Gestação

Saiba como se divertir e relaxar na gravidez sem expor você e seu bebê a riscos

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A grávida pode se bronzear à vontade, basta que capriche na proteção solar e na ingestão de líquidos imagem: Thinkstock

Maria Laura Albuquerque

Do UOL, em São Paulo

“Gravidez não é doença.” Você já deve ter ouvido essa máxima de médicos, familiares e amigos. Mas, nesse período, a gestante precisa respeitar algumas limitações e evitar certas situações cotidianas para assegurar a própria saúde e, claro, a do bebê.

“As restrições têm a ver com males que diversas práticas podem provocar e impactar não só a vida da mãe e da criança que está no ventre, como a de toda a família que aguarda o nascimento”, afirma Eduardo Zlotnik, ginecologista, obstetra e vice-presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

Nessa etapa da vida, portanto, é essencial eleger algumas prioridades no campo do trabalho, da alimentação, da vida social e dos momentos de lazer. A respeito destes, ainda que você tenha uma gravidez considerada saudável, é necessário levar em conta mais do que bom senso e buscar informações. Não são todos os passatempos que podem ser desfrutados sem cuidados.

“A espera de um bebê não é o melhor período da vida de uma mulher sedentária para ela se tornar uma atleta, por exemplo”, declara Rômulo Negrini, mestre e especialista em medicina fetal e gestação de alto risco e professor da Santa Casa de São Paulo. Negrini diz que a observação não quer dizer que praticar atividade física seja proibido para as gestantes. Pelo contrário: o hábito é saudável, proporciona bem-estar e ajuda a amenizar desconfortos típicos da gravidez, só é preciso escolher modalidades adequadas ao momento, como a caminhada.

“A questão a ser levada em conta é que as mudanças físicas típicas da gravidez, dentre elas o aumento de peso e a perda de equilíbrio, podem dificultar a aprendizagem de uma atividade simples, como andar de bicicleta, e provocar acidentes”, afirma Ruth Hitomi Osava, professora do curso de obstetrícia da EACH (Escola de Artes, Ciências e Humanidades) da USP e presidente da Abenfo/SP (Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras do Estado de São Paulo).

A gravidez semana a semana

  • Arte/UOL

Mesmo para quem está habituada a praticar atividade física regularmente, e tem liberação médica, há restrições. De acordo com Negrini, andar de bicicleta em excesso, no fim da gestação, aumenta a chance de a mulher entrar em trabalho de parto por ser um exercício ergométrico que exige esforço dos membros inferiores. Por isso, ele recomenda que a gestante converse com o profissional que faz seu pré-natal sempre que apareçam dúvidas do gênero posso ou não posso.

“Quando algo não é proibido, porém não recomendado para grávidas, pense se o que você quer fazer é inadiável ou pode esperar o término dos nove meses. Por que arriscar?”, questiona Negrini. E, mesmo depois de dialogar com o médico e obter sua aprovação, se a gestante se sentir insegura e temerosa para praticar alguma atividade, por mais simples e inofensiva que pareça, o especialista diz que é melhor não tentar.

Leia mais recomendações dos especialistas para outros lazeres no caso de gestações saudáveis.

Frequentar sauna

A ginecologista e obstetra Patrícia Rossi, membro da Comissão de Avaliação Profissional da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), diz que não é uma atividade recomendada para a gestante. “A temperatura elevada pode baixar ainda mais a pressão arterial da grávida, que já tem tendência a ser baixa, fazendo-a se sentir mal.”

Acampar

A diversão pode ser desfrutada pelas gestantes desde que sejam considerados dois cuidados. No fim da gestação, Negrini fala que é importante não escolher um lugar isolado demais ou de difícil acesso para não se correr o risco de entrar em trabalho de parto sem receber a assistência adequada. Outra providência é buscar informações a respeito da incidência de febre amarela na região a ser visitada. “A vacina não deve ser aplicada em grávidas por conter o vírus da febre amarela vivo.” Por isso, se houver casos da doença no local, é mais prudente escolher outro destino.

