Infância

De qualquer estilo, boa música ajuda a criança a se desenvolver

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A música pode colaborar com o aumento do vocabulário da criança, entre outros benefícios imagem: Thinkstock

Rita Trevisan

Do UOL, em São Paulo

Uma pesquisa do instituto Ipsos Marplan, que envolveu quase 3.000 crianças com idade entre dez e 12 anos e foi divulgada no primeiro semestre de 2012, mostrou que ouvir música é o principal passatempo desse público. E a boa notícia é que, muito além de entreter, o hábito ajuda no desenvolvimento infantil como um todo. “A música favorece a aquisição de vocabulário, dá noção de ritmo, trabalha a socialização e a afetividade. Quando associada a gestos e a coreografias ou à manipulação de instrumentos, há um grande ganho para a parte psicomotora também”, afirma a psicopedagoga Teresa Helena Schoen, do Departamento de Pediatria da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

A capacidade de estimulação, a partir do contato com os sons, é imensa. “São muitos os elementos que constituem uma música e isso explica porque ela é tão rica. Estamos falando de melodia, harmonia, altura, duração, timbre e intensidade, entre outros”, diz a doutora em ciências da saúde Claudia Zanini, professora e coordenadora do mestrado em música da UFG (Universidade Federal de Goiás).

O ganho para a parte cognitiva também é grande. A música estimula o raciocínio lógico e o abstrato, a memória e pode acalmar e diminuir a ansiedade, desde que se escolha o som correto para a ocasião. “A música ajuda ainda na compreensão de regras sociais. Quando uma criança brinca de roda, por exemplo, ela tem a oportunidade de vivenciar, de forma lúdica, situações de perda, de escolha, de decepção, de dúvida e de afirmação”, afirma o mestre em performance musical Cássio Henrique Martins, coordenador do curso de música da UFPI (Universidade Federal do Piauí).

E para colher todos esses benefícios, quanto mais música a criança tiver em sua rotina, melhor. “A música pode servir, inclusive, como um elemento para ajudar a organizar o dia a dia dos menores. Muitas famílias usam canções para sinalizar o momento de acordar, de se alimentar, de dormir e de escovar os dentes. Assim, as crianças entram na brincadeira e os pais economizam nos sermões”, fala Teresa.

Repertório eclético

É claro que a qualidade da música oferecida à criança faz toda a diferença. Na maior parte do tempo, o ideal é que ela escute melodias especificamente desenvolvidas para a sua faixa etária. “A música infantil é geralmente pensada para promover a sociabilidade, a afetividade, a motricidade, a psicomotricidade, o lado lúdico e a fantasia das crianças”, declara Martins.

Além disso, esse tipo de canção traz estruturas musicais mais simples, com melodias e harmonias que serão captadas com facilidade. “Quando se pensa em ritmos mais elaborados, por exemplo, a movimentação espacial e o nível de desenvolvimento da psicomotricidade da criança pode não estar à altura da dificuldade dos movimentos requeridos. Uma música com intervalos musicais mais amplos é muito mais difícil de cantar”, afirma Claudia.

Isso não significa, no entanto, que os pais não devam apresentar ao filho outros estilos musicais. E, segundo os especialistas, todo o tipo de música faz bem e serve para estimular. “Os pais devem mostrar aquilo que eles gostam. O único cuidado é com as letras, que devem trabalhar conceitos que estão alinhados aos valores da família”, diz Claudia. Batidas muito pesadas ou som alto demais podem deixar os menores excessivamente excitados e irritadiços. 

À parte o gosto pessoal, inserir música clássica e canções tradicionais no repertório infantil é sempre uma boa pedida. “A música clássica é muita rica em todos os elementos que a compõem, o que significa que ela oferece uma gama de estímulos muito grande. Já as músicas tradicionais têm a vantagem extra de ajudar a assimilar o repertório cultural do povo ao qual a criança pertence”, diz Teresa.

Por fim, além de comprar CDs e DVDs para os filhos, os pais também podem estimulá-los a manipular instrumentos e fazer brincadeiras musicais com eles. As que envolvem movimentos, como “Ciranda Cirandinha”, e a adição de novas palavras, a exemplo da “Canoa Virou”, costumam manter as crianças e os adultos motivados por mais tempo. Assim, a diversão e o aprendizado estarão garantidos.

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