Infância

Confira cinco sugestões de brincadeiras para você tirar seu filho da frente da televisão

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Quando os pais entram na brincadeira, a criança se sente estimulada pelo exemplo imagem: Thinkstock

Ivonete Lucirio

Do UOL, em São Paulo

As crianças brasileiras assistem a cinco horas e 17 minutos de TV por dia –quantidade considerada elevada por especialistas–, segundo a pesquisa Painel Nacional de Televisão, realizada pelo Ibope em 2011. Os dados dizem respeito a crianças entre quatro e 11 anos, das classes A, B e C. O resultado, que tem implicações físicas e comportamentais, mostra que um tempo que deveria ser dedicado a brincar, atividade fundamental para o desenvolvimento infantil, está sendo consumido.

"Em frente à televisão, a criança está exposta aos apelos mercadológicos dos anunciantes de produtos e serviços. E essa publicidade tem impacto relevante sobre a obesidade infantil, a erotização precoce e o estresse familiar", afirma Gabriela Vuolo, coordenadora de mobilização do Instituto Alana, organização não-governamental que busca valorizar as vivências da infância.

Outra implicação do excesso de tempo na frente da TV, ou do videogame ou do computador, é o sedentarismo. “Vai gerar impactos na relação da criança com seu corpo, que não está em movimento o quanto deveria para essa fase essencial de crescimento e de desenvolvimento.”

Para a especialista, o uso exagerado dos meios eletrônicos afasta a criança das brincadeiras criativas e do convívio social com seus pares, por meio do qual ela teria a chance de uma relação que envolve afeto.

Brincar é preciso

Para tirar a criança da frente da TV, a ferramenta mais poderosa –e que se torna ainda mais eficiente com a participação dos pais– é estimulá-la a brincar.

"Os pais são a principal referência de modelo social e cultural, de afeto e respeito para as crianças. A relação com eles durante as brincadeiras gera um aprendizado e uma vivência cultural e afetiva indispensável para a formação da criança", afirma a terapeuta ocupacional Teresa Ruas, especialista em desenvolvimento infantil.

Como os adultos servem de exemplo, se as crianças os virem se mexendo, farão o mesmo. "Filhos que têm pais ativos apresentam mais chances de serem ativos também", diz o preparador físico Timóteo Leandro de Araújo, pesquisador do Celafiscs (Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul) e assessor científico do Agita São Paulo, programa de promoção de atividade física do centro de estudos em parceria com a Secretaria da Saúde do Estado.

Brincar para uma criança é mais do que uma maneira de passar o tempo. "A criança experimenta conhecimentos, questiona regras culturais e papéis sociais, explora suas habilidades e dificuldades motoras por meio da ação", diz a terapeuta Teresa Ruas.

Para ajudar na tarefa de tirar as crianças da frente dos meios eletrônicos, o UOL Gravidez e Filhos reuniu cinco sugestões de brincadeiras dos especialistas ouvidos nesta reportagem para pais e filhos fazerem juntos:

Amarelinha

Benefícios:
"É um exercício de salto, que melhora o condicionamento físico, além de desenvolver o equilíbrio", diz Timóteo Leandro de Araújo, do Celafiscs.

Descrição:
Na versão clássica, desenham-se quadrados no chão, numerados de um a dez, alternando quadrado sozinho e em dupla. No início do caminho haverá uma “casa” onde estará escrito “inferno” e no fim outra com a palavra “céu”. Não se esqueça de que, como você vai brincar também, é preciso que os espaços sejam adaptados ao tamanho de um adulto.

Para brincar, o adulto ou a criança deve arremessar uma pedrinha, ou algo similar, em um dos quadrados, seguindo a ordem numérica. O objetivo é completar o percurso em um pé só em todos os quadrados, menos naquele marcado pela pedrinha.

Que bicho eu sou

Benefícios:
Desenvolve a imaginação e a capacidade de raciocínio e de descrição da criança.

Descrição:
O ideal é ter, pelos menos, quatro participantes. Em uma folha de papel, escreva nomes de animais. Com uma fita adesiva, cole nas costas de cada jogador a designação de um bicho.

Os jogadores, cada um na sua vez, deverão circular pelo ambiente e fazer perguntas, uma para cada participante, para que o ajudem a descobrir que animal ele é: “Tenho quatro patas?”, “Sei latir?”. As respostas devem ser sempre “sim” ou “não”. Se o participante não acertar na primeira rodada, pode esperar que todos brinquem para ter uma nova chance.

Seguindo a sombra

Benefícios:
Afina a coordenação motora e desenvolve o respeito às regras.

Descrição:
É ideal para brincar ao ar livre em dias de sol. A brincadeira é feita com as crianças em duplas. “Uma tem de pisar na sombra da outra. Quanto mais rápida for a criança, mais difícil será acertar sua sombra”, diz a psicóloga Márcia Verstandig, especialista em terapia sistêmica familiar pela PUC de São Paulo.

O mestre mandou

Benefícios:
Desenvolve a atenção, pois é eliminado quem não cumprir as ordens ao pé da letra.

Descrição:
Um dos participantes –papel que pode ser alternado entre crianças e adultos– ficará na frente dos outros jogadores. Ele dará os comandos, mas antes dirá “O mestre mandou”. Será eliminado aquele que não cumprir a ordem ou cumprir aquela que não for precedida pelas palavras de comando.

Quanto mais difíceis forem as tarefas dadas pelo chefe, mais divertido. Ele pode pedir que os seguidores tragam objetos de determinada cor ou façam sequências de atividades, como pular em um pé só, fazendo círculos com a mão sobre a barriga, ao mesmo tempo.

Acampamento na sala

Benefícios:
Desenvolve a capacidade de organização e estimula a imaginação.

Descrição:
Escolha de preferência um dia da semana em que não seja preciso acordar cedo no dia seguinte e monte um acampamento na sala. Os sofás podem ser apoios para que se criem as barracas, montadas com lençóis ou cobertores. Nada de luz, apenas lanternas. Se tiver saco de dormir, ótimo. Do contrário, improvise com colchões. Nesse dia, substitua o jantar por um lanche tomado dentro da cabana.

 

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