Experimentar culinárias diferentes

Pratos das cozinhas indiana, vietnamita, tailandesa e chinesa estão liberados. Mas, se você já tem histórico de intolerância à pimenta, frutos do mar ou outro ingrediente, ele continua tendo de ser respeitado. O único alerta para a futura mãe tem a ver com receitas que contêm ingredientes crus ou mal passados (vegetais, legumes e carnes), por causa do risco de contrair toxoplasmose (doença infecciosa que pode ser transmitida da mulher para o feto e causar má formação do bebê), entre outros males relacionados com alimentos contaminados.

Mergulhar

O hobby aquático é proibido durante a gestação, mesmo para quem mergulhava com frequência, por vários fatores. Zlotnik, do Einstein, diz que na água, em profundidade, nosso corpo sofre uma série de alterações, que têm a ver com a variação de pressão, de oxigenação e de concentração de outros gases, que afetam o bebê. “Na superfície, com esnórquel, não há problema”, fala o especialista.

Mesmo nessa modalidade, vale ficar atenta à sua capacidade respiratória e não exagerar na dose. Ruth Hitomi Osava diz que é normal a mulher, com o avançar da gravidez, ter a capacidade respiratória reduzida e se cansar mais facilmente.

Tomar sol para se bronzear

Sem problemas. As recomendações para a futura mãe são as mesmas para qualquer pessoa: entre 10h e 16h, a exposição deve ser suspensa por causa da alta radiação UVA e UVB, proteger os olhos e a cabeça, com óculos e chapéu, e usar filtro solar em todo o corpo, seja lá qual for o horário do banho de sol.

“Inclusive na barriga. O produto fica na pele, a criança não tem contato nenhum com ele nem vai esquentar se a mãe tomar sol. O bebê está bem protegido”, diz Zlotnik, do Einstein. Por estar grávida, ele diz ser prudente ficar mais atenta ao risco de desidratação, ingerindo muito líquido, e ao surgimento de manchas na pele (em função da variação hormonal), caprichando na aplicação e reaplicação do filtro solar.

Andar de montanha-russa

Em nenhum momento da gravidez esse tipo de divertimento é liberado por inúmeras razões. No início da gestação, Negrini diz que a mulher geralmente sofre com enjoos, pode vomitar e corre o risco de aspirar o vômito, expondo a saúde dela e a do bebê. A partir da 20ª semana, a aceleração do brinquedo aumenta a chance de descolamento de placenta.

Saltar de “bungee jump”

Não é hora de experimentar a atração radical. Ruth Hitomi Osava afirma que a descompressão brusca de ar pode acarretar o descolamento da placenta e o impacto ao final da queda é também sentido pela criança. “É como soltar uma bexiga cheia de água do alto de um prédio. O líquido se movimenta de modo descontrolado.”

Ingerir bebidas alcoólicas

De jeito nenhum. Ainda que não existam testes científicos a respeito para determinar em que quantidade o álcool é prejudicial, a gestante não deve beber. “Sabemos que ele faz mal para o bebê. Mas não faz sentido fazer pesquisas com mulheres grávidas, expondo-as a bebidas, para estudar a quantidade que faz mal nem os males que podem provocar na criança”, diz Negrini.

Ir a shows de música e dançar

Essas diversões estão liberadas, desde que a futura mãe tenha o bom senso de saber seu limite para evitar dores e desconfortos para ela. Se sentir falta de ar, dor nas costas, nas pernas e nos pés, é melhor procurar algum lugar para se sentar e descansar. “O barulho e a agitação não fazem mal para o bebê, embora se saiba que, no ventre, as crianças ficam mais inquietas se expostas a músicas agitadas”, afirma a enfermeira obstetra da USP.


 


 

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