Infância

Saiba como lidar com os gastos extras que surgem quando seu filho está na escola

Didi Cunha/UOL
Despesas com festas de colegas de classe e excursões do colégio têm de estar previstas no orçamento imagem: Didi Cunha/UOL

Ludmilla Ortiz Paiva

Do UOL, em São Paulo

Com um filho em idade escolar, seja na rede pública ou na privada, várias despesas extras se somam ao orçamento familiar. Excursões, teatro de fim de ano, aniversários de colegas de classe, festa de formatura... A lista de eventos ao longo do ano é grande. Para não comprometer a renda, os pais devem fica atentos e planejar os gastos.

"Além de matrícula e mensalidade, no caso de escolas particulares, pais e mães devem separar um dinheiro para as atividades escolares, e ele deve fazer parte do dinheiro que é reservado ao lazer da família", diz Samy Dana, professor na Escola de Economia de São Paulo da FGV (Fundação Getúlio Vargas).

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Para começar esse planejamento, uma dica é ir à escola e perguntar quantos passeios serão feitos ao longo do ano para se programar. A intenção é saber se as atividades caberão no seu bolso. Tudo bem que a escola gera esses gastos extras com a intenção de educar e socializar seus alunos, mas, se isso compromete o orçamento, é preciso dizer não. "Um filho de classe média custa mais de R$ 2 milhões no decorrer da vida", diz Dana.

Sem dinheiro, sem culpa

A psicanalista Silvana Rabello, professora da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo, afirma que é preciso ensinar sobre o limite imposto pela falta de recursos. "É fundamental na educação da criança ensiná-la a lidar com o dinheiro. Os pais têm receio, mas isso é algo que pode ser dito com a maior tranquilidade e sem sentimento de culpa. Afinal, a maioria das pessoas não pode ter tudo", declara a especialista.

Crianças menores de cinco ou seis anos podem ter dificuldade para compreender que a falta de dinheiro impede a realização do passeio com a escola, mas devem ser ensinadas mesmo assim, segundo a psiquiatra da infância Ivete Gattás, coordenadora da Upia (Unidade de Psiquiatria da Infância e Adolescência) da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Também é importante tentar compensar o filho com outras coisas que não são necessariamente dispendiosas. Dá para trocar a participação no teatro de fim de ano da escola, que geralmente requer uma fantasia caríssima, por uma sessão de cinema em casa com os colegas de classe, por exemplo. "Deve-se mostrar que você não está tirando algo porque quer. Que está disponível para fazer coisas legais para a criança", afirma Ivete.


Firmeza

Por mais que o coração aperte, os pais não devem ceder às exigências da criança. "Os filhos devem ser ouvidos, suas argumentações devem ser ponderadas, mas são os pais que dão a tônica do que pode ou não acontecer", diz Ivete.

Mesmo que a criança chore, esperneie e faça muita chantagem emocional, é preciso manter a posição. Não é apenas com o sentimento do seu filho que você está lidando, mas também com um orçamento limitado. “A serenidade e a firmeza dos pais fazem com que a criança perceba que não adianta chorar. Não sinta culpa pelo que está fazendo. Você não está errado", diz Silvana.

De acordo com Ivete, ao não ter um desejo atendido, a criança vai amadurecendo aos poucos. "Quanto mais cedo aprendemos a lidar com frustrações, menos a gente sofre. Hoje, com medo de frustrar os filhos, os pais fazem muito mais trocas materiais do que emocionais. É preciso inverter essa ordem. Explicar que existem coisas possíveis, desejáveis e há coisas que não são possíveis de serem realizadas".

Escolha

Você planejou alguns gastos extras referentes à vida escolar do seu filho, mas não conseguirá pagar –ou não quer pagar– por todos eles. O próximo passo para manter o orçamento da família equilibrado é escolher com o que gastar.

Segundo Silvana, é importante sentar, avaliar e trocar ideias com a criança. Mas, mais uma vez, caberá aos adultos a decisão final, ainda que ela dê sua opinião.

Sob controle

De acordo com o professor de economia Samy Dana, para manter as despesas sob controle, a sugestão é criar uma planilha. No documento, divida o dinheiro que entra na sua casa para gastos em três grandes áreas: custos de sobrevivência (aluguel, alimentação, água, energia elétrica), entretenimento (cinema, restaurantes, roupas, compras supérfluas) –é neste segmento que devem constar também as despesas extras da escola– e patrimônio (poupança para troca de carro ou para a compra de um imóvel).

Com a ferramenta da planilha, você evita imprevistos, negocia com os filhos sobre os passeios prioritários com antecedência e mantém o seu bolso em ordem. "Antes de aprender a lidar com as frustrações dos nossos filhos, temos de aprender a lidar com as nossas próprias. Queremos ser pais ideais, mas somos reais", diz a psiquiatra Ivete Gattás.

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