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Vai viajar de carro com seu bebê? Veja dicas para um passeio tranquilo

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Paradas periódicas garantem mais conforto para o bebê durante a viagem de carro imagem: Thinkstock

Maria Miranda

Do UOL, em São Paulo

Feriados do mês de novembro oferecem boas oportunidades para quem quer viajar. E se você pegará estrada com seu bebê, é normal que algumas dúvidas e receios surjam. Para ajudar pais e mães nessa tarefa, o UOL Gravidez e Filhos consultou especialistas e reuniu nove dicas sobre o assunto. Acompanhe:

1) Escolha a cadeirinha com cuidado

O uso de dispositivo de retenção em veículos é obrigatório por lei até sete anos e meio desde setembro de 2010. Segundo o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), a legislação foi responsável por uma queda de 23% no número de mortes de crianças em acidentes de trânsito em comparação ao ano anterior, quando não havia regulamentação.

A chamada Lei da Cadeirinha ainda estabelece os tipos de equipamentos de acordo com a faixa etária. Segundo a medida, crianças de até 12 meses devem ser transportadas no bebê-conforto. De um a quatro anos, devem viajar em cadeirinhas. Já entre quatro e sete anos e meio, o ideal é que utilizem o booster, que é um assento elevatório.

O primeiro passo para uma viagem tranquila com seu filho é escolher o dispositivo de retenção mais adequado e nesse ponto cabe uma ressalva, feita por especialistas, à legislação. "A lei fala em idade, mas isso é um equívoco, porque os equipamentos são feitos e testados pelo peso", diz Alessandra Françoia, coordenadora nacional da ONG Criança Segura. Segundo ela, o ideal é a criança de até 13 quilos continuar no bebê-conforto e até os 25 quilos na cadeirinha.

Escolhido o tipo de assento, os pais podem tomar uma precaução extra optando por um modelo que seja certificado pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia). A entidade disponibiliza em seu site uma lista com os produtos que levam o selo de verificação, que não é mais exigido por lei.

A inclinação ideal para o uso do bebê-conforto é de 45 graus, o que evita que a criança engasgue em caso de vômito, episódio comum entre os mais novos. Outro ponto é observar se o equipamento possui proteção para o pescoço e, se não tiver, é indicado comprá-lo separadamente. "É importante apoiar a cabeça do bebê, pois, no primeiro ano de vida, cabeça e coluna são mais frágeis, além da estrutura músculo-esquelética, que ainda não está madura", diz a pediatra Flavia Jacqueline de Almeida, do Hospital Santa Isabel da Santa Casa de São Paulo.

Na hora de instalar o bebê-conforto, os pais têm de observar a posição dele no veículo. De acordo com a legislação vigente, o equipamento tem de estar colocado de costas para o sentido do movimento. Se houver cinto de três pontos no meio do banco de trás, esse é o local mais seguro para colocá-lo, segundo o Departamento de Segurança da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria).

A pediatra Silvia Rielli, do Hospital São Luiz, em São Paulo, ainda aconselha que os pais instalem a cadeirinha com antecedência, porque muitos têm dificuldade de colocá-la corretamente na primeira vez e perdem vários minutos para realizar a tarefa.

2) Companhia no banco de trás

O ideal é que algum adulto fique ao lado do bebê durante a viagem, assim ele pode garantir seu bem-estar ao longo do trajeto, como protegê-lo da exposição solar excessiva com um lençol, por exemplo.

3) Farmacinha básica

É natural que crianças fiquem enjoadas na estrada, por isso é importante ter em mãos termômetro, remédios para vômito ou enjoo e outros para febre e dor, conforme prescrição anterior do pediatra. Silvia Rielli, no entanto, contraindica remédio para enjoo em caso de bebês com menos de três meses. Mesmo para os maiores, não ministre medicamento para prevenir um possível enjoo. O remédio só deve ser usado quando a criança já tiver apresentado os sintomas.

Se seu filho vomitar, pare o carro, limpe-o, troque sua roupa e tranquilize-o. Depois, se for necessário, dê a medicação. O acompanhante deve ficar atento, pois recém-nascidos podem engasgar com o vômito. É sempre bom ter água em abundância para essas emergências e saquinhos plásticos para separar roupas e outros itens que se sujarem.


