Adolescência

Menstruação marca fim da infância e deve ser tratada com delicadeza

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Os pais têm de considerar a maturidade da menina para conduzir a conversa sobre a primeira menstruação imagem: Thinkstock

Juliana Zambelo

Do UOL, em São Paulo

A primeira menstruação marca uma mudança importante na vida das mulheres. Muito associada à ideia do fim da infância, ao “virar mocinha”, a menarca é a última transformação física significativa pela qual as meninas passam na puberdade. Mas enquanto algumas mães têm vontade de comemorar o fato e sair contando para toda a família quando ele acontece, é importante lembrar que, para a filha, o momento é delicado e pode ser motivo para dúvidas e constrangimento.

Não há uma idade certa para que a primeira menstruação aconteça. Karina Zulli, ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade São Luiz, de São Paulo, afirma que a idade em que a menina começa a menstruar é influenciada por fatores genéticos, ambientais e metabólicos.

Atualmente, as brasileiras têm menstruado pela primeira vez, em média, aos 12 anos. Segundo os especialistas ouvidos pelo UOL Gravidez e Filhos, essa média tem diminuído com o tempo, mas não existem estudos que comprovem as causas. Acredita-se que novos hábitos alimentares e o aumento da obesidade infantil podem estar entre os fatores que provocam o adiantamento da menarca.

Primeiros sinais

É possível saber que a menarca está próxima de acontecer porque, antes dela, o corpo já terá passado por outras mudanças significativas.

“Quando a menina entra na puberdade, começa a produção dos hormônios e há o estirão de crescimento. O corpo começa a desenvolver as mamas e os pelos pubianos e os das axilas. A menstruação é a última coisa e, depois disso, o crescimento diminui”, diz a ginecologista Aricia Helena Giribela, da Sogesp (Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo).

A idade mínima para uma primeira menstruação dentro da normalidade é nove anos. Caso aconteça antes disso, é importante consultar um médico para determinar a causa. A chamada puberdade precoce pode ocorrer por diversos fatores e precisa ser controlada, entre outros motivos, para que a menina não tenha seu crescimento interrompido cedo demais.

Para o ginecologista Eduardo Zlotnik, do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, é normal que aconteça até os 16 anos, mas se, aos 14, a jovem ainda não tiver menstruado, vale a pena consultar um médico para avaliar se está tudo bem.

Ansiedade e vergonha

Os pais devem começar a falar sobre o assunto com as filhas quando perceberem os primeiros sinais da puberdade. “Se está ocorrendo uma mudança no corpo, a menina tem de ser orientada para que a menstruação não a pegue de surpresa”, diz Zlotnik. Na conversa, além de explicar que o sangramento é algo natural, os pais precisam abordar questões de higiene, como explicar o uso do absorvente.

É aconselhável também alertar que, a partir da primeira menstruação, a menina passa a ter a possibilidade de engravidar mas a extensão da conversa deve ser adequada a cada caso. “Algumas meninas podem não estar maduras para uma conversa sobre gravidez e não entender”, afirma o médico do Einstein. “É um assunto que não deve ser deixado de falar, mas é preciso ver a reação da filha para saber se é possível aprofundar ou não.”

Outro aspecto importante dessa mudança, que os pais devem ter em mente ao conversar sobre o tema com a jovem, é a ansiedade. “Após certa idade, as meninas passam a ter uma expectativa grande porque a família e as amigas começam a falar sobre isso”, diz Aricia Giribela.

“De modo geral, as meninas lidam bem com a questão de deixar de ser criança e virar mocinha, mas é uma fase na qual elas têm muita vergonha do corpo, das mudanças que estão acontecendo”, fala a ginecologista. “Ela não sabe direito como usar o absorvente, então pode ter vazamentos que vão manchar a roupa, os pais precisam lidar com esse momento com delicadeza.”

Ciclo irregular

Após a menarca, para a maioria das meninas, o ciclo menstrual vai ser irregular durante os dois primeiros anos. Jose Maria Soares Junior, coordenador do Ambulatório de Ginecologia da Infância e Adolescência da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), afirma que, nessa fase, o eixo que controla a posição do útero ainda está amadurecendo, por isso é normal que os intervalos entre as menstruações variem. “Mas, se depois disso continuar irregular, precisa procurar um médico."

No início, a ovulação também é irregular, não acontecendo todo mês. “Normalmente no primeiro ano e meio ou dois anos, a ovulação é errática, acontece algumas vezes e outras não”, afirma Aricia, da Sogesp.

Pode acontecer de, após os primeiros ciclos, a menina sentir cólicas. Mas, apesar de, na maioria dos casos, a dor fazer parte do processo natural da menstruação, deve-se procurar ajuda especializada. “Ainda que o diagnóstico possa ser de normalidade clínica, não há motivo para sentir dor”, afirma Karina Zulli, do Hospital São Luiz. “A investigação deve ser feita sempre, já que existem várias propostas terapêuticas passíveis de serem instituídas para cada tipo de dor.”

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