Gravidez e filhos

Circo proporciona desenvolvimento motor em clima de brincadeira

Marcelle Souza

Do UOL, em São Paulo

O picadeiro está montado: tecido, colchões, malabares e cama elástica, mas o espetáculo hoje não é para o grande público. As crianças ocupam a sala e, em poucos minutos, transformam o que era uma aula de circo em uma grande e divertida brincadeira.

“É uma atividade física divertida, rica em movimentos e em expressão artística. Além disso, não há uma competição, ao contrário, ensinamos que trabalhamos para o outro e não contra o outro”, afirma Alex Marinho, diretor da escola Galpão do Circo, na Vila Madalena, na zona oeste de São Paulo. Assim, a aula para crianças ajuda o desenvolvimento de habilidades motoras em um universo lúdico, que incentiva a criatividade.

As escolas costumam oferecer turmas para crianças a partir dos três anos, mas não pense que elas começam aprendendo um pouco de tudo. As aulas para os menores de seis anos têm várias limitações, a fim de respeitar o desenvolvimento físico dos pequenos aprendizes.


“Antes dos cinco ou seis anos, as crianças podem fazer exercícios físicos, mas ainda não possuem a habilidade e o equilíbrio exigidos para executar algumas técnicas de circo”, afirma a médica Beatriz Perondi, especialista em medicina esportiva do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Desse modo, as aulas para os menores começam com um aquecimento, com atividades como brincar de queimada ou pega-pega ou pular corda. Depois, eles aprendem algumas acrobacias de solo, como cambalhotas e estrelas.

“Entre três e seis anos, trabalhamos mais exercícios lúdicos e brincadeiras, porque eles estão na fase de desenvolvimento dos músculos e das cartilagens. Precisamos ter cuidado para não ir além das suas possibilidades”, diz Suzie Bianchi, diretora e proprietária da Companhia Circo Dança, no bairro do Campo Belo, zona sul da capital paulista. No Galpão do Circo, a aula dos mais novos é chamada de “aventuras acrobáticas” e sempre tem atividades que usam como pano de fundo uma história diferente.

A partir dos seis anos, é possível introduzir algumas técnicas circenses, como malabares, acrobacias aéreas, tecido, corda indiana e trapézio. Marinho diz que, nas aulas do Galpão do Circo, os alunos aprendem a usar pernas de pau e a fazer exercícios de “pirâmide humana” –aqueles em que os participantes se equilibram uns sobre os outros.

Introduzidas as técnicas básicas do circo, as crianças começam a desenvolver força, flexibilidade e coordenação motora, além de ganharem confiança e aprenderem a trabalhar em grupo. “É uma descoberta diária de limites”, diz Marinho, do Galpão do Circo.

Apesar da diferença de aula para cada idade, a primeira impressão costuma ser a mesma para quem está visitando uma escola de circo pela primeira vez. “A criança não tem a menor ideia de como será a aula. É muito difícil vir e não se encantar”, diz Suzie.

De acordo a médica do Instituto da Criança, o circo é um exercício completo, pois combina o desenvolvimento da coordenação motora e o fortalecimento dos músculos. Na hora de escolher uma escola, os pais têm de avaliar a segurança oferecida pela instituição. É importante que haja redes de proteção e cinto de segurança para a prática de atividades nas quais a criança fique suspensa. Também é importante ter, embaixo dos aparelhos, colchões espessos para aparar eventuais quedas.

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