Bebês

Cuidados para manter a rotina tornam a primeira viagem de avião do bebê mais tranquila

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Mantenha os horários de alimentação do bebê e leve uma manta por causa do ar-condicionado imagem: Thinkstock

Maria Miranda

Do UOL, em São Paulo

Se você vai aproveitar as festas de fim de ano para fazer a primeira viagem de avião com seu bebê, deve estar com várias dúvidas. É seguro levar a criança no colo? Qual a idade mínima para voar? O que fazer para amenizar a pressão no ouvido?

Para tornar essa aventura a 11 mil metros de altura menos turbulenta, o UOL Gravidez e Filhos consultou médicos, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), companhias aéreas e esclarece as principais dúvidas. Acompanhe:

Idade mínima para viajar

A pergunta mais frequente em relação a viagens de avião ouvida pelos pediatras é quanto tempo deve-se esperar para voar com o bebê. Não há um consenso, mas os três médicos ouvidos pela reportagem recomendam, como medida de precaução, não viajar logo após o nascimento.

“Do ponto de vista científico, não existe contraindicação para que a criança viaje assim que nascer”, afirma a médica Vânia Melhado, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Aeroespacial. Apesar da afirmação, ela sugere esperar sete dias para avaliar se o bebê tem alguma doença que não foi diagnosticada.

O mesmo período está indicado na Cartilha de Medicina Aeroespacial, feita pelo CFM (Conselho Federal de Medicina), documento que considera a fragilidade do bebê durante esse período.

O pediatra Ary Lopes Cardoso, chefe da unidade de nutrologia do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da USP, diz que o bom senso da mãe basta para definir quando é o momento para o primeiro voo.

“Um paciente meu, que hoje tem cinco anos, viajou pela primeira vez de avião aos 15 dias de vida. Desde então, todo fim de semana, ele vai e volta de avião para a Argentina com a mãe. Ele viajou mais do que piloto de avião e nunca teve nenhum problema”, declara Cardoso.

Para o médico e professor Cid Pinheiro, coordenador da equipe de pediatria do Hospital São Luiz, em São Paulo, os pais devem agir com cautela e viajar com os filhos menores de dois meses apenas como uma exceção.

“Não é proibido, mas, quando a criança é muito nova, a imunidade não está muito bem formada e ela tem certa facilidade para adquirir infecções. Por isso é bom evitar lugares fechados e aglomerações”, fala Pinheiro.

Tempo de voo

Para os pais que estão preocupados com a duração da viagem, os especialistas são unânimes em dizer que esse aspecto não faz muita diferença para o pequeno viajante.

Atualmente, algumas companhias aéreas oferecem berços e bebês-conforto para as crianças, o que facilita para que durmam a maior parte do voo. É preciso, no entanto, reservar com antecedência. Cada empresa tem seus procedimentos de cobrança por esses serviços, que devem ser consultados em seus sites. Reservar as poltronas da frente é uma medida que pode ajudar os adultos a terem mais espaço para cuidar do bebê.

Outra recomendação do pediatra Cid Pinheiro é evitar que a criança tire uma soneca logo antes de entrar no avião. A intenção é que ela fique cansada e, no ar, acabe dormindo por várias horas.

Pinheiro também diz que é bom levar brinquedos para distrair o bebê durante a viagem, especialmente para os maiores, que costumam ficar mais agitados. “Se a mãe levar um tablet com aplicativos infantis e desenhos, a criança nem vai perceber que está viajando”, afirma o pediatra Ary Lopes Cardoso.

Rotina

Evitar sair muito da rotina é outro ponto que ajuda a tranquilizar o bebê durante o voo, afinal a própria viagem é uma quebra de hábitos para ele. Para tanto, os médicos aconselham os pais a procurar seguir os horários nos quais o filho costuma comer em casa e dar a ele o mesmo tipo de alimentação. Segundo a médica Vânia Melhado, mudanças na rotina do bebê podem prejudicar seu sono e a forma como se alimenta.

Alimentação

A Anac e as companhias aéreas não colocam nenhuma restrição quanto à quantidade de leite, água, mamadeiras e papinhas que os pais podem transportar como bagagem de mão, mesmo em viagens internacionais. Também não há qualquer proibição de amamentar o bebê durante a viagem, inclusive no pouso e na decolagem.

