Adolescência

Seu filho não quer mais brincar? Entenda a pré-adolescência

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Não adianta insistir para que a criança brinque, mas também não deixe que ela antecipe vivências imagem: Thinkstock

Daniela Venerando

Do UOL, em São Paulo

O fim das brincadeiras de criança vem acompanhado de muitas mudanças tanto para os filhos quanto para os pais. A menina deixa de lado seus brinquedos e quer começar a usar batom e a pintar as unhas. O menino, antes tão carinhoso, não quer mais ser beijado na porta da escola. Nessa fase, eles ainda não são adolescentes, ou seja não chegaram ao clímax da puberdade, quando a menina tem a menarca (a primeira menstruação) e o menino, a polução noturna (ejaculação involuntária que ocorre durante o sono). Estão passando pelo processo fisiológico de mudança hormonal e com ele vêm as alterações de comportamento.

"Estão em transição de uma fase para a outra, mas ainda são muito infantis. Depois da puberdade, as mudanças se intensificam", afirma o psicólogo Antonio Carlos Amador Pereira, autor do livro "O Adolescente em Desenvolvimento" (Editora Harbra).

O período é chamado de pré-adolescência e costuma ocorrer entre os oito e os 12 anos. Normalmente, a transformação acontece antes para as meninas por causa das modificações no corpo. Muitas, aos nove, começam a apresentar desenvolvimento das mamas. Nos meninos, o processo é mais lento e ocorre, em média, entre dez e 12 anos. Diante da mudança, o susto dos pais é grande e alguns tentam refrear o processo e estimular as brincadeiras de criança. Em vão.


"Não adianta ficar insistindo para brincar. É também comum existir uma flutuação. A criança pode ter uma recaída e recuperar a boneca em alguns momentos. O importante é deixá-la fazer essa seleção espontaneamente", declara a educadora Tania Zaguri, autora de “Encurtando a Adolescência” (editora Record).

Amador Pereira diz que os pais não costumam passar imunes por essa fase. "Todos estranham, uns mais, outros menos. É como se fosse elaborar a dor da perda. Afinal, percebem que o filho cresceu e, ao mesmo tempo, que eles próprios estão ficando mais velhos." Para os jovens, a situação também não é nada fácil. Ficam confusos, sem saber como lidar com esses novos desafios. Por isso, podem ter rompantes estranhos ou ficar introspectivos.

Influência de todos os lados

A mudança de interesses, precoce ou não, tem uma relação direta com o grupo ao qual a criança pertence. Os amigos são extremamente influentes nesse processo.  Um colega mais avançado nas atitudes vai despertar o interesse nos demais.

O comportamento excessivamente liberal de alguns pais também colabora para a antecipação dessa fase. Muitos adultos, sem perceber, acabam deixando o filho cair no exagero. Aceitam a pressão de crianças de quatro anos para usarem sandálias com pequenos saltos ou permitem que, aos dez, frequentem matinês ou passeiem em shoppings sozinhas.

"Deve-se usar a autoridade de pai ou mãe e não permitir situações em que os filhos não conseguirão arcar com as consequências de seus atos. Não dá para deixar um jovem de dez anos em uma festa sem adultos", afirma Tânia. Nesses momentos é preciso muita conversa. Quer se maquiar? Não adianta proibir, mas tem de explicar que vai chegar a hora disso acontecer. Uma coisa é a menina de sete anos brincar de se maquiar, outra é viver maquiada. “O importante é buscar o equilíbrio”, fala o psicólogo Antonio Carlos Pereira.  

É cedo falar de sexo?

"O ideal é que a conversa sobre sexo aconteça após a puberdade ", diz Miguel Perosa, professor da Faculdade de Psicologia da PUC de São Paulo. Ou seja, se a menstruação veio precocemente, o assunto deve ser abordado, mas sem exageros. Não é preciso dar uma aula de anatomia sexual.

No momento, a intenção é apenas evitar que jovens sem maturidade arquem com as consequências de uma gravidez precoce. Alguns pais têm receio de falar sobre o assunto e acabam estimulando ou acelerando a vida sexual do filho.

"Há vários mitos sobre a gravidez e até hoje existem jovens que acreditam que não se engravida na primeira transa. Informação é essencial. Sempre que se fala de sexualidade tem de mencionar as responsabilidades. Ou seja abordar prevenção e doenças sexualmente transmissíveis, mas sem terrorismo ", diz Tânia.

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