Adolescência

Atualizada em 18.12.2012 23h36

Veja oito perguntas que ajudam a avaliar se o adolescente tem maturidade para viajar sozinho

Thinkstock
Os pais têm de refletir sobre como é o comportamento do filho no dia a dia antes de liberar a viagem imagem: Thinkstock

Ivonete Lucirio

Do UOL, em São Paulo

Uma hora acontece: seu filho vai viajar sem sua companhia. O ideal é que ele conquiste independência aos poucos. Quando criança, em viagens curtas supervisionadas por familiares ou com a escola. Depois, com pais de amigos. Até que esteja pronto para viajar sozinho ou apenas com amigos.

Mas como saber se o adolescente está preparado? “Hoje, o parâmetro usado pelos pais está muito mais ligado à responsabilidade do filho do que à idade”, diz o psicólogo Caio Feijó, mestre em psicologia da infância e da adolescência e autor de 14 livros, entre os quais “Os Dez Erros que os Pais Cometem” (Editora Novo Século). Abaixo você confere oito perguntas e respostas que vão ajudá-lo a avaliar se o seu filho está pronto ou não para conquistar essa autonomia.

Qual a idade ideal para permitir que o adolescente viaje sozinho ou com amigos?

Segundo a lei, jovens maiores de 12 e menores de 17 anos podem fazer viagens em território nacional portando documento de identidade ou certidão de nascimento. Nessa faixa etária, para viagens internacionais, é preciso ainda autorização, de acordo com modelo da Polícia Federal. Após os 18, são independentes.

Apesar do que diz a legislação, para a psicóloga Rita Calegari, do Hospital São Camilo, de São Paulo, o adolescente só deveria ser liberado para viajar sem supervisão após a maioridade. “Antes disso, o adulto que for o acompanhante tem de ter maturidade para saber o que fazer no caso de uma doença ou de um acidente.”

De acordo com Patrícia Gimenez, membro da SBPA (Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica), permitir ou não depende da avaliação que os pais fazem da maturidade do jovem. “Há também a questão da confiança entre eles, construída no decorrer da vida”, diz. Se essa relação for sólida, o adolescente entenderá a importância de acatar as recomendações dos pais quando estiver longe do olhar deles.

Quais sinais indicam que o jovem pode viajar desacompanhado?

Analisar o histórico de comportamento recente é o primeiro passo. “Os três principais fatores que devem ser avaliados pelos pais são nível de responsabilidade, de organização e de equilíbrio emocional”, afirma Caio Feijó.

Se seu filho sempre cumpre o que é combinado, é um bom sinal. Agora se o adolescente, quando sai com amigos, extrapola o horário estipulado ou dorme fora sem avisar, envolve-se em confusões, é melhor não liberar. “Para pessoas com esse perfil, uma viagem sem supervisão poderá ser desastrosa”, diz Feijó.

Se o jovem for do tipo que só obedece na frente dos pais, mas, na ausência deles, não segue suas recomendações, também não é hora de dar a ele essa autonomia.

Segundo Rita Calegari, antes de permitir, é necessário fazer uma revisão mental do comportamento do jovem em determinadas situações. Ele pensa na própria segurança, seja atravessando a rua ou tomando conta de seus pertences em locais públicos? Sabe lidar com dinheiro, confere troco? Tem dificuldade para pedir informações? Tem ataques diante de frustrações e não sabe lidar com limites? Tem espírito de equipe?


O que recomendar antes da viagem?

De acordo com a psicóloga Patrícia Gimenez, existem orientações que devem ser passadas durante toda a vida dos filhos. Não adianta conversar com o jovem sobre bebidas alcoólicas ou drogas apenas antes da viagem. A ansiedade natural fará com que ele nem ouça você. Esses princípios já devem estar internalizados.

Antes da viagem, vale dar dicas de como agir em situações adversas, o que fazer se for assaltado ou perder os documentos, quem procurar nessas situações. É necessário também repassar certas regras de segurança –como não andar sozinho em determinados locais–,  adequando-as à realidade do lugar onde o passeio irá ocorrer.

E se a viagem for com o namorado ou namorada?

As questões de sexualidade, como a necessidade do uso de preservativo, e de como se comportar em público, evitando cenas exageradas de intimidade, também precisam estar consolidadas na cabeça do jovem. “Os pais devem lembrar aos filhos que a viagem é uma oportunidade de viver o cotidiano em uma rotina diferente. Mas as regras que valem em casa continuam valendo no passeio”, declara Rita Calegari.

Quando é a hora certa de fazer a primeira viagem sozinho ao exterior?

Além de todas as recomendações anteriores, é preciso que o jovem se sinta confortável com a situação. “Nunca humilhe a pessoa que não consegue viajar sozinha. Cada um leva um tempo para conquistar esse tipo de coisa. Não é mérito de pessoas mais inteligentes, mas uma habilidade a ser desenvolvida”, diz Rita Calegari.

Em sua primeira experiência no exterior, o ideal é que o jovem tenha algum tipo de supervisão, como ficar hospedado na casa de uma família. Para uma viagem no estilo “mochileiro”, ele vai precisar ter muita maturidade para lidar bem com um eventual sentimento de solidão.

Como ensinar o jovem a lidar com a carência por estar longe dos pais em outro país?

A viagem deve ser uma opção do adolescente antes de tudo, o que não significa que ele não vá titubear à medida que a data de partida se aproxime. Os pais têm de se mostrar disponíveis para ouvir o filho e ampará-lo, caso ele ligue triste para casa. Mas nada de chorar ou demonstrar angústia. O que ele precisa é de uma palavra de carinho.

Os pais devem cobrar que o filho telefone todos os dias?

“Com certeza, não. Se a intenção é construir maior autonomia, é importante confiar”, diz Patrícia Gimenez. Mas uma rotina de comunicação, por telefone, Skype ou outro meio, tem de ser combinada previamente. Pode ser um contato a cada três dias ou sempre que mudar algo na rotina da viagem, como ir de uma cidade para outra. Os pais devem ainda ter o telefone do local onde o filho vai ficar e estipular uma forma de comunicação em caso de emergência.

A preparação para viajar sozinho deve começar na infância?

O ideal é que os pais habituem-se a deixar o filho ainda pequeno a fazer passeios com a escola ou com os pais de amigos. Depois, que ele durma em outras casas do círculo de confiança da família. Para tanto, a criança tem de ser ensinada a conquistar autonomia para se alimentar sozinha, vestir-se, tomar banho.

Os pais precisam educar os filhos para serem independentes à medida que crescem. Pouco a pouco, as crianças devem ser incentivadas a fazer a própria mala, a separar seus objetos de uso pessoal. “O jovem que está apto a cuidar de suas coisas é mais seguro para viajar sem os pais. Do contrário, precisará de alguém que faça o papel de babá”, diz Rita Calegari.


 

Topo