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Aproveite a primeira ida do bebê à praia com segurança

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Pais devem conferir condições de limpeza da praia para que o bebê possa molhar os pés na água imagem: Thinsktock

Maria Miranda

Do UOL, em São Paulo

Se você está planejando levar seu bebê à praia pela primeira vez neste verão, várias dúvidas sobre a viabilidade e a segurança do passeio para seu filho devem estar povoando sua cabeça no momento. Para ajudá-lo, o UOL Gravidez e Filhos conversou com pediatras para responder às questões mais comuns.

A partir de que idade meu bebê pode ir à praia?

Não existe um consenso entre os especialistas. Para Flávia Jacqueline de Almeida, professora de pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, que também é pediatra do Hospital Santa Isabel, da Santa Casa, o bebê pode ir à praia a partir dos seis meses de vida. A partir dos dois meses, ela diz achar possível dar uma voltinha no carrinho no final do dia, sem longa exposição ao sol.

Sandra de Oliveira, pediatra da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), afirma que, a partir do primeiro mês, pode-se levar o bebê para um passeio breve, obedecendo o horário recomendado (leia abaixo). A partir do sexto, ele pode ficar na praia com os pais, no colo ou no carrinho, por até uma hora, evitando contato prolongado com a areia e a água do mar. "Pode deixar sentar na areia ou molhar o pé por alguns minutos para tirar uma foto, mas, além disso, não faz sentido, já que para o bebê não vai ser proveitoso." Segundo a especialista, as crianças só passam a se divertir na praia quando começam a andar.

Para Leda Amar de Aquino, membro do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), o recomendável é levar o bebê somente após os nove meses, quando ele aproveitará mais o passeio. “Nessa idade, ele poderá brincar na areia e entrar no mar com os adultos. Com certeza, colocará a mão na boca e a gente já não precisa ter tanto medo em relação a isso tudo.”

Camila Reibscheid, pediatra do Hospital São Luiz, na capital paulista, vai um pouco além, recomendando que se espere até o décimo mês para levar o bebê à praia. Portanto, quanto maior a criança for, mais seguro é o programa.

Qualquer praia é boa?

Os pais devem escolher uma praia que não esteja com areia poluída nem com a água imprópria para o banho. Um litoral poluído pode fazer com que a criança tenha gastroenterite ou doenças de pele, como bicho geográfico, entre outros problemas. Confira as condições das praias do litoral brasileiro.

O que não pode faltar na sacola do bebê?

Protetor solar próprio para bebês ou crianças, camisetas leves e claras, bonés ou chapéus, fraldas próprias para a água, toalhas e brinquedos. Para crianças com mais de um ano, leve também um repelente.

Qual é o melhor horário para passear sob o sol?

Os horários adequados são antes das 10h e depois das 16h –para todo mundo, independentemente da idade. A pediatra Leda Aquino recomenda preferencialmente o intervalo das 8h às 9h, porque em outros horários, mesmo que o bebê esteja protegido, o calor pode fazer mal a ele.

Camila Reibscheid afirma ainda que os bebês menores não devem ficar mais de 15 minutos expostos ao sol. Para uma criança de um ano, a exposição não deve passar de uma hora. E, em todos os casos, é preciso que esteja devidamente protegido, com boné ou chapéu, camiseta clara e fresca e, caso tenha mais de seis meses, protetor solar.

Para Sandra, da Unifesp, a criança que tem de seis meses a um ano pode passear por até uma hora. Já quem tiver de um a dois anos, pode permanecer na praia até, no máximo, três horas. Segundo a pediatra, não existe uma temperatura limite a ser observada, mas, a partir dos 27°C, a criança deve beber água com mais frequência.

 

 

Posso usar qualquer protetor solar?

Não. Segundo a pediatra Flávia Almeida, a recomendação é aplicar protetor somente em bebês com mais de seis meses. “Antes disso, a pele é muito sensível, por isso não se deve utilizar.”

A partir do sexto mês, o protetor deve ser dos tipos próprios para bebês e crianças, que não provocam ardência nos olhos. O protetor para bebês é um filtro físico, que forma uma barreira na pele, e deve ser trocado com frequência. Já os outros protetores formam uma barreira química, por isso devem ser aplicados em crianças maiores. O fator de proteção mínima deve ser 30, que, para Flávia, em geral é suficiente. “Acima do 30 não há grande benefício de proteção e aumenta muito a quantidade de produto químico.”

Além disso, ela afirma que é importante passar o protetor nos pés, nas mãos, nas orelhas e em outras partes do corpo que costumam ficar esquecidas e são grandes vítimas de queimaduras de sol. O protetor deve ser aplicado 30 minutos antes da exposição solar e reaplicado a cada duas horas ou depois de o bebê entrar na água.

E repelente, posso passar?

Apesar de picadas de mosquitos serem muito comuns na praia, os repelentes, em geral, possuem muitos produtos químicos que podem irritar a pele do bebê. De acordo com a pediatra Camila Reibscheid, eles só são indicados para os maiores de um ano.

Sandra de Oliveira, da Unifesp, afirma que existem no mercado repelentes mais leves que podem ser aplicados em bebês a partir dos seis meses, mas o pediatra deve ser consultado sobre seu uso. "Vale lembrar que, com o suor, o repelente pode escorrer para os olhos ou a criança pode colocar a mão na boca, por isso são mais indicados protetores físicos contra insetos, como telas, mosquiteiros. Em casa, pode-se usar os inseticidas de tomada", diz.

Como deve ser a alimentação do bebê na praia?

Líquidos são fundamentais, o tempo todo. A criança, que não mama exclusivamente no peito, pode beber, além de água, sucos e água de coco, mas é importante levar de casa em garrafas térmicas para ter certeza da procedência.

Camila Reibscheid diz que os líquidos devem ser consumidos a cada 30 minutos, evitando refrigerantes e picolés em excesso. Se a criança tiver vômito ou diarreia, precisa do máximo possível de hidratação, inclusive com soro caseiro.

Para as crianças que já comem alimentos sólidos, Aquino recomenda que não sejam oferecidos comidas vendidas na praia. “Principalmente sanduíches feitos à base de maionese”, diz.

Flávia Almeida afirma também que se deve procurar manter a rotina da criança, com seus horários de alimentação. Nada de imitar os adultos, que, muitas vezes, nem se importam em almoçar e ficam beliscando petiscos o dia inteiro.

Por fim, os especialistas aconselham que os pais fiquem atentos aos filhos. A praia é um ambiente amplo e repleto de perigos para as crianças, que podem se perder ou se afogar, se forem para a água sem supervisão. Cães soltos, animais como caranguejos e objetos pontiagudos escondidos na areia também podem provocar acidentes. Além disso, deve-se ter sempre água doce por perto e, com ela, lavar constantemente as mãos e os objetos das crianças para retirar areia e outras sujeiras.


 

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