Infância

Para curtir a praia com criança, cuidados começam em casa

Thinkstock
Antes de sair de casa, tomar um café da manhã saudável e aplicar filtro solar são atitudes fundamentais imagem: Thinkstock

Sheila Fernandes

Do UOL, em São Paulo

As praias são o destino de muitas famílias no verão. Mas quando se viaja com crianças adotar certas medidas é fundamental para que o passeio não vire motivo de preocupação. Alguns cuidados começam antes mesmo de pisar na areia.

De acordo com Sandra de Oliveira Campos, pediatra da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), a criança precisa se alimentar bem. Nada de estômago vazio antes de ir à praia ou à piscina. No cardápio matinal, priorize alimentos leves e saudáveis, como frutas.
 
Outra providência é aplicar protetor solar. De acordo com a SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia), para serem eficientes, todos os filtros solares devem ser aplicados 30 minutos antes da exposição ao sol, com uma camada espessa, e reaplicados a cada duas horas, após entrada na água ou transpiração excessiva. Lembre-se de que bebês menores de seis meses não podem usar o produto.
 
Mesmo empolgadas com o passeio, crianças precisam descansar entre um período e outro durante a exposição solar. "Elas precisam repor as energias. É o momento de se alimentar adequadamente em casa e de se manter longe do sol em horários indevidos. Quanto menor a criança, mais tempo de descanso ela deve ter", afirma a pediatra Sandra de Oliveira Campos.
 

Cuidados com o sol

Fonte de vitamina D, o sol faz bem à saúde da garotada desde que se respeite os horários de exposição: até as 10h e depois das 16h, seja qual for a idade do seu filho, e sempre utilizando filtro solar. Vale dizer que a reaplicação periódica é obrigatória, mesmo para os produtos com fatores de proteção altos. A eficiência do protetor ainda depende da aplicação correta, que deve ser feita com atenção em regiões mais vulneráveis a queimaduras, como orelhas, pés e dobras.
 
Para garantir uma exposição solar segura, além do uso de filtro, é necessário não esquecer do guarda-sol e de colocar um boné ou chapéu na criança, acessório que diminui a incidência de luz nos olhos e serve de proteção para o nariz. “A pele do rosto é muito fina, por isso é mais comum ficar avermelhada. Para evitar esse tipo de queimadura, é bom usar um protetor solar mais forte nessa região e reforçar a aplicação com mais frequência”, diz a pediatra.
 

Hidratação

Sob o sol forte, é preciso não descuidar da hidratação da criança. Distraídas com as brincadeiras na areia e na água, ela dificilmente se lembrará de pedir algo para beber, por isso, principalmente com os menores de seis anos, ofereça algum líquido a cada meia hora.
 
A recomendação é investir nas opções saudáveis: água, sucos e água de coco naturais, gelatina, picolés de frutas e as próprias frutas, como melancia, melão, laranja e abacaxi, que possuem grande quantidade de água em sua composição. Se optar pelas frutas in natura, uma dica é cortá-las e colocá-las em recipientes de plástico com tampa, dentro de uma bolsa térmica com gelo, para levar à praia, o que manterá o alimento fresco.
 
Segundo a pediatra da Unifesp, crianças com lábios secos e sede constante podem estar desidratadas. Outro indício de que seu filho pode não estar com o volume adequado de líquido no organismo é a urina dele. "Um bom parâmetro é o xixi bem clarinho -quem não está bem hidratado produz uma urina de cor mais forte; daí basta oferecer mais líquido."
 

Alimentação

A recomendação principal dos especialistas é ser bastante criterioso ao escolher o que vai dar para a criança comer na praia. Nada de ingerir alimentos de barraquinhas que deixam a comida exposta, sem refrigeração e com higiene duvidosa. Dê preferência para alimentos procedentes de embalagens lacradas e com data de validade, como biscoito de polvilho.
 
Na hora do almoço, ofereça refeições leves. "Escolha sempre legumes para compor os pratos. Eles são ricos em água e de fácil digestão", afirma o pediatra Jorge Huberman, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.
 

Alergia

Brincar com areia faz parte do pacote de diversão da criança na praia, mas para evitar que os menores, até seis anos, desenvolvam algum tipo de alergia é bom ter por perto água doce para lavá-los de tempos em tempos para tirar o excesso.
 
Também oriente e supervisione seu filho para que ele não queira pôr em prática a corriqueira brincadeira de cavar um buraco, entrar dentro dele e ser coberto por areia, ficando só com a cabeça de fora.
 
Além do perigo de a maré subir, há o risco de o local estar contaminado com fezes de cachorros e gatos, o que pode provocar infecção por bicho geográfico, entre outros problemas causados por parasitas.
 
Assim como o protetor solar, o repelente é outro item necessário ao ir à praia com crianças, mas seu uso só é liberado para aquelas com mais de seis meses. Antes disso, por causa de sua composição química, pode causar reação alérgica.
 
O pediatra Jorge Huberman diz que se deve usar o produto principalmente no início e no final do dia, períodos em que os insetos costumam atacar mais.  Outra orientação é usar o repelente primeiro e só depois o filtro solar, já que este, para proteger adequadamente, precisa estar na superfície da pele. Em casa, nesses horários e pelo mesmo motivo, é bom fechar as janelas dos ambientes. O especialista ainda recomenda o uso contínuo do repelente de tomada. 
 

Segurança

Para que os momentos na praia sejam só de diversão, os pais podem adotar algumas medidas simples para garantir a segurança da criança. No verão do ano passado, 1.161 crianças desapareceram momentaneamente e acabaram perdidas dos adultos responsáveis em praias do litoral paulista, segundo o Grupamento de Bombeiros Marítimo do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo. Felizmente todas foram devolvidas às suas famílias.
 
Para que isso não aconteça com você, assim que chegar à praia, vá direto ao posto de salva-vidas mais próximo e retire uma pulseirinha de identificação. Nela deve-se colocar o nome da criança, do responsável e telefone para contato.
 
Na maioria das vezes, as crianças perdem-se quando vão para o mar, ainda que somente no raso e com o consentimento dos pais. “A criança escolhe o guarda-sol que está com a família como referência, só que ela vai para a água e a maré acaba levando-a para a lateral. Ela começa a andar para procurar onde estava e se perde ainda mais. Por isso a orientação é nunca deixar uma criança sozinha. Ela tem de estar sempre acompanhada por um adulto”, afirma o tenente Freire do Grupamento de Bombeiros Marítimo.
 
Segundo o Corpo de Bombeiros, coletes salva-vidas e boias de braço são bons recursos de segurança, mas a corporação desaconselha qualquer objeto flutuante na água. “Quem usa um colchão, uma cadeira ou boia perde o contato com o solo e acaba sendo arrastado mar adentro. O ideal é que a criança mesmo dentro da água sempre esteja com os pés na areia”, diz Freire.
 
Topo