Infância

Costura desenvolve habilidades motoras e reforça autoestima

Thaís Macena e Rita Trevisan

Do UOL, em São Paulo

É cada vez mais comum os pais, pensando nas aptidões que acham importante os filhos desenvolverem, matricularem a criança em cursos extracurriculares. E as opções atuais vão muito além dos tradicionais esportes e línguas.

Uma modalidade que potencializa o desenvolvimento da criança e resgata um costume, hoje bastante deixado de lado pelas famílias, é a aula de costura.

“Ela trabalha bastante a concentração, a atenção e a coordenação motora”, afirma a psicóloga clínica Patricia Spada, pesquisadora da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Como a criança, em geral, tem a possibilidade de criar peças únicas nesse tipo de curso, acaba também desenvolvendo a criatividade, a autonomia e, ao se perceber capaz de produzir algo com as próprias mãos, se torna mais confiante.

Para ser benéfico para a criança, é preciso que ela se identifique com a prática. “É comum que as crianças se interessem por atividades diferentes, como cozinhar ou costurar, quando já têm alguma referência na família”, afirma Lino de Macedo, professor de psicologia do desenvolvimento do Instituto de Psicologia da USP.

No entanto, se a vontade de investir nesse tipo de aula não acontecer espontaneamente, os pais podem sugerir e levar para uma aula teste. Só não vale insistir para que a criança fique, caso ela não se sinta à vontade.

“Nem sempre o que os pais querem vai de encontro aos desejos da criança. Os adultos precisam ser sensíveis para perceber o temperamento e os gostos do filho e, na medida do possível, respeitá-los”, diz Macedo.

De acordo com o especialista, é fundamental envolver o filho na escolha do que fazer. “Quando a criança sente prazer em executar a atividade escolhida, os benefícios para o desempenho global são diversos. Além do que, essas atividades extracurriculares evitam que ela fique com muito tempo ocioso e apenas ligada nos meios eletrônicos, como a televisão.”

Assim, é provável que crianças mais extrovertidas e ativas se deem bem com esportes de equipe. Já as mais introvertidas e com interesse por arte podem se identificar mais com aulas de pintura ou costura, por exemplo.

De qualquer forma, é preciso informar-se sobre a adequação do curso à idade da criança e poupá-la de pressões quanto ao rendimento, lembrando que, ao menos nas atividades voltadas ao lazer, o principal objetivo deve ser relaxar.

“No caso da costura, indicamos a partir dos cinco ou seis anos de idade, época em que a criança já desenvolveu a coordenação motora fina. Ainda assim, o acompanhamento de um adulto responsável é fundamental”, diz Patricia.

Na hora de matricular a criança no curso, os pais ainda precisam avaliar a rotina dela para checar se não está sobrecarregada. Nada de submeter a criança a uma agenda de executivo.

“Não adianta querer impor uma série de obrigações, além da escola. Para crescer e se desenvolver bem, ter um tempo livre ou destinado a um hobby é tão fundamental quanto para um adulto”, diz Macedo.

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