tenham um papel de destaque na vida da criança, sejam pessoas das quais ela possa crescer próxima e pelas quais tenha respeito. "Assim, essas figuras poderão ajudar os pais quando, por exemplo, o afilhado se tornar adolescente e começar a enfrentar as tensões características dessa fase", afirma o reverendo da Catedral Anglicana.

Para os católicos e metodistas, os padrinhos, além de queridos pela família, devem ter um vínculo forte com a religião dos pais. "A responsabilidade dessas testemunhas é instruir a criança nos caminhos da fé e ensiná-la o amor ao próximo", diz o reverendo José Geraldo Magalhães, da Igreja Metodista.

"Normalmente, a escolha está relacionada às afeições e às amizades ou, muitas vezes, ao sentimento de gratidão", diz o padre católico Danilo César dos Santos Lima, doutorado em liturgia e membro da Comissão Arquidiocesana de Liturgia de Belo Horizonte. "Entretanto, esses critérios são frágeis e insuficientes. Os padrinhos devem ser escolhidos por sua adesão à Igreja. Eles fazem uma opção pela religião no lugar da criança, que ainda não pode fazê-la."

Dom Orvandil, bispo da Diocese Brasil Central da Igreja Anglicana, em Goiânia, afirma que, além da formação religiosa, é importante que os padrinhos partilhem dos mesmos princípios morais dos pais.

Padrinhos casados ou não

A maior parte das igrejas incentiva que os padrinhos formem um casal. “No caso da religião anglicana, não há limites para o número de padrinhos. Já realizei cerimônias com até 20 casais, mas, pelo menos, um deles deve ser casado”, diz dom Orvandil.

"Quanto maior a perspectiva de permanecerem juntos, mais se adequam ao papel de padrinhos", diz Fábio Arruda, professor de etiqueta no Senac e autor do livro “Faça a Festa e Saiba o Porquê” (Senac São Paulo). Mas, socialmente, é cada vez mais aceito que os padrinhos não sejam casados ou sequer tenham um relacionamento.

Outros rituais

"O batismo é uma cerimônia tipicamente cristã porque o rito está associado ao pecado original bíblico", diz o sociólogo Reginaldo Prandi, da USP. Em religiões nas quais não existe o pecado, os ritos são outros, como no candomblé e na umbanda.

"Como são religiões muito abertas, essas cerimônias podem variar de um terreiro para outro, incluindo a participação de padrinhos. Ou seja, algumas vezes eles estão presentes e em outras não", afirma a antropóloga Zuleica Dantas Pereira Campos, da Universidade Católica de Pernambuco.

A cerimônia pode ser realizada quando criança ou quando adulta. Os padrinhos, se existirem, são alguém de extrema confiança e respeito da família. "Mas têm de ser aprovados pelo responsável pelo terreiro, geralmente por meio de jogo de búzios", fala Zuleica.

Judaísmo

No judaísmo, não existe batismo, mas no ritual de circuncisão do menino, o brit-milá –que marca a recepção oficial da criança no povo de Israel– existem três figuras que se assemelham a padrinhos: o kvater, a kvatrin e o sandek.

"Na cerimônia, há pessoas que levam o bebê para o mohel, que é quem faz o procedimento da circuncisão. Se for homem, é chamado de kvater. Se for mulher, kvatrin. Pode ser uma só pessoa ou mais de uma. Não é necessário ser judeu. Se for um homem e uma mulher, eles não precisam ser casados", afirma o rabino Uri Lam, da CIP (Congregação Israelita Paulista).

Ainda de acordo com o religioso, também na mesma cerimônia, há a figura do sandek –que precisa ser homem e judeu–, encarregado de segurar o bebê para que o mohel faça a circuncisão. "Mas nenhuma dessas pessoas têm como papel ser responsável pela criança na falta dos pais", diz Lam. Segundo Cecília Bem David, coordenadora de cursos no Centro de Cultura Judaica, em São Paulo, escolhem-se pessoas que a família quer homenagear.

*Colaborou Adriana Nogueira

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