Adolescência

Ser próximo do filho adolescente é diferente de bancar o "amigão"

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Forçar a mão para se enturmar com os amigos do filho pode fazer com que o jovem perca vivências importantes imagem: Thinkstock

Gabriela Horta

Do UOL, em São Paulo

Participar da vida do filho é um comportamento positivo dos pais, mas é importante ter bom senso para não atrapalhar vivências que são necessárias ao desenvolvimento do adolescente. Convidar-se para programas com o jovem e sua turma constantemente, entre outras atitudes, pode pôr a autoridade do adulto em xeque.

“Alguns pais acham que se portando como amigo do filho e ficando sempre por perto vão impedi-lo de usar drogas e de fazer coisas erradas. Mas, quando interferem no convívio do jovem com a turma dele, acabam tirando-o de situações que deveriam estar vivenciando. Atrapalham o andamento natural das descobertas e das trocas”, afirma Daniella Cury, psicóloga especialista em educação. “Busque o contato, mas não invada o espaço”, fala a profissional. Mostrar-se aberto não é se comportar como um igual. O adulto deve estar sempre disposto a ouvir o filho caso ele necessite, mas não ficar insistindo o tempo todo para que ele compartilhe cada nova experimentação.

Walnei Arenque, psicóloga clínica, também levanta uma questão importante que influencia na tentativa dos pais de se comportarem como amigo do filho adolescente. “De uma forma geral, os adultos estão muito infantilizados. Há uma luta contra a velhice na sociedade. Todo mundo quer ser lindo, jovem, moderno.”

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Ao buscar uma relação próxima com o jovem há limites a serem observados. “Os pais podem e devem participar (da vida do adolescente) para ocuparem o papel de cuidadores e não de mais um da turma, por mais que seja tentador voltar à adolescência”, declara a psicóloga clínica Marisa de Abreu.

Segundo a especialista, pais que percebem que estão sendo vistos pelos amigos do filho como alguém muito diferente, “ganhando” em relação aos outros pais da turma, não podem deixar que essa “vitória” lhes suba a cabeça. “Não podem alimentar fantasias de que são muito melhores do que os outros pais. Devem deixar claro que uma postura mais despojada é apenas uma de muitas válidas e que cada filho deve tentar ao máximo entender seus pais e perceber que, mesmo cabeças menos modernas, podem ter ideias muito válidas e cheias de amor.”

Nesse cenário, o filho desse pai superlegal pode sentir que está “perdendo” seus amigos. Todo adolescente precisa se perceber importante para seus pares, mas se o pai ou a mãe se mostra muito mais interessante, deixa de ser seu espelho para ser seu competidor. Nessa hora, passa de modelo que o filho gostaria de copiar a exemplo do que não fazer.

Erros comuns

Os especialistas ouvidos nesta reportagem enumeram alguns erros comuns dos pais que querem ser “amigões” dos filhos, relatados pelos adolescentes nos consultórios.

- Tem uma relação mais íntima com o amigo do filho do que com o próprio filho;

- É o pai (ou mãe) superlegal na frente da turma e não mantém a mesma postura em casa;

- Usa a influência na turma para buscar informações referentes ao filho;

- Cumpre papel de “pai” (ou mãe) do amigo do filho;

- Usa o amigo do filho para passar recados ou orientações ao próprio filho;

- Constrange o filho na frente da turma contando histórias da infância do adolescente;

- Faz perfil em rede social, adiciona todos os amigos do filho e passa a interagir em todas as postagens, deixando conselhos para o filho e para a turma.

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