Infância

Conheça a escola de seu filho e colabore com seu aprendizado

Thinkstock
Entenda as diferentes abordagens pedagógicas, como tradicional, construtivista, montessoriana e waldorf imagem: Thinkstock

Maria Miranda

Do UOL, em São Paulo

Escolher a primeira escola do filho ou a nova (após um período em outra instituição) requer optar por uma linha pedagógica que definirá a maneira pela qual a criança será ensinada. Conhecer o colégio e se identificar com seus valores são formas de colaborar com o aprendizado.

No Brasil, atualmente, existem diversas abordagens pedagógicas, como tradicional, construtivista, montessoriana, waldorf, entre outras. No entanto, muitas são parecidas em vários aspectos e é comum que apareçam de forma mesclada nas escolas.
 
A seguir, o UOL Gravidez e Filhos reuniu informações sobre as principais linhas pedagógicas.
 

Tradicional

É a abordagem predominante no país e por isso mesmo a mais conhecida dos pais. Nas escolas tradicionais, o foco está no professor, que detém conhecimentos e repassa ao aluno. O estudante tem metas a cumprir dentro de determinados prazos, que são verificadas por meio de avaliações periódicas.
 
Quem não atinge a nota mínima necessária no conjunto de avaliações ao longo do ano que está cursando é reprovado e tem de refazê-lo.
 
É comum que essas escolas usem apostilas e cartilhas, que estabelecem o quanto a criança deve aprender em cada ano. É uma filosofia que valoriza a quantidade de conteúdo ensinada.
 
Essas instituições são voltadas para o sucesso do aluno em provas como o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e o vestibular.
 

Construtivista

Nas instituições que seguem os princípios construtivistas, o conhecimento é ativamente construído pelo sujeito e não passivamente recebido do professor ou do ambiente. Cada estudante é visto como alguém com um tempo único de aprendizado e o trabalho em grupo é valorizado.
 
Nas escolas construtivistas, são criadas situações em que o estudante é estimulado a pensar e a solucionar problemas propostos. Também há provas e reprovação nessas instituições.
 
As ideias do biólogo suíço Jean Piaget (1896-1980) norteiam as escolas que se denominam construtivistas e por isso é comum que elas se apresentem também como escolas piagetianas.
 
Uma variação do construtivismo é o sociointeracionismo, originário do trabalho do psicólogo bielo-russo Lev Vygotsky (1896-1934). O especialista atribuía um papel preponderante às relações sociais na aprendizagem, enquanto Piaget dava mais importância aos processos internos de cada aluno.
 

Montessoriano

Na escola montessoriana, baseada na filosofia da pesquisadora italiana Maria Montessori (1870-1952), a criança deve buscar sua autoformação e construção e os adultos têm de ajudá-la nesse processo, favorecendo o desenvolvimento de indivíduos criativos, independentes, confiantes e com iniciativa.
 
Segundo o método montessori, é agindo que o aluno adquire conhecimentos. As crianças escolhem as atividades que querem fazer. Ao adulto cabe ordenar o trabalho com gradação de dificuldade crescente, respeitando o ritmo de cada aprendiz e sem intervenções indevidas. As classes têm crianças de idades diferentes.
 
Incentiva-se o trabalho em grupo e todos os estudantes são estimulados da mesma maneira.
 
Para auxiliar na aprendizagem, Maria Montessori criou vários materiais. Um dos mais famosos é o Material Dourado, composto por cubos, placas, barras e cubinhos, que têm o objetivo de facilitar o entendimento das operações matemáticas.
 

Waldorf

Na metodologia de ensino waldorf –desenvolvida pelo filósofo austríaco Rudolf Steiner (1861-1925)–, procura-se equilibrar os aspectos cognitivos (capacidade de aquisição de conhecimento) com o desenvolvimento de habilidades artísticas, musicais, de movimentação e de dramatização. Considera-se cada aluno como um ser único, que é acompanhado de forma próxima.
 
São aplicados testes e provas em algumas matérias, especialmente no ensino médio, e, em alguns casos, nas últimas séries do ensino fundamental. Mas a avaliação do aluno também engloba a execução de trabalhos, o grau de dificuldade que o estudante tem com o assunto, o empenho em aprender e o comportamento. Os pais recebem avaliações trimestrais com a descrição da atitude de seus filhos diante das tarefas solicitadas no período. O professor permanece com a mesma turma por toda uma etapa (por exemplo, os nove anos do ensino fundamental).
 
No ensino fundamental, o currículo inclui astronomia, meteorologia, jardinagem, artes e trabalhos manuais, como tricô e crochê, além das disciplinas exigidas pela Lei de Diretrizes e Bases (legislação que regulamenta o sistema  educacional do Brasil).
 
No ensino médio, há currículos integrados de humanidades (história, geografia, literatura), de ciências (física, biologia, química, geologia, matemática), de artes e ofícios (com modalidades como tecelagem e encadernação), artes dramáticas, educação física e línguas estrangeiras.
 

Freinet

Outro pensador que costuma nortear o trabalho de algumas escolas é o pedagogo francês Célestin Freinet (1896-1966), mas sem dar nome exatamente a uma linha pedagógica.
 
Nas instituições que colocam em prática conceitos de Freinet, o aprendizado acontece por meio do trabalho e da cooperação.
 
Nesse tipo de escola, a criança é incentivada a compartilhar suas produções com os colegas, sejam eles de sua classe, de outras ou de escolas diferentes.
 
As avaliações levam em conta o progresso do aluno em comparação ao seu desempenho anterior e não em relação com os demais.
 
Estudos de campo (aulas em que os estudantes são levados em algum lugar específico para aprender determinada matéria, como um parque, por exemplo), elaboração de jornais em grupo e debates são atividades comuns em escolas que se identificam com o pensamento de Freinet, que valoriza o desenvolvimento da capacidade de análise pelos estudantes.
 
Fonte: Simone Ferreira, psicóloga especialista em educação; Regina de Assis, doutora em educação e relatora da primeira versão das Diretrizes Curriculares Nacionais do CNE (Conselho Nacional de Educação) para educação infantil e fundamental; Vandeí Pinto da Silva, professor do Departamento de Didática da Unesp de Marília, em São Paulo, e o educador Antonio Ponce, coordenador da Federação das Escolas Waldorf no Brasil.
Topo