Infância

Saiba como proteger seu filho das doenças de inverno

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Características do outono e do inverno contribuem para que bebês e crianças adoeçam com mais facilidade imagem: Thinkstock

Maria Laura Albuquerque

Do UOL, em São Paulo

"Menino, coloque a blusa!"
"Por que você está descalço? Está frio!"
"Acho melhor você vestir mais um casaco!"
 
Quem tem filho pequeno em casa certamente já ouviu ou falou uma dessas frases (se não todas elas e outras mais!) sempre que a temporada de baixas temperaturas chega.
 
É realmente importante se preocupar e tomar alguns cuidados para evitar que as crianças adoeçam. Segundo a pediatra e alergista Cintia Ariana Emereniano e a também pediatra e alergista Annelise Luvison Costa Macedo, muitas pessoas acreditam que as doenças típicas do tempo frio são inevitáveis, mas, com algumas providências, é possível afastá-las ou abrandar os sintomas.
 
Algumas características do outono e do inverno contribuem para que as pessoas, em especial bebês e crianças, adoeçam com mais facilidade. E isso não tem a ver só (nem principalmente) com as baixas temperaturas.

Em boa parte do Brasil, essa é uma temporada de baixa umidade relativa do ar, o que faz com que as vias respiratórias sofram.  "O ar seco também favorece que partículas, incluindo vírus e bactérias, permaneçam mais tempo em suspensão", explica Evandro Roberto Baldacci, pediatra e professor do Departamento de Pediatria da USP.

Nessas condições, aparecem inflamações, como a rinite e a asma, e doenças infecciosas respiratórias, como a gripe e o resfriado. Para evitar esses males, os médicos sugerem ingerir muita água e outros líquidos durante todo o dia e manter uma toalha úmida estendida próxima à cama durante à noite.

"Como a área da toalha é maior, é uma solução mais eficiente do que um balde cheio de água para umidificar o ar do cômodo", diz Gerson Matsas, pediatra do Hospital Samaritano, em São Paulo.

Outra boa dica, de acordo com Baldacci, é manter as vias aéreas superiores sempre limpas usando soro fisiológico e fazendo inalações (somente com soro, sem medicamentos).

Também é comum nessa época que os termômetros despenquem de uma hora para outra, fazendo com que, consequentemente, a temperatura do corpo oscile se ele não estiver bem protegido. De acordo com Matsas, nosso organismo é programado para se manter aquecido entre 36 e 36,5 graus Celsius, situação controlada pelo  processo denominado homeostase.

Sempre que a variação ocorre, o corpo é obrigado a gastar energia para se recuperar. Se faz isso diversas vezes ao dia, por exemplo, desperdiça energia, podendo deixar de cuidar de outras funções físicas importantes, o que abre caminho para doenças se instalarem no organismo.

"Assim, sair de casa bem agasalhado quando está ventando ou muito frio, é válido para manter a temperatura do corpo mais estável", diz o especialista. No caso de recém-nascidos, o cuidado é ainda mais importante, porque a homeostase neles ainda não está estabelecida por completo.

No entanto, nada de exagerar e encapotar demais a criançada. De acordo com as pediatras Cintia e Annelise, sentir a temperatura na barriga, peito, costas e na cabeça da criança é o jeito mais adequado de saber se ela está com frio –e não tocando nas mãos e nos pezinhos dela–, como geralmente se faz. Elas explicam que as extremidades são naturalmente mais frias em comparação com o resto do corpo.

Outro cuidado essencial nessa época é evitar locais sem ventilação e cheios de gente (ainda mais se as crianças estiverem adoentadas!). Esse tipo de ambiente potencializa a circulação de vírus, bactérias e ácaros, que podem desencadear a gripe e outros males, uma vez que o ar não é renovado.

"É importante manter os ambientes abertos uma boa parte do dia para que sejam arejados", diz Matsas. Cintia e Annelise ainda recomendam trocar a vassoura (que levanta pó) por pano úmido para fazer a limpeza da casa, tirar os bichos de pelúcia, cortinas e tapetes do quarto e cuidar da faxina do carro com a mesma dedicação que a da casa.


Não se esqueça também da vacina contra a gripe, recomendada para todas as crianças de seis meses a cinco anos pela SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria). No primeiro ano em que recebem a vacina, menores de nove anos devem tomar duas doses, com intervalo de um mês.

Antes mesmo de seu filho apresentar febre, dor de cabeça ou de garganta e coriza, entre outros sintomas típicos dos dias mais frios, vale conversar com o pediatra e pedir orientações sobre como proceder para cuidar dele.

Resfriados, por exemplo, são muito comuns na infância. Algumas crianças chegam a ficar resfriadas dez vezes por ano e muitas famílias acabam medicando por conta, usando remédios que não necessitam de receita médica, na intenção de aliviar os sintomas, como tosse, nariz entupido e dor de garganta.

Antitérmicos e analgésicos possuem a versão infantil com o objetivo de ter a dosagem ajustada para evitar complicações. Mas eles podem causar reações adversas perigosas, como alergia, aumento da frequência cardíaca, sonolência, insônia, convulsão e diminuição da frequência respiratória. Nenhum remédio é livre de efeitos colaterais.

Além disso, ao medicar as crianças em casa, você pode mascarar doenças sérias, como a pneumonia, retardando o início do tratamento adequado.

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