4) Descanso e distração

Os bebês e as crianças percebem a passagem do tempo de forma muito diferente dos adultos. Logo, uma viagem de uma hora pode parecer a eles bastante longa. Assim, procure evitar trajetos de mais de seis horas com os menores, embora não exista um limite estabelecido que seja considerado saudável.

Mesmo que seja uma viagem curta, pare o carro para uma pausa sempre que o bebê apresentar sinais de cansaço. “Não há frequência pré-estabelecida, depende de cada criança. O bom senso é essencial", diz o pediatra Danilo Blank, do Departamento de Segurança da SBP. Adepta de paradas a cada meia hora, Silvia Rielli diz que brinquedos e chupeta, se a criança tiver o hábito de usar, podem ajudar a distrair a criança.

Outra dica é fazer a viagem em um período do dia em que a criança costuma estar mais calma. “Fazer o bebê encarar um longo trecho de estrada em um horário no qual ele está habituado a estar mais disposto e agitado pode ser sinônimo de problema”, diz a pediatra Flavia de Almeida.

5) Alimentação e hidratação

Para evitar enjoo e mal-estar, procure alimentar a criança em intervalos curtos e em pequenas quantidades. Para as crianças que não se alimentam mais só do leite materno, o importante é levar itens não perecíveis, em recipientes que mantenham a temperatura adequada.

Alessandra Françoia, da ONG Criança Segura, diz que é fundamental parar o carro na hora de alimentar o pequeno viajante. "Não pode soltar a criança do assento. Ela ficará desprotegida". 

É essencial, ainda, hidratar o bebê frequentemente. No mínimo dez mililitros para cada quilo de peso, a cada hora viajada, segundo Danilo Blank. Por causa dos riscos de contaminação, em viagens, evite água não engarrafada.

6) Ar-condicionado, sim, mas sem exagero

A principal recomendação é cautela na regulagem do ar-condicionado. Nada de temperatura muito fria ou muito vento em cima do bebê. O ideal é que ela fique entre 23ºC e 25ºC. Leve uma manta para ajudar a manter a temperatura amena, mas cuidado para não deixar a criança passar calor. "O ar-condicionado pode e deve ser utilizado, especialmente em lugares muito quentes, pois a temperatura interna do carro agradável vai deixar a criança mais tranquila", diz a pediatra Flavia.

7) Trilha sonora

Se o bebê tem facilidade para dormir com determinada música, um bom truque a adotar para que ele descanse durante o trajeto pode ser tocá-la no carro. Dê preferência para músicas suaves ou o silêncio. Mas se for hábito da família, e não irritar a criança, os especialistas não veem problema em um som mais agitado.

8) Bagagem

Além de todos os itens já esperados na sacola do bebê, lembre-se de colocar uma roupa extra, inclusive para os acompanhantes. Imprevistos acontecem e ainda com mais frequência na estrada. Se o bebê vomitar e sujar alguém, é bom que a pessoa também tenha como se trocar.

Outras coisas que não podem faltar: toalha, material básico de higiene, casaco, touca, manta, repelente e protetor solar, se o bebê tiver idade para fazer uso desses dois últimos produtos. Não esqueça também de levar os documentos da criança.

Na hora de acomodar a bagagem, segundo Alessandra Françoia, da ONG Criança Segura, o ideal é evitar objetos soltos dentro do carro, porque eles podem ferir os passageiros em caso de freada brusca. “Deixe tudo no porta-malas e pegue só o que for necessário.”

9) Mudança de pressão

Uma das perguntas mais frequentes que a médica Silvia Rielli ouve é como contornar o desconforto provocado pela mudança de pressão na descida para o litoral ou na subida para a montanha. A especialista recomenda que o motorista dirija na menor velocidade possível para que a criança se adapte à diferença de altitude. “Nas paradas, é bom dar algo para a criança sugar, para despressurizar as vias aéreas, como a mamadeira, a chupeta ou o peito da mãe.”

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