Bebês

Depois do parto, cuide do corpo para dar conta da nova rotina

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Com a nova rotina, a coluna, as costas, os pulsos e os ombros da mulher serão muito mais exigidos imagem: Thinkstock

Catarina Arimatéia

Do UOL, em São Paulo

Depois de nove meses de gestação, chegou a hora de cuidar do bebê. Pegar a criança no colo, tirá-la do berço e colocá-la de volta, carregar a bolsa com seus pertences, o carrinho, levantar e abaixar a todo momento. Com essa nova rotina de atividades, a coluna, as costas, os pulsos e os ombros da mulher serão muito mais exigidos.

Para evitar que lesões e desconfortos aconteçam, é importante que a nova mãe, assim que for liberada pelo seu médico, restabeleça sua rotina de atividade física ou comece uma. Exercícios que envolvam as articulações, como uma caminhada, vão ajuda-la a se fortalecer para encarar a etapa, além de contribuir para que retome a antiga forma física.

Segundo o terapeuta funcional Paulo Gelatti, da Good Vibe Personal Studio, as mulheres que já se exercitavam antes da gestação têm memória muscular e poderão voltar à ativa sem grandes problemas. Porém, é importante lembrar que, ao engravidar, o corpo libera um hormônio chamado relaxina, que tem a função de fazer a pélvis relaxar na hora do parto. “Com a liberação desse hormônio, a musculatura torna-se mais maleável e é preciso ter cuidado com movimentos amplos para não lesionar os músculos”, diz Gelatti.

Além de voltar a se mexer, há exercícios simples que podem ser feitos em casa para a mulher fortalecer o corpo para a maratona doméstica, como os ensinados abaixo por Vanessa Marques, especialista em obstetrícia pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e fisioterapia hospitalar pelo Hospital Israelita Albert Einstein, da capital paulista.

A profissional recomenda que os movimentos abaixo sejam feitos ao se levantar pela manhã, antes ou depois de alguma atividade física e quando sentir a área desconfortável.

Para a região dos ombros e do pescoço

1 - Gire lentamente para trás o ombro, associando com a respiração. Puxe o ar lentamente na subida do ombro e solte-o na descida.

2- Incline levemente o pescoço para a lateral direita e depois para esquerda, sentindo o alongamento do músculo.

Para a região das mãos e dos punhos

3 - Gire a mão lentamente para o lado direito e depois para o esquerdo, com os punhos fechados. Faça o movimento simultaneamente com as duas mãos.

4 – Faça movimentos de abrir e fechar as mãos, que ajudam a diminuir o inchaço e também a rigidez.

Para a região lombar

5 - Deite de barriga para cima e puxe as duas pernas juntas, flexionadas em direção ao tronco. Mantenha a posição por 30 segundos. Descanse por um minuto. Repita o movimento de duas a três vezes.

De olho na postura

Amamentar o bebê é uma atividade da rotina que será repetida inúmeras vezes e exigirá preparo físico da mãe. O ortopedista Antonio Carlos da Costa, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, diz que, durante a amamentação, a mulher deve tomar alguns cuidados.

O primeiro deles é aleitar o bebê em uma poltrona adequada, com um bom encosto, fazendo com que a coluna fique em posição relativamente reta e o bumbum encaixado. Braços e cotovelos devem estar apoiados. Travesseiros podem ajudar nessa tarefa.

Ao pegar e colocar a criança no berço, também é indicado manter o punho firme, o que evita problemas nas articulações.

O corpo avisa

Mesmo assim, dores e desconfortos podem acontecer e, por isso, é preciso estar atento aos sinais e procurar auxílio médico o quanto antes. O fisioterapeuta Maurício Garcia, mestre em ciências aplicadas ao aparelho locomotor pelo departamento de ortopedia da Unifesp, aponta situações de alerta.

- Dor pós-esforço em articulações. “O mais comum é ter dor na coluna, mas pode ser no quadril, no joelho, no punho. Esse é o primeiro indicador de que o corpo está passando do limite naquele momento”;

- Incapacidade de executar um movimento. Se o punho for flexionado demais, pode ocorrer a dor. Nesse momento, a mãe começa a buscar movimentos alternativos que podem prejudicar outras partes do corpo. “Muitas vezes, ela força a coluna, o ombro ou o cotovelo, tudo para facilitar o movimento”, diz Garcia;

- A dor passa a ser constante. Nesse estágio, é comum acontecer a LER (Lesão por Esforço Repetitivo), exigindo cuidados médicos imediatos;

- A mulher começa a delegar funções, por não conseguir mais realizá-las. 

“Os alertas são progressivos”, afirma o fisioterapeuta. “Se o primeiro não for respeitado, acontece o segundo, o terceiro". Assim como os alertas, os problemas também progridem se providências não forem tomadas.

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