Os pais ainda podem se informar se a companhia aérea pela qual vão viajar oferece refeições especiais para bebês, o que costuma ser disponibilizado por muitas empresas, principalmente nas que operam em rotas no exterior.

Pressão nos ouvidos e na barriga

Assim como os adultos, os bebês também sentem pressão nos ouvidos durante a subida e a descida dos aviões, por causa da expansão dos gases com a mudança de altitude da aeronave.

“É muito comum a gente ver crianças chorando principalmente perto do momento de pousar. Elas sentem desconforto e não dá para avaliar o grau da sensação”, diz Vânia Melhado. A médica afirma que amamentar, dar chupeta ou mamadeira para o bebê faz com que a sucção alivie a pressão no ouvido. Outra solução, segundo a Cartilha de Medicina Aeroespacial, é que ele tome água na hora da mudança de altitude.

O pediatra Ary Cardoso declara que a própria criança tem seus mecanismos para aliviar o desconforto. “Ela mesma vai bocejar. É um ato quase automático: ficar abrindo e fechando a boca até que as pressões se equilibrem.”

No caso de o bebê estar com o nariz entupido, é bom levar um descongestionante nasal prescrito pelo pediatra na bolsa de mão. Nesse caso, como acontece com os adultos, o sofrimento é muito maior. O medicamento deve ser aplicado 30 minutos antes do pouso.

 

Remédios e doenças

Vânia Melhado afirma que a mesma expansão de gases que ocorre no ouvido acontece também no abdome da criança. Por isso, para viajar, ela deve usar roupas confortáveis e não ter tomado tomar nenhum líquido gaseificado no dia.

A médica conta que já recebeu ligações de pais que queriam viajar de qualquer jeito, mesmo com o filho com catapora. Segundo a Vânia, se a criança estiver com alguma infecção, não pode voar.

“O pai deve ir ao médico, em um posto do aeroporto, para avaliar o estado do filho. Não pode forçar a situação de querer viajar com a criança com infecção, porque ela vai piorar”, afirma a médica.

Se o bebê estiver tomando algum medicamento, este deve estar na sacola de mão, com a respectiva receita. E os pais devem ministrar o remédio no horário correto. Segundo o pediatra Cid Pinheiro, é bom levar ainda um antitérmico para o caso de ele apresentar febre no voo.

Na sacola do bebê

Além do básico, que nunca sai das sacolas dos bebês –termômetro, kit com medicamentos essenciais prescritos pelo pediatra, trocas de roupas, brinquedos, fraldas e outros produtos de higiene–, os médicos afirmam que, em viagens de avião, uma manta extra é bem-vinda por causa do ar-condicionado. Na bagagem não deve faltar ainda um documento da criança, que pode ser a certidão de nascimento, original ou cópia autenticada.

“Tem de ter bom senso. Se vai viajar para um lugar onde estará frio, é bom levar uma muda de roupa para o filho sair do avião sem enfrentar uma mudança muito brusca de temperatura”, declara o médico Ary Cardoso.

Conforto e segurança

De acordo com a Anac, os bebês até dois anos podem ser transportados no colo dos pais. Nesse caso, a tarifa da criança não pode ultrapassar 10% do valor pago pelo adulto.

A maioria das companhias aéreas não cobra nada pelo bebê transportado no colo da mãe, e os comissários de bordo são treinados para orientar os pais sobre a forma mais adequada de segurar a criança.

Embora não seja obrigatória, como nos veículos automotores, a cadeirinha é a melhor maneira de transportar os bebês em um voo, segundo os médicos ouvidos nesta reportagem.

“O transporte aéreo é muito mais seguro do que o automotor, mas é evidente que seria melhor se tivesse o assento de segurança. O colo da mãe não é o melhor lugar”, afirma o pediatra Cid Pinheiro.

Para a médica Vânia Melhado, no colo, a criança fica muito vulnerável em caso de pouso forçado ou acidente. Na opinião dela, as cadeirinhas deveriam ser obrigatórias nos aviões.

O dispositivo de retenção para bebê de até dois anos é permitido pela Anac desde que caiba na poltrona da aeronave e seja certificado para uso aeronáutico. Nesse caso, como o equipamento ficará em um assento próprio, normalmente é cobrada uma passagem inteira para a criança.


 

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