Gestação

Engravidou sem planejar? Veja as primeiras providências necessárias

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Para a primeira consulta do pré-natal, escreva uma lista com todas as suas dúvidas imagem: Thinkststock

Maria Laura Albuquerque

Do UOL, em São Paulo

A menstruação não deu o ar da graça. O teste de farmácia deu positivo. E o outro, comprado “por garantia”, também. Sim, você está grávida!

Você sempre ouviu dizer que, antes de uma gestação, é recomendável que a mulher se submeta a vários exames, tome ácido fólico para garantir a formação de um bebê saudável, mas você não fez nada disso foi feito, porque não estava planejando engravidar. E agora?

A primeira providência, caso você seja fumante, tenha o costume de ingerir bebidas alcóolicas ou faça uso de drogas ilícitas, é parar com tudo imediatamente para não pôr em risco a saúde da criança dali em diante.

Também é importante suspender a alimentação com carnes cruas, para evitar alguma infecção bacteriana ou o contágio com o protozoário da toxoplasmose, que podem acarretar danos graves à saúde do bebê.

E mais: se você engravidou fazendo uso de pílula, anticoncepcional injetável ou adesivo, suspenda o uso. Luiz Fernando Leite, ginecologista e obstetra da Maternidade Santa Joana, em São Paulo, explica que essa providência é importante porque anticoncepcionais bloqueiam a ação de hormônios femininos que são importantes para o desenvolvimento da gestação. “Ao interromper o uso do anticoncepcional, pode ser que a mulher apresente um pouco de sangramento”, diz o médico.

Pré-natal

Paralelamente a essas mudanças de hábito, a providência mais urgente é agendar uma consulta médica com um ginecologista obstetra, o qual você terá de visitar todos os meses até o nascimento do bebê. Segundo o Ministério da Saúde, são necessárias, pelo menos, seis consultas de pré-natal e uma após o parto para um acompanhando ideal da gestação.


Os dois primeiros exames a serem solicitados pelo médico são o beta HCG (de sangue) para confirmar a gestação e uma ultrassonografia, que irá determinar o tempo dela. Em caso de gravidez em torno de seis semanas, é possível analisar os batimentos cardíacos do bebê.

É importante ainda fazer um levantamento de outros exames realizados recentemente para levar ao consultório nessa primeira visita: ecocardiografia, hemograma, ultrassonografia de mamas e de tireoide, por exemplo. Quanto mais informações o médico tiver sobre você, melhor ele poderá começar a organizar o pré-natal. “Essas são informações da saúde da paciente que compõem a anamnese, um histórico da saúde”, afirma Leite.

Em meio a tudo isso, pondere com calma, se quer anunciar a novidade e para quem quer contar. Tenha em mente que as pessoas não vão poupá-la da curiosidade delas (e algumas podem ser bastante inconvenientes) e nem mesmo você tem muitas informações sobre o cenário.

De quantos meses você está? Onde vai ser o parto? Você prefere menino ou menina? Qual a cor do enxoval? Você estava planejando ou foi um susto? Está preparada para ser mãe? Qual vai ser o nome? Para quando é?


“É uma decisão extremamente pessoal para quem contar e quando contar. A mulher tem de estar bem consigo mesma e compreender o que a gestação não planejada representa para ela. É importante também, antes de anunciar a notícia, analisar como ela lida com a influência e com a opinião dos outros”, diz Cynthia Boscovich, psicóloga psicanalista e autora do site Cuidado Materno.

Primeira consulta

Chegado o dia de conversar com o médico, organize uma lista com as perguntas que você tem: estou grávida há quantas semanas? Tenho de comer e beber algo em especial daqui em diante? Preciso suspender algum dos remédios de uso contínuo? O que posso tomar no caso de sentir enjoos? E se vomitar? Tenho de parar de usar cosméticos? Como faço para prevenir estrias? Devo interromper as atividades físicas que tenho costume de fazer? Com tudo isso em mãos, fica mais fácil aproveitar o tempo com ele.

Adicione à lista dados essenciais, como a data de sua última menstruação, se possível. Outras informações que são boas para compartilhar com o profissional são as que têm a ver com o histórico de saúde familiar, principalmente, da sua mãe, irmãs, tias e avó materna. Alguma delas é diabética? Tem pressão alta? Sofre do coração? Elas desenvolveram diabetes gestacional? Pré-eclampsia (hipertensão arterial específica da gravidez)?

“Durante o atendimento médico, o profissional também vai requisitar novos exames: toxoplasmose, Aids, rubéola, sífilis, hepatite, hemograma, taxa de açúcar no sangue, entre outros”, enumera Leite. E, se a gestação ainda não tiver alcançado seis semanas, receitar que você tome, a partir de então, ácido fólico. Trata-se de uma vitamina hidrossolúvel do complexo B importante para a boa formação do tubo neural do feto.


Entre outros problemas, a má formação dessa estrutura primitiva implica em anencefalia (ausência total ou parcial do encéfalo) e espinha bífida (má formação da coluna vertebral). “No entanto, se a gestação tem mais de seis semanas, não adianta mais ministrar esse componente porque o tubo neural estará fechado”, explica o obstetra. Ao fim da consulta, combine a data de retorno e converse com o médico sobre o que fazer no caso de se sentir mal, ter enjoo ou apresentar sangramento.

Tempo de reorganizar a vida

Depois da consulta, pare para pensar nas mudanças que vai ter de fazer em casa, no orçamento e na rotina para receber seu filho. É fato que não há muita pressa, ainda há alguns meses pela frente. No entanto, aproveite enquanto os movimentos físicos não estão limitados por causa do crescimento da barriga e mãos à obra!

Muitas mulheres, por exemplo, optam por ter o acompanhamento de uma doula –acompanhantes profissionais de parto, que orientam a mulher antes e depois do nasciimento. No site Doulas do Brasil, é possível fazer a busca de uma profissional levando em conta onde você mora. Planeje-se também para visitar as maternidades onde gostaria de fazer o parto e analisar se o que as instituições oferecem lhe agrada.

Para organizar o quarto da criança, pode ser necessário se desfazer de alguns móveis ou até mesmo se mudar de casa ou apartamento. Por isso, quanto mais antecedência, melhor.

No orçamento, pense em rever o quanto você gasta para não se apertar no início da vida do bebê. Vale a pena conversar com amigas que têm filhos pequenos para calcular o quanto elas gastam por mês com fraldas, entre outras despesas, e organizar uma poupança.

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