Bebês

Para criar interesse por música, vá além de dar brinquedos sonoros

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Despertar o interesse pela música requer que os pais estejam dispostos a envolver a família nesse universo imagem: Thinkstock

Maria Laura Albuquerque

Do UOL, em São Paulo

A música é uma linguagem importante para o desenvolvimento das crianças, que também diverte e entretém. Para criar um ambiente musicalmente rico para seu filho e incentivá-lo a gostar de melodias, você não pode simplesmente lotar o quarto de brinquedos sonoros e instrumentos musicais. Fazer isso é como montar uma prateleira repleta de livros e acreditar que com isso a criança vai se tornar um leitor ávido. É preciso mais.

Os brinquedos e os instrumentos são só objetos e o interesse pelo assunto não acontece somente pelo fato de ter ou não brinquedos desse tipo. Despertar o interesse pela música requer que os pais estejam dispostos a envolver a família nesse universo.

Na hora das compras, escolha os que emitem sons diversos e músicas prontas para presentear os bebês. "Eles se entretêm com a manipulação do objeto em si e ao descobrir que eles produzem algum resultado", explica Gisela Wajskop, diretora-geral acadêmica do Instituto Superior de Educação de São Paulo - Singularidades, em São Paulo.

Não se esqueça de analisar o tipo de som e as possibilidades de volume para não acabar adquirindo objetos simplesmente barulhentos (em poucos dias, você vai decidir sumir com eles para recuperar o silêncio da casa!).

E não se deixe levar somente pelos modelos eletrônicos, aqueles em que basta apertar um botão para emitir o som de passarinhos e outros animais, por exemplo. São opções, mas lembre-se dos diversos tipos de chocalhos, paus de chuva (instrumento que, parecido com o chocalho, produz som ao ser movimentado) e sininhos. Com eles, de acordo com Gisela, aprende-se que é possível modificar a realidade usando as próprias mãos e a brincadeira não fica restrita aos mesmos sons de sempre.

"Ainda assim, é importante compreender que brinquedos desse tipo emitem sons, mas não são instrumentos musicais", fala Gisela.


A partir de um ano, invista em modelos mais próximos a instrumentos de verdade, ou seja, que tenham o mesmo formato e sons parecidos com os reais. "O cuidado é importante para aproximar a criança do mundo da música sem tantas distorções", afirma Roberto Schkolnick, professor de musicalização da Escola Jacarandá e coordenador da área de música do Colégio Magno, em São Paulo.

Na hora de adquirir uma guitarrinha, por exemplo, dê preferência a modelos mais realistas: com cordas, não com botões ou com espaços para encaixar objetos. Aposte também em instrumentos como tambor, bateria, pandeiro, reco-reco, xilofone, violão, pianinho...

Os modelos que imitam instrumentos de sopro, como saxofone e flauta doce, por serem mais difíceis de manipular, são indicados para crianças com mais de três anos, de acordo com Teca Alencar de Brito, criadora da Teca Oficina de Música, em São Paulo, professora e pesquisadora do departamento de Música da USP.

A especialista diz que os pais não devem se deixar levar pelas aparências. "Muitos produtos têm um belo visual, mas emitem sons ruins. A qualidade sonora é importante, usar a desculpa que pode ser ruim porque é para criança não vale."

Outro cuidado importante para enriquecer a experiência é fazer uma mediação das crianças com os brinquedos. Mais que deixá-los ao alcance delas, é importante que você proponha que tentem produzir novos ritmos e acompanhem uma música que está sendo tocada no rádio, por exemplo. Para isso, você não precisa ser músico profissional. O objetivo da proposta é brincar de fazer música, experimentar –sem ter de acertar.

Schkolnick sugere também propor experiências, como comparar o som emitido ao chacoalhar um potinho plástico com grãos de arroz dentro e depois com grãos de feijão. São diferentes? Qual som é mais grave? Também é interessante simular sons contrabaixos prendendo elásticos nas paredes de uma caixa de papelão, como as de sapato. Como podemos modificar o som? Esticando mais o elástico? E se substituirmos o elástico por barbante? Lembre-se também de que criança gosta de brincar e inventar: não há nada de errado se o pianinho também for usado como a mesinha de refeições das bonecas.


Ter em casa instrumentos de verdade é outra boa pedida, desde que as crianças possam interagir com eles. Para Teca, não adianta manter um belo piano na sala e almejar que o filho se interesse por música se ele não puder se aproximar do teclado. Se sua preocupação é não desafinar o instrumento, proporcione contatos supervisionados, toque para a criança ou proponha que vocês toquem juntos.

Outra possibilidade para a criançada entrar em contato com o universo das notas musicais são oficinas de musicalização. Algumas escolas desse tipo oferecem atividades até para bebês de oito meses acompanhados dos pais. A ideia não é ensinar ninguém a tocar um determinado instrumento, mas sim apresentar sons e ritmos, trabalhar com a percepção auditiva, deixar os alunos explorarem os mais diversos instrumentos, enriquecer os momentos de escuta e criar sons, é claro.

Ouvir um repertório diversificado tem de fazer parte da rotina da família que quer aproximar os filhos da música. Crianças aprendem a gostar e podem vir a se interessar por música tal como os adultos: ouvindo diferentes estilos, interagindo com eles, seja acompanhando o ritmo batucando ou com algum brinquedo ou instrumento, seja cantarolando. Para isso, além de investir em bons CDs e DVDs, fique de olho na programação musical da sua cidade.

Shows ao ar livre e concertos em salas de espetáculo são ótimas pedidas para aumentar o repertório das crianças e também para mostrar a elas instrumentos e músicos profissionais em ação. A Sala São Paulo, na capital paulista, por exemplo, tem uma rica programação gratuita e a preços populares.

No entanto, se o desejo dos pais é que o filho aprenda a tocar algo, é preciso formalizar a situação, contratar um professor particular ou matricular a criança em um conservatório ou uma escola especializada.

Dar um pianinho de presente não faz com que ninguém se torne pianista nem necessariamente incentiva a criança a querer ser profissional no futuro. "Aprender a fazer música requer técnica, tempo dedicado à repetição, anos de dedicação e, é claro, contato com instrumentos reais", declara Schkolnick.

Esse tipo de aula, segundo ele, pode ser inciado a partir dos sete anos, quando as crianças têm maior domínio dos movimentos e autonomia para frequentar as aulas.

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