Bebês

Esqueça o andador; veja como estimular seu filho a andar sem ele

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A melhor forma de incentivar o bebê a andar é criar um ambiente sem riscos de acidentes e cercado de carinho imagem: Thinkstock

Daniela Venerando

Do UOL, em São Paulo

A maioria dos bebês começa a andar com por volta de um ano, mas alguns só conseguem dar esse grande passo do desenvolvimento infantil entre 15 e 18 meses, sem que isso seja motivo de preocupação.

Cada bebê tem seu ritmo e não há sentido nenhum em fazer comparações com outras crianças ou com o irmão que andou mais rápido. Antes de ficar de pé, a maioria engatinha, o que acontece por volta do sétimo ou oitavo mês de vida. Outros simplesmente pulam essa etapa e acham divertidíssimo se equilibrar nos móveis em busca de apoio.

Nessa fase, os pais podem e devem estimular os filhos. Só não vale recorrer ao andador. A SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) condena o uso do equipamento, que pode causar acidentes graves e ainda atrasar o desenvolvimento psicomotor dos bebês.

Projeto de lei do senador Paulo Davim (PV-RN), em tramitação, quer proibir a produção, a importação, a distribuição, a comercialização e a doação do andador. No Canadá, por exemplo, a venda do aparelho foi proibida.

O desenvolvimento do bebê até dois anos

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"O andador faz a criança pular etapas, evitando que ela engatinhe e, pior, levando mais tempo para ficar de pé. Além disso, há casos graves de crianças hospitalizadas com queimaduras, intoxicação e, principalmente, por quedas, porque o andador facilita o acesso a lugares perigosos", afirma o ortopedista pediátrico Rui Maciel de Godoy Jr., do departamento de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da USP.

Ambiente favorável e muito carinho

A melhor forma de incentivar o bebê a andar é criar um ambiente sem riscos de acidentes e cercado de muito carinho e atenção por parte dos pais. Arraste os móveis se precisar e deixe a criança à vontade. E nada de facilitar muito a situação. Afastar os brinquedos preferidos, por exemplo, é uma forma de chamar a atenção e fazer com que ela se movimente.

Outra alternativa é pegar as duas mãos da criança e andar com ela pela casa. Parques e lugares abertos, como praças, podem também aguçar a curiosidade e propiciar um estímulo a mais. Nessa fase, tropeços e pequenas quedas são comuns, por isso controle-se para não demonstrar uma preocupação exagerada.

"Se o adulto fica amedrontado com a possibilidade de queda, deve disfarçar como puder. Se o bebê sentir essa aflição, poderá se retrair", declara o ortopedista Marco Antonio Ambrósio, do Hospital Samaritano, de São Paulo.

Segundo o médico, o processo dever ser feito com muito naturalidade e sem pressa. Nada de dar broncas ou demonstrar impaciência por causa de um tombo. Daí a importância de se criar um ambiente seguro. 

Para os primeiros passos, a indicação é deixar o bebê descalço em casa para que seus pés se posicionem melhor e ele sinta o terreno, além de desenvolver de forma mais adequada noções de equilíbrio e de espaço.

Meias antiderrapantes podem auxiliar em dias frios. Depois de um tempo, um tênis confortável pode ser interessante para as áreas externas. Já calçados como os Crocs estão descartado nessa fase, pois deixam o pé solto, facilitando as quedas.

A pediatra Valéria Cristiane Succi Lopes, do Hospital Israelita Albert Einstein, orienta os pais a detalhar para o médico como está a movimentação da criança consulta de rotina. Isso fará com que problemas de desenvolvimento motor sejam detectados precocemente. "A mãe deve ficar alerta se criança ainda não andou por volta dos 18 meses.”

Dicas para estimular o bebê a andar:

- Deixe a criança explorar o terreno, fazer seu próprio trajeto e descobrir texturas com pés e mãos. Apenas fique atenta com os perigos;

- Incentive: afaste-se e chame a criança até você. Faça o mesmo com os brinquedos, deixando-os longe para que ela tenha de ir pegá-los; 

- Segure as mãozinhas e vá caminhando junto do bebê. Quando ele conquistar firmeza e equilíbrio, você pode fazer o mesmo exercício segurando apenas uma das mãos dele;

- Transmita segurança. Tropeções e quedas serão frequentes; corrija de forma carinhosa e sem broncas;

- Cuidado com quinas, móveis que podem cair em cima da criança, toalhas postas em mesas que ela possa puxar, objetos pontiagudos e peças pequenas, que podem ser levadas à boca. Vigie, sem criar ansiedade com a situação